Após revelações sobre a atuação de Eduardo na gestão de recursos de Dark Horse, o PT vai ampliar ação para desgastar adversários
O Partido dos Trabalhadores (PT) pretende manter a ofensiva contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação, na última quarta-feira (13/5), de mensagens e áudios trocados entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A partir de agora, porém, o partido também deve ampliar o foco para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Reportagem do Intercept Brasil aponta que o filho “03” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atuou como produtor-executivo do filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-mandatário. A informação consta no contrato da obra.
O site também revelou que Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões para financiar o projeto, cujos recursos teriam sido solicitados por Flávio Bolsonaro.
Segundo petistas, não houve orientação direta do Palácio do Planalto para a mobilização contra a família Bolsonaro. A iniciativa partiu da própria direção do partido, que vem adotando uma estratégia de críticas constantes, sobretudo nas redes sociais, ao principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, a Polícia Federal (PF) investiga se parte desses valores foi desviada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde vive desde março de 2025.
Os investigadores também apuram se o dinheiro teria sido usado para financiar ações de lobby contra autoridades brasileiras, em articulação com o governo de Donald Trump, o que gerou sanções e medidas comerciais contra o Brasil.
Apesar da escalada, o PT tem adotado cautela no tom dos ataques. A estratégia prioriza a reprodução de reportagens de veículos de imprensa, sem adjetivações diretas. A avaliação interna é que o uso de informações já publicadas confere mais credibilidade às críticas — linha que deve ser mantida também em relação a Eduardo.
Isso não impede, contudo, a produção de conteúdos próprios voltados à viralização. Um exemplo foi o jingle divulgado no mesmo dia da revelação das mensagens, em ritmo de forró e produzido com uso de inteligência artificial. A peça resgata episódios da trajetória de Flávio, como o caso das rachadinhas, e termina com o bordão “Sai pra lá, Bolsonarinho”.
A avaliação de alguns petistas é que ainda é cedo para saber se Flávio vai desistir da candidatura, e que a decisão cabe exclusivamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que pode insistir no filho como o herdeiro de seu espólio político. Ainda assim, a leitura no partido é de que o envolvimento de dois de seus filhos no episódio pode fragilizar o campo adversário.

Impacto eleitoral
- As revelações envolvendo a família Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, colocaram a campanha de Flávio no centro de uma crise.
- Além do repasse de cerca de R$ 61 milhões para bancar uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, a PF investiga se o valor foi usado para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
- Petistas apostam que o escândalo tem potencial de enfraquecer a candidatura do filho do ex-presidente ao Palácio do Planalto.
- Como mostrou o Metrópoles, na coluna Igor Gadelha, por parte do Centrão e do mercado financeiro há um movimento para viabilizar uma composta pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
- Flávio, por outro lado, nega especulações sobre desistência da candidatura. Ao Metrópoles, ele garantiu que “Michelle não será candidata”.
O que relevou o Intercept
O site teve acesso ao contrato da produção, de novembro de 2023, que foi assinado por Eduardo Bolsonaro no dia 30 de janeiro de 2024. O documento coloca a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo e o deputado federal Mario Frias (PL) como produtores-executivos. A função dos dois era lidar com o orçamento e a gestão financeira de Dark Horse.
Assim como outros produtores da GoUp e o deputado federal Mário Frias, Eduardo teria a responsabilidade sobre as decisões sobre como os recursos seriam captados e gastos.
Após as revelações, o ex-deputado federal negou que tenha atuado como gestor da verba. Ele afirmou que participou inicialmente do projeto com recursos próprios. Segundo o político, cerca de R$ 350 mil arrecadados com o curso “Ação Conservadora” foram convertidos em aproximadamente US$ 50 mil para garantir a contratação de um diretor de Hollywood responsável pelo desenvolvimento inicial do roteiro.
“Peguei R$ 350 mil, transformei em cerca de US$ 50 mil e mandei para os Estados Unidos para garantir o contrato com um diretor de Hollywood”, declarou em um vídeo publicado nas redes sociais.
Eduardo diz, ainda, que os vazamentos buscam atingir politicamente sua família. “O Intercept está fazendo um vazamento seletivo, algo criminoso para tentar assassinar a reputação do Flávio Bolsonaro, porque ele lidera as pesquisas para presidente”, alega.
A notícia movimentou as redes petistas na tarde de sexta. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou Eduardo de “homem da grana de Daniel Vorcaro”. “Enquanto Flávio pedia, quem administrava o dinheiro de Vorcaro nos EUA era Eduardo Bolsonaro. Contrato assinado, fundo no Texas, lobby contra o Brasil, tarifaço e sanções”, disse o parlamentar.
Patrocínio
Primeiramente, o Intercept revelou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou aproximadamente R$ 61 milhões para financiar Dark Horse. O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões, mas não há evidências de que todo o dinheiro foi repassado. Os recursos foram solicitados por Flávio Bolsonaro.
O senador e pré-candidato negou irregularidades no repasse do valor. Flávio afirma que o patrocínio se deu em caráter “privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.
Nesse sexta, em entrevista à CNN, ele admitiu que novos materiais envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro podem vir a público. Entretanto, Flávio sustenta que os contatos foram restritos às negociações sobre o filme.
“É legítimo que pensem dessa forma [sobre novos vazamentos], mas não tem nada diferente do filme. Pode vazar um ‘videozinho’ mostrando o estúdio que eu possa ter enviado pra ele, algum encontro que eu possa ter tido com ele, [mas] foi tudo para tratar sobre o filme, não vai ter surpresinha”, declarou.
Flávio também negou qualquer proximidade pessoal com Vorcaro. “Nunca viajei com ele, não tinha convívio social com ele. Minha conexão foi estritamente para o investimento do filme”, afirmou.
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