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Uma semana após cessar-fogo, Gaza ainda sofre com fome e sede

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Parte do pouco que entra é para ser vendido caro para população que não tem dinheiro

A quantidade de comida, água potável e medicamentos que entra na Faixa de Gaza, uma semana após o início do cessar-fogo ainda é muito inferior do que o necessário, segundo o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA). A agência afirmou nesta sexta-feira (17) ter trazido cerca de 560 toneladas de alimentos por dia, em média, para Gaza desde o início do cessar-fogo, mas a quantidade ainda é insuficiente.

“Ainda estamos abaixo do que precisamos, mas estamos chegando lá… O cessar-fogo abriu uma pequena janela de oportunidade, e o PMA está agindo com muita rapidez e agilidade para ampliar a assistência alimentar”, disse o porta-voz do PMA, Abeer Etefa, a repórteres em Genebra.

A agência da ONU afirmou hoje cedo que tem alimentos suficientes para alimentar toda a Faixa de Gaza por três meses, mas os palestinos em Gaza continuam a enfrentar uma dura luta diária para ter acesso a alimentos, água e suprimentos médicos essenciais. Israel vem restringindo severamente o fluxo de ajuda para o enclave devastado pelo genocídio, violando o acordo de cessar-fogo. Oficialmente quase 500 palestinos morreram devido à fome induzida por Israel, incluindo 155 crianças.

“Para continuar – e alcançar a todos – precisamos de acesso duradouro e um ambiente operacional estável”, afirmou o Programa Mundial de Alimentos. “O cessar-fogo deve ser mantido. Não podemos voltar atrás.”

“Levará tempo para reduzir a fome” constatada no final de agosto pela ONU em parte da Faixa, declarou à imprensa em Genebra a porta-voz do PMA, Abeer Etefa.

“Atualmente dispomos de cinco pontos de distribuição operacionais, mais próximos da população (…) nosso objetivo é implementar 145, para inundar Gaza de comida”, acrescentou a porta-voz da agência das Nações Unidas.

Quando tem, custa caro


A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA) afirma no X que o impacto da campanha de destruição de dois anos de Israel nas terras agrícolas de Gaza deixou muitas famílias sem renda para comer.

“Os caminhões vistos entrando em Gaza desde a implementação do cessar-fogo, há uma semana, transportam em grande parte mercadorias comerciais, não ajuda humanitária, relata nossa equipe no local. Isso deixa muitas famílias sem acesso aos alimentos frescos de que precisam desesperadamente”.

“Um quilo de tomates que antes custava 60 centavos, agora custa US$ 15 (R$ 82) – se for encontrado”, afirmou a agência. “Famílias que antes viviam de suas terras agora não têm renda.”

“Até que o setor agrícola de Gaza possa ser reconstruído, deve haver um fluxo irrestrito de ajuda”, disse a UNRWA.
Caminhões de ajuda estão esperando na passagem de Kissufim, entre Gaza e Israel, desde as primeiras horas da manhã.

Esta é uma das passagens por onde os caminhões entram em Israel, carregam ajuda do lado israelense e retornam para entregar as mercadorias que transportam. Os caminhões esperam horas e horas pelo sinal verde do lado israelense para acessar a passagem.

Apesar de declarações de que 600 caminhões de ajuda entrem em Gaza todos os dias, mas o número real é inferior a 300. Mesmo 600, porém, não seriam suficientes, considerando a demanda local. Há também muitas restrições quanto à quantidade e ao conteúdo de certas mercadorias e muitas vezes eles vão para o lado israelense e retornam vazios.

Editado por: Rodrigo Durão Coelho

*Com informações do Brasil de Fato

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