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Europa propõe negociação ao Irã para frear conflito e programa nuclear

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Macron defende solução diplomática e alerta sobre risco real de um Irã com armas nucleares; Teerã rejeita diálogo enquanto ataques de Israel continuarem

Pessoas observam um prédio danificado após ataques israelenses, em Teerã, Irã, em 13 de junho
Pessoas observam um prédio danificado após ataques israelenses, em Teerã, Irã, em 13 de junho (Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters)

Em meio à escalada de tensão no Oriente Médio, a França anunciou nesta sexta-feira (20), em Genebra, que os países europeus apresentarão uma “oferta de negociação completa, diplomática e técnica” ao Irã. A informação foi dada pelo presidente francês Emmanuel Macron, durante entrevista coletiva no Salão Aeronáutico de Paris. Segundo ele, o objetivo da proposta é conter o agravamento do conflito com Israel e retomar o controle sobre o programa nuclear iraniano.

De acordo com a reportagem da AFP, Macron defendeu que a prioridade seja o retorno a “negociações substantivas” com Teerã. “É essencial priorizar o retorno a negociações substantivas [com o Irã] que incluam questões nucleares, para chegar a zero enriquecimento [de urânio], balística, para limitar as capacidades iranianas, e o financiamento de todos os grupos terroristas que desestabilizam a região”, afirmou.Play Video

A proposta, segundo o presidente francês, será formalmente apresentada pelo ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, em conjunto com os chanceleres do Reino Unido e da Alemanha, além da chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas. O plano contempla quatro pontos principais: o restabelecimento da atuação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) com acesso irrestrito às instalações nucleares do Irã; a supervisão internacional do programa balístico iraniano; o controle do financiamento a grupos armados; e a libertação de estrangeiros presos por Teerã — incluindo dois cidadãos franceses.

Macron alertou para o risco iminente de um Irã nuclear. “Ninguém deve ignorar o risco de um Irã com armas nucleares”, declarou, classificando essa possibilidade como “uma ameaça real”. Por outro lado, criticou a ofensiva israelense: “Ninguém pode acreditar seriamente que os ataques atuais de Israel sejam capazes de eliminar essa ameaça. Algumas instalações nucleares iranianas são extremamente protegidas, e não se sabe onde está todo o urânio enriquecido do país.”

Apesar das pressões por uma saída diplomática, o Irã sinalizou resistência. Em entrevista à TV estatal, o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi rejeitou qualquer diálogo com os Estados Unidos enquanto os ataques israelenses persistirem. “Os americanos enviaram mensagens pedindo negociações seriais. Mas deixamos claro que, enquanto a agressão não terminar, não haverá espaço para a diplomacia e o diálogo”, disse o chanceler, classificando os EUA como “parceiros neste crime”.

A ofensiva israelense contra o Irã teve início em 13 de junho, sob o argumento de que Teerã estaria prestes a produzir uma arma nuclear. A resposta iraniana incluiu o lançamento de mísseis e drones, provocando uma semana de confrontos que resultou em ao menos 224 mortos no Irã e 25 em Israel. O Irã mantém o enriquecimento de urânio em 60% — abaixo dos 90% necessários para armamento nuclear — e insiste que o programa tem fins civis. Israel, embora nunca tenha confirmado oficialmente possuir ogivas nucleares, é apontado pelo Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo como detentor de cerca de 90 artefatos do tipo.

Com informações do Brasil 247

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