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Guerra virtual, conflito real: como games “anteciparam” crises atuais

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“Fantasias de guerra” perpetuadas por ideais militares explicam a semelhança entre cenários de jogos do começo dos anos 2010 e as conflitos que ameaçam o mundo atualmente

Um caça aéreo da Marinha dos Estados Unidos decola de um porta-aviões no Golfo Pérsico com a missão de bombardear pistas de pouso no Irã após descobrir que o país do Oriente Médio fabrica armas nucleares. Na Venezuela, forças especiais norte-americanas se infiltram em Caracas, na calada da noite, com o objetivo de neutralizar um ditador acusado de pôr em risco a segurança da América. 

Os dois cenários poderiam ser notícias sobre as intervenções norte-americanas vistas desde janeiro, na América Latina e no Oriente Médio. Mas, na verdade, são trechos das campanhas dos jogos Call of Duty: Ghosts — lançado em 2013, pela Activision — e Battlefield 3 — do mesmo ano, lançado pela EA.

Em 2026, as notícias mundiais passaram a ecoar cenários imaginados no mundo dos games há mais de uma década. Para Fernando Henrique, pesquisador de comunicação e mídia na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e Anderson do Patrocínio, advogado e mestre em ciências humanas e sociais, do podcast Regras do Jogo, nada disso é coincidência — ou previsão do futuro.

“É interessante olhar como esses jogos se inserem na indústria cultural americana”, aponta Fernando. “O videogame é uma mídia relevante em formação de opinião e influência”.

O pesquisador e desenvolvedor de jogos lembra que ambos os games, que venderam milhares de cópias, possuem relações diretas com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos, utilizando consultoria de ex-combatentes e militares para retratar as Forças Armadas norte-americanas. 

“Existe uma troca de interesses entre os donos dos estúdios e a indústria militar. Os jogos precisam de orçamento e, inclusive, aprovação do Governo para utilizar réplicas de materiais militares, como armas e veículos. Dependendo do caso, o Pentágono vai verificar se o roteiro do jogo coincide ou não com as representações aprovadas pelas Forças Armadas”, explica Fernando.

Para Patrocínio, a experiência dos games permite ao jogador praticar a ideologia dos conflitos e do militarismo norte-americano. “A ideação do super militar, do ‘brucutu’, da guerra como entretenimento, alimentou o videogame durante muito tempo”, afirma.  

O inimigo dentro e fora do jogo

A Guerra ao Terror dos anos 2000, empreendida pelos Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro, chegou no mundo do entretenimento com filmes e séries como 24 HorasHomeland e Sniper Americano. Os games não passaram ilesos.

Se nos primeiros jogos de franquias como Call of DutyBattlefield e Medal of Honor, os inimigos eram soldados nazistas da Segunda Guerra Mundial, a partir da segunda metade da década de 2000, gamers se divertiam em combates simulados contra insurgentes do Oriente Médio e soldados russos ou norte coreanos.

Dentro dessa lógica, Fernando Henrique afirma que os jogos servem como propaganda de validação do papel norte-americano na segurança mundial. “Essas encenações são formas de lecionar o público, colocando e destacando qual é o inimigo. Essas missões nos jogos são fantasias do que os Estados Unidos querem realizar”, explica.

Em Call of Duty Black Ops: Cold War, de 2020, uma das missões coloca o jogador na pele de um membro das forças especiais que recebe ordens diretas de Ronald Reagan, presidente norte-americano de 1981 a 1989, para assassinar um espião russo.

“Você recebeu uma importante missão”, diz Reagan ao protagonista da campanha. “Proteger o nosso estilo de vida de um grande mal. Não há trabalho mais honroso. E, enquanto poucas pessoas vão saber dos seus esforços, o mundo inteiro se beneficiará”.

Outras missões da série de jogos incluem uma invasão à Cuba, incursões em favelas brasileiras, sabotagens em território russo e torturas de suspeitos de terrorismo. Um levantamento feito pelo crítico e escritor Jacob Geller, aponta que todos os jogos da franquia Call of Duty incluem pelo menos uma cena de tortura de prisioneiros.

Com informações do Correio Braziliense

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