Eleições 2026: Ibaneis e Celina rumo ao divórcio político

O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) anunciou, na tarde da última quarta-feira (20/5), um “realinhamento de posições” com a governadora Celina Leão (PP). Acompanhado da cúpula local e nacional do MDB, eles não romperam formalmente com Celina, mas deixaram claro, em um vídeo publicado nas redes sociais, que a legenda não abre mão de estar na chapa majoritária para a disputa ao Buriti e ao Senado Federal nas eleições deste ano.

Também em vídeo, na noite da última quarta-feira (20/5) Celina respondeu publicamente ao ex-governador, afirmando que a relação entre eles deve ser pautada pelo respeito institucional, mas sem qualquer subordinação política. “As pessoas precisam entender que sucessão nunca será submissão”, declarou. Sem citar diretamente um rompimento político, ela ressaltou que recebeu a manifestação do emedebista com “serenidade” e destacou que foi leal durante todo o período em que ocupou o cargo de vice-governadora. “Cumpri meu papel com respeito, responsabilidade e espírito público. Mas hoje eu não sou mais vice-governadora, eu sou governadora”, enfatizou.

Na gravação, Celina disse que herdou uma “grave crise” no Banco de Brasília (BRB) e um “rombo bilionário” nas contas públicas. Por isso, tem tomado decisões difíceis para enfrentar os problemas. “Meu governo é um novo governo. E eu sei que isso pode desagradar a muitos, mas será um governo com personalidade, transparência, espírito público, perto das pessoas e cuidando de quem mais precisa”, destacou.

Aposta

Na sua publicação, Ibaneis afirmou que o partido apostou em Celina Leão como continuidade da gestão iniciada em 2019, mas disse que a relação sofreu desgastes recentes. “Apostamos nela como uma continuidade daquilo que plantamos e de onde tiramos o desastre que existia no DF. Infelizmente, ao longo destes últimos dias, tivemos muitas decepções. Isso não quer dizer rompimento, mas um realinhamento de posições, porque o MDB é um partido grande”, declarou.

Ele reforçou, ainda, que a legenda não abrirá mão do espaço conquistado nos últimos anos. “Brasília era uma cidade destruída pelos governos que se passaram. Não vou aceitar, de modo algum, que volte ao desastre que viveu”, acrescentou. O ex-governador destacou que, na avaliação dele, o DF precisa manter uma agenda voltada ao desenvolvimento econômico e à geração de empregos.

Ao lado de Ibaneis, o presidente da Câmara Legislativa (CLDF), Wellington Luiz, ressaltou o papel desempenhado pelo MDB, tanto no Executivo quanto no Legislativo, e afirmou que o partido pretende preservar sua força política no Distrito Federal. “É importante manter o MDB do tamanho que ele merece ser, e nós não vamos abrir mão disso”, declarou.

Baleia Rossi, presidente do MDB nacional, afirmou que a direção nacional apoia a intenção da legenda de disputar a chapa majoritária em 2026. Segundo ele, a sigla considera natural pleitear cargos de maior relevância no Distrito Federal após os resultados obtidos ao longo dos últimos anos. “É sempre bom mostrar que o MDB está unido, principalmente com o apoio da nossa base, que sabe o que foi feito nesses sete anos de avanços, de ajustes e de melhoras na qualidade de vida de quem vive no Distrito Federal”, disse.

O dirigente nacional também destacou que as decisões locais terão autonomia, mas deixou claro que a presença do MDB na disputa ao Palácio do Buriti ou ao Senado é tratada como prioridade. “Não há hipótese de o MDB não participar da chapa majoritária. Pela sua história, pelo que fez nos últimos anos, ou como candidato a governador, ou como candidato a senador, ou ambos”, afirmou. Baleia ponderou que a definição será tomada de forma conjunta com a base partidária, embora a vontade inicial seja lançar candidatura própria ao Governo do Distrito Federal. Presente na filmagem, o deputado federal Raphael Prudente não se pronunciou.

Prioridades

Pelas redes sociais, Celina procurou afastar o debate eleitoral e enfatizou que sua prioridade está na solução dos problemas do Distrito Federal. “Tem muitas pessoas que estão preocupadas com a campanha. Eu estou preocupada em resolver os problemas”, afirmou.

Ela destacou o histórico de lealdade que manteve ao longo dos anos em que atuou como vice-governadora. “Eu tenho plena consciência de que fui leal durante todo o tempo que estive ao lado dele (Ibaneis Rocha) como vice-governadora, em tempos muito difíceis. Eu cumpri meu papel com respeito, responsabilidade e espírito público”, disse. Mas, segundo ela, o exercício do cargo de governadora exige compromisso com os fatos, “mesmo quando eles são difíceis”.

“Lealdade, para mim, é não contrariar os seus princípios, não fugir da verdade e nunca abandonar a população quando ela mais precisa”, afirmou. De acordo com ela, sua atuação seguirá sem ressentimentos, mas com firmeza nas convicções. “Eu sigo sem mágoa, sem revanchismo, porque acima de todos nós estão os interesses do Distrito Federal.”

A governadora reforçou que pretende imprimir identidade própria à atual gestão e que a administração terá como marcas a transparência, a responsabilidade, o espírito público e a proximidade com a população, especialmente com os grupos mais vulneráveis. “Será um governo com personalidade, perto das pessoas e cuidando de quem mais precisa”, disse.

Reações

O deputado distrital Pastor Daniel de Castro (PP) avaliou com cautela o anúncio feito pelo ex-governador. Para o parlamentar, houve uma interpretação precipitada sobre o conteúdo do vídeo divulgado por Ibaneis. “Em nenhum momento ele falou de ruptura”, afirmou.

Segundo Daniel de Castro, a possibilidade de um afastamento entre Ibaneis e Celina interessa principalmente à oposição. Para ele, a manutenção da aliança entre PP, MDB, PL, Republicanos e União Brasil é fundamental para a continuidade do projeto político no Distrito Federal.

Por meio de nota, o deputado distrital Iolando Almeida (MDB) afirmou que seguirá as orientações da legenda. Ele acrescentou que sua atuação na CLDF continuará “pautada pelo respeito às decisões partidárias e pela busca constante de melhorias para as cidades e para as famílias do DF”.

Aliados ouvidos pelo Correio alegam que Ibaneis e o MDB estariam incomodados com a proximidade de Celina Leão com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, uma vez que ambas vão concorrer ao Senado, disputando diretamente com Ibaneis Rocha. A avaliação é de que não faria sentido apoiá-la em um contexto onde não há reciprocidade. Já a senadora Damares Alves (Republicanos) afirmou que “continua com Celina”.

Oposição

O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB) criticou Ibaneis Rocha após a divulgação do vídeo. Em publicação nas redes sociais, Rollemberg afirmou que o episódio demonstra desgaste político dentro da atual gestão. “Ibaneis rompeu com Celina. Os ratos estão pulando do barco”, declarou.

O ex-governador também associou o governo do DF a investigações e denúncias envolvendo integrantes da administração local. “Esse governo que quebrou o BRB, que teve o secretário de Saúde preso, o presidente do Iprev condenado, corrupção na Novacap”, afirmou. Rollemberg ainda disse que aliados estariam tentando se afastar do governo diante da crise política.

O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) afirmou que ainda é cedo para classificar o movimento como um rompimento definitivo, mas avaliou que a divulgação do vídeo revela um desgaste político entre os dois. O parlamentar criticou tanto o Partido Progressista (PP) quanto o MDB, afirmando que as duas siglas compartilham a responsabilidade pela atual situação do governo.

Já o deputado distrital Chico Vigilante (PT) afirmou que o afastamento era esperado nos bastidores da política local. “Esse rompimento era uma missa anunciada”, declarou.

Entrevista com Ibaneis Rocha 

Em entrevista exclusiva ao Correio, ontem, o ex-governador Ibaneis Rocha afirmou que Celina Leão tem ignorado o pacto de continuidade na gestão e as tentativas de diálogo. Ele cobrou lealdade sobre sua candidatura ao Senado e comentou a aproximação de Celina com o PL, mas evitou decretar um rompimento definitivo: “Não é divórcio. Estamos na fase dos preparativos”.

O senhor usou uma palavra forte no vídeo. Disse que teve “muitas decepções” com a governadora Celina Leão nos últimos dias. Quais foram essas decepções?

Está acontecendo (decepções) há muito tempo. Eu, mal ou bem, fiz um governo reconhecido por todos. Mas ela achou que tinha que fazer outro governo em três meses. As pessoas querem continuidade. Tentei conversar várias vezes com ela e interlocutores, e não tenho conseguido. Chega uma hora que a gente tem que tomar uma decisão.

Quais foram, concretamente, essas decepções? Tem a ver com o espaço do MDB no governo, com a condução da crise do BRB ou com as negociações de bastidores para as chapas de 2026?

Não tem nada a ver com isso. Nosso combinado com ela era a condução do governo na linha do progresso e do desenvolvimento da cidade. O que ela vem demonstrando, depois que assumiu, não é nessa linha. Ela quer um novo governo. Como não explicou para ninguém, ela que faça do jeito que quiser.

O senhor disse, no vídeo, que não há rompimento, mas o presidente nacional do seu partido, Baleia Rossi, cravou logo em seguida que o MDB terá candidato na chapa majoritária ao Buriti e ao Senado. Como manter uma aliança se o seu partido já fala abertamente em disputar o governo contra a atual ocupante da cadeira?

A Celina está achando que vai ficar amando o PL como se fosse solução da vida dela e querendo os votos do MDB. Onde você ouviu ela dizer que eu sou o candidato dela ao Senado? É cada qual com seu cada quem.

Caso as conversas não avancem e o “realinhamento” vire divórcio, o MDB está pronto para lançar uma candidatura própria ao Governo do DF? Nomes como o de Rafael Prudente ou do próprio Wellington Luiz já estão no tabuleiro?

Não existem conversas. Desde que saí do governo, não existe.

Então já é um divórcio?

Não é divórcio. Estamos na fase dos preparativos

Qual é a linha vermelha que a governadora Celina Leão não pode cruzar para evitar esse divórcio?

Ela que tem que saber. É uma política experiente. Entregamos um governo fácil, uma reeleição tranquila, um grupo formado, partidos formados (alianças). Não sou eu que vou ensinar política para ela.

Wellington Luiz preside a CLDF e o MDB regional. O senhor conversou com ele sobre como fica a tramitação dos projetos de Celina a partir de agora? A fidelidade da bancada do MDB na CLDF passa a ser condicionada a esse “realinhamento”?

Vai depender da atitude dela, vamos esperar os próximos passos.

Com informações do Correio Braziliense

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