PF rejeita delação de Daniel Vorcaro, considerada sem informações novas e relevantes

A Polícia Federal (PF) rejeitou nesta quarta-feira (20) a proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero. Os investigadores avaliaram que o material entregue no início de maio não trouxe informações nem novas provas consideradas relevantes para o avanço das investigações sobre a fraude do Banco Master.

Segundo relatos de investigadores, a proposta apresentada por Vorcaro repetia fatos já conhecidos pela corporação e omitia episódios considerados centrais pela investigação. A defesa do empresário, no entanto, segue negociando um possível acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR)

Entre os pontos discutidos nas negociações estão os valores que poderiam ser ressarcidos, o modelo de cumprimento de pena e o alcance político das informações que seriam entregues por Vorcaro. Os integrantes das tratativas afirmam que há expectativa sobre possíveis relatos envolvendo autoridades do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF também avalia que o empresário estaria tentando proteger aliados. Um dos fatores que pesaram contra a proposta foi a ausência de informações sobre o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por suspeita de ter recebido vantagens ligadas ao Banco Master. Segundo a investigação, o parlamentar teria trabalhado numa proposta legislativa para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão com participação de integrantes da instituição financeira.

Outro episódio citado por investigadores envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Uma reportagem publicada pelo Intercept Brasil na semana passada mostrou mensagens, documentos e um áudio sobre negociações entre Vorcaro e o parlamentar para um repasse de R$ 134 milhões destinado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Parte do valor, inclusive, já teria sido transferida. Depois da reportagem, Flávio admitiu ter se encontrado com Vorcaro em dezembro de 2025, quando o empresário já estava em prisão domiciliar. O encontro e os pagamentos, porém, não teriam sido informados pelo ex-banqueiro durante as negociações com a PF e a PGR.

Vorcaro foi preso preventivamente em março deste ano durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura fraudes financeiras, monitoramento de adversários e ocultação de patrimônio. Após passar pela Penitenciária Federal de Brasília, a Papuda, o dono do Banco Master foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal na capital.

Nesta semana, Vorcaro deixou a sala de Estado-Maior e voltou para a cela comum da carceragem da corporação, movimento interpretado por investigadores como um sinal de desgaste nas negociações da delação.

*Com informações do Brasil de Fato

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