Por que os brasileiros pensam em eleger Bolsonaro?

[Do face do Jorge Furtado. Leia até o final. É necessário.]

Bolsonaro era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas. No primeiro turno, porém, 41% dos eleitores brasileiros votaram em Bolsonaro e seu partido, a nova força política dominante no país. Por que tantos brasileiros votaram em um patético bufão?

Em primeiro lugar, os brasileiros perderam a fé no sistema político. A jovem democracia não trouxe os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentem raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do país. Buscavam um novo rosto. Um anti-político promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de Bolsonaro ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas.

Em segundo lugar, Bolsonaro sabia como usar a mídia para seus propósitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros políticos, Bolsonaro usava um linguajar simples, espalhava fake news, e os jornais adoravam sugerir que muito do que ele dizia era absurdo. Bolsonaro era politicamente incorreto de propósito, o que o tornava mais autêntico aos olhos dos eleitores. Cada discurso era um espetáculo. Diferentemente dos outros políticos, ele foi recebido com aplausos de pé onde quer que fosse, empolgando as multidões.

Em terceiro lugar, muitos brasileiros sentiram que seu país sofria com uma crise moral, e Bolsonaro prometeu uma restauração. Pessoas religiosas, sobretudo, ficaram horrorizadas com a arte e os costumes culturais progressistas, com as mulheres que se tornavam cada vez mais independentes, e a comunidade LGBT que ganhava visibilidade. Os conservadores sonhavam com restabelecer a antiga ordem. Os conselheiros de Bolsonaro eram todos homens heterossexuais brancos.

Em quarto lugar, apesar de Bolsonaro fazer declarações ultrajantes – como a de que petistas e gays deveriam ser mortos -, muitos pensavam que ele só queria chocar as pessoas. Muitos brasileiros que tinham amigos gays ou petistas votaram em Bolsonaro, confiantes de que ele nunca implementaria suas promessas. Simplista, inexperiente e muitas vezes tão esdrúxulo, que até mesmo seus concorrentes riam dele, Bolsonaro poderia ser controlado por conselheiros mais experientes, ou ele logo deixaria a política. Afinal, ele precisava de partidos tradicionais para governar.

Em quinto, Bolsonaro ofereceu soluções simplistas que, à primeira vista, faziam sentido para todos. O problema do crime, argumentava, poderia ser resolvido aumentando as sentenças de prisão. Os brasileiros patriotas não deviam se culpar por nada. Tudo foi embalado num slogans fácil de lembrar: “Brasil acima de tudo”.

Em sexto lugar, as elites logo aderiram a Bolsonaro porque ele prometeu um atraente regime que beneficiava grupos de interesses especiais. Os empresários ganhariam contratos suculentos, que os fizeram ignorar as tendências fascistas de Bolsonaro.

Em sétimo, mesmo antes da eleição, falar contra Bolsonaro tornou-se cada vez mais perigoso. Jovens agressivos, que apoiavam Bolsonaro, ameaçavam os oponentes, limitando-se inicialmente ao abuso verbal, mas logo passando para a violência física. Muitos brasileiros que não apoiavam Bolsonaro preferiam ficar calados para evitar problemas.

De fato, uma análise mais objetiva mostra que, justamente quando era mais necessário defender a democracia, os brasileiros caíram na tentação fácil de um demagogo patético que fornecia uma falsa sensação de segurança e muito poucas propostas concretas de como lidar com os problemas do Brasil em 2018. Bolsonaro não passava de um charlatão oportunista que identificou e explorou uma profunda insegurança na sociedade brasileira.

Bolsonaro pode chegar ao poder não porque todos os brasileiros são fascistas ou anti-petistas, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vista grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pessoas eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá-lo, disseminando-se entre os brasileiros porque o povo estava disposto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquinaria fascista do partido governista estava fazendo, ele já não podia mais ser contido. Era tarde demais.

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P.S Este texto não é meu, é do jornalista alemão Oliver Stuenkel e tem como título “Por que votamos em Hitler”. Eu só atualizei as datas e números, mandei trocar alemães por brasileiros, Alemanha por Brasil, judeus por petistas e Hitler por Bolsonaro.

O texto original está no primeiro comentário.

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