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Lula reafirma necessidade do fim da escala 6×1: “é hora de pensar no bem-estar das pessoas”

Presidente defende dois dias de descanso semanal, destaca parceria estratégica com a Coreia do Sul e cobra avanço em acordos comerciais

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Presidente defende dois dias de descanso semanal, destaca parceria estratégica com a Coreia do Sul e cobra avanço em acordos comerciais

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta segunda-feira (23) o fim da chamada escala de trabalho 6×1 no Brasil e afirmou que o país precisa priorizar a qualidade de vida da população diante das transformações no mundo do trabalho. A declaração foi feita em Seul, durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, que reuniu autoridades e representantes do setor produtivo dos dois países.

Em seu discurso, Lula sustentou que o debate sobre a jornada de trabalho está alinhado às mudanças tecnológicas e aos impactos da pressão por desempenho na sociedade contemporânea. “Estamos discutindo, no Brasil, o fim da chamada jornada seis por um, para assegurar que o trabalhador tenha dois dias de descanso semanal. A tecnologia nos permitiu atingir níveis inimagináveis de produtividade. É hora de pensar no bem-estar das pessoas”, afirmou.

Ao contextualizar o cenário atual, o presidente citou o filósofo sul-coreano Byung Chul Han, ao mencionar a ideia de uma “sociedade do cansaço”, na qual as exigências profissionais afetam o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Para Lula, o diálogo constante entre governos, trabalhadores e empregadores é fundamental para construir uma economia forte e inclusiva.

Desenvolvimento e papel do Estado

O presidente também destacou que o Brasil pode extrair lições da trajetória econômica da República da Coreia. Ele lembrou que, nos anos 1960, o PIB per capita sul-coreano correspondia a menos da metade do brasileiro e que, atualmente, é três vezes superior. Ressaltou ainda que, enquanto o Brasil adotou políticas de orientação neoliberal nos anos 1990, a Coreia manteve investimentos estratégicos com forte participação estatal.

“Nenhum país que chegou atrasado à corrida industrial conseguiu subir a escada do desenvolvimento sem políticas públicas robustas”, declarou. Segundo ele, a experiência coreana demonstra a importância de elevar o nível educacional da população e de consolidar uma economia diversificada e tecnologicamente sofisticada.

Potência agrícola e busca por diversificação

Lula ressaltou que o Brasil registrou, em 2025, a maior safra de grãos de sua história, com 350 milhões de toneladas, consolidando-se como um dos principais fornecedores globais de alimentos. Apesar disso, defendeu a ampliação da base econômica nacional como estratégia para enfrentar instabilidades internacionais e o avanço do protecionismo.

O presidente classificou a Coreia do Sul como parceira estratégica nesse processo. Atualmente, o Brasil é o principal destino de investimentos sul-coreanos na América Latina. Empresas como Samsung, Hyundai e LG mantêm forte presença no mercado brasileiro. O estoque de investimentos coreanos no país soma cerca de US$ 9 bilhões, tornando a Coreia o quarto maior investidor asiático no Brasil.

Investimentos e cooperação tecnológica

Nos últimos três anos, o governo brasileiro lançou programas como o PAC, a Nova Indústria Brasil (NIB), o Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) e o Plano de Transformação Ecológica, apresentados por Lula como iniciativas que oferecem condições atrativas a investidores estrangeiros.

O presidente destacou indicadores positivos da economia brasileira, como a menor taxa de desemprego da história, além da matriz energética com forte participação de fontes renováveis e da redução de 50% no desmatamento da Amazônia em 2025 na comparação com 2022.

Ele também apontou oportunidades de cooperação em setores de alta tecnologia. A Coreia é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e tem posição relevante no mercado de baterias, enquanto o Brasil dispõe de minerais críticos essenciais para a indústria de eletrônicos e veículos elétricos. “O papel de meros exportadores de matérias-primas não condiz com nosso potencial. Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta em solo brasileiro”, afirmou.

No setor aeroespacial, Lula citou a atuação da start-up coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara e mencionou a possibilidade de ver um foguete sul-coreano operando a partir do Brasil. Ele também defendeu maior integração entre as agências espaciais dos dois países, incluindo o compartilhamento de dados de satélites e projetos de exploração lunar.

Saúde, cosméticos e economia criativa

Na área de saúde, o presidente mencionou o avanço na construção do laboratório de biossegurança Órion, conectado a um acelerador de partículas, e destacou a cooperação entre instituições como a Fiocruz e entidades coreanas. Segundo ele, a expectativa é ampliar a produção conjunta de vacinas, medicamentos e insumos médicos.

Lula também abordou o setor de cosméticos, informando que, em 2025, as exportações brasileiras de produtos de beleza superaram US$ 1 bilhão pela primeira vez. A indústria sul-coreana, por sua vez, já disputa espaço com a França no mercado global. O presidente avaliou que a combinação entre biodiversidade brasileira e tecnologia coreana pode ampliar a presença internacional dos dois países.

Na economia criativa, ele citou o alcance global do funk brasileiro, do K-pop, do cinema e das produções audiovisuais, ressaltando que o setor representa mais de 3% do PIB brasileiro, superando a indústria automobilística em participação.

Comércio bilateral e novos acordos

A corrente de comércio entre Brasil e Coreia do Sul gira em torno de US$ 11 bilhões, abaixo do recorde de quase US$ 15 bilhões registrado em 2011. Lula avaliou que o volume atual não corresponde ao porte das duas economias e celebrou a assinatura de um acordo de cooperação comercial e integração produtiva, com foco em áreas como indústria, tecnologia, agricultura, minerais estratégicos e audiovisual.

A Apex identificou 280 oportunidades para produtos brasileiros no mercado sul-coreano, que vão de alimentos e bebidas a produtos químicos. O presidente mencionou ainda o interesse brasileiro em obter acesso ao mercado de carne bovina da Coreia. “Estamos prontos para avançar nos procedimentos sanitários necessários para que o Brasil esteja no prato do cidadão coreano”, disse.

Por fim, Lula defendeu a retomada das negociações de um acordo entre o MERCOSUL e a República da Coreia, após a assinatura do tratado com a União Europeia. Segundo ele, o diálogo e a cooperação são a melhor resposta a tentativas de transformar o comércio internacional em instrumento de pressão.

Com informações do Brasil247

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