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Economista de Harvard afirma que tarifaço de Trump prejudica os próprios EUA

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Dani Rodrik diz que sobretaxas não trazem bons empregos e podem ser “autodestrutivas”

O economista Dani Rodrik, professor da Universidade de Harvard e referência em comércio internacional, afirmou que o “tarifaço” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é ineficaz até para os próprios americanos. As declarações foram dadas durante o seminário Globalização, Desenvolvimento e Democracia, realizado na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. As informações foram publicadas originalmente pela Agência Brasil (EBC)

Segundo a Agência Brasil, Rodrik — codiretor do programa Reimagining the Economy, na Kennedy School, e da rede Economics for Inclusive Prosperity — avaliou que a estratégia de elevar tarifas de importação não impulsiona a economia norte-americana nem entrega empregos melhores. “Há uma boa chance de que, no final das contas, isso seja autodestrutivo”, disse o economista, que presidiu a Associação Econômica Internacional entre 2021 e 2023

Rodrik fez críticas diretas aos objetivos anunciados por Trump, como reconstruir a indústria e fortalecer a classe média. Para ele, essas metas não serão alcançadas com tarifas. “O problema com a América de Trump não é o nacionalismo econômico, é que Trump não está adotando políticas que sejam nacionalistas o suficiente. Na verdade, não apenas não está claro de quem é o interesse, mas posso dizer que não está servindo ao interesse econômico americano”, afirmou

O economista detalhou que aumentar impostos de importação pode elevar a arrecadação e até a lucratividade de segmentos industriais, mas não necessariamente se traduz em inovação, investimento e empregos de qualidade. “As tarifas apenas aumentam a lucratividade de certos segmentos da manufatura. Agora, quando algumas empresas se tornam mais lucrativas, elas necessariamente inovam mais? Elas necessariamente investem mais? Elas investem mais em seus trabalhadores? Elas necessariamente contratam mais trabalhadores? Elas tentam ser mais competitivas? Todas essas coisas boas não estão diretamente ligadas ao fato de que, agora, elas estão ganhando mais dinheiro, porque você também pode reverter os lucros maiores aos gerentes ou acionistas”, disse

Para Rodrik, tarifas, quando usadas, devem ser pontuais e acopladas a uma estratégia doméstica consistente. “As tarifas são um expediente temporário, um escudo temporário, mas não são o principal instrumento pelo qual você atinge esses objetivos, porque, para isso, não são muito eficazes”, afirmou. “Os impostos podem ter um papel a desempenhar, mas o papel que desempenham seria, na melhor das hipóteses, um complemento, sempre que você tiver uma estratégia doméstica ─ seja para proteger certos setores ou políticas sociais, seja para promover a inovação por meio de políticas industriais ou por meio de mais empregos e bons empregos”, acrescentou

Ao discutir experiências internacionais, o professor citou a China como exemplo de planejamento de longo prazo. “A China tem seguido políticas que promovem seus próprios interesses econômicos nacionais acima de tudo. Mas, como resultado, essas políticas foram, em sua maioria, bem planejadas em termos de crescimento econômico”, defendeu.

foto: Judith Affolter

*Com informações da Brasil de Fato

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