Elon Musk censura desafetos no X, diz New York Times

Elon Musk, conselheiro da Casa Branca. Foto: Divulgação

Reportagem do jornal norte-americano The New York Times mostra como Elon Musk usa o algoritmo do X (antigo Twitter), rede social comprada por ele em 2022, para derrubar a audiência de quem o critica. O site tem um programa de monetização de posts e isso também tira dinheiro dos produtores de conteúdo.

“Quando Musk comprou o X, ele prometeu criar um paraíso da liberdade de expressão e se dizia um “absolutista da liberdade de expressão”. Mas críticos temiam que o que o aplicativo amplificasse vozes que ele admirava enquanto suprimia pessoas ou assuntos que Musk detestava”, escreve o jornal norte-americano.

O New York Times encontrou três usuários no X que entraram em conflito com Musk em dezembro e viram seu alcance na plataforma social praticamente desaparecer da noite para o dia. As contas são os sinais mais claros que Musk ou outros na empresa têm o poder de punir críticos e desafetos do bilionário sul-africano. Essa preocupação cresceu pela aproximação de Musk com a extrema-direita mundial e pela sua influência na gestão de Donald Trump.

“Isso vai contra o tipo de ambiente que ele alegou querer construir”, disse Ari Cohn, conselheiro para política tecnológica na Foundation for Individual Rights and Expression, um grupo de defesa da liberdade de expressão. “Não venha defender a Primeira Emenda da Constituição dos EUA e liberdade de expressão, e depois fazer coisas assim”, diz Cohn.

Não está claro ainda o que aconteceu com as três contas que criticaram Musk em dezembro de 2024. Conforme a investigação do NYT, “esses usuários reclamaram da perda de impacto de seus conteúdos, mas o algoritmo da rede é impossível de ser examinado por quem está de fora da empresa”, continua a reportagem.

Musk ofereceu várias pistas sobre o que aconteceu, escrevendo no X que, se contas poderosas bloqueassem ou silenciassem outras, seu alcance seria drasticamente limitado. Musk é a conta com mais seguidores – 219 milhões. Ele também sugeriu que poderia ter removido alguns usuários do programa premium do X, que aumenta a visibilidade dos assinantes pagos. Fazer isso reduziria o alcance desses produtores de conteúdo.

Tanto Musk quanto a empresa não responderam pedidos de entrevista do NYT. Na página sobre a política de moderação, o X escreve: “A empresa possui ferramentas para limitar a visibilidade de postagens ou usuários, mas que “não bloqueia, limita ou remove conteúdo com base nas visões ou opiniões de um indivíduo”.

Uma das contas supostamente sabotadas é de Anastasia Loupis, médica com mais de um milhão de seguidores, cuja conta tinha centenas de milhares de visualizações por dia, compartilhando “comentários de extrema direita, teorias da conspiração e declarações antissemitas”, de acordo com o NYT.

Em dezembro de 2024, ela criticou o apoio de Musk a um programa de imigração que permitia a entrada de trabalhadores estrangeiros qualificados nos EUA. Imediatamente, o engajamento dela despencou, constatou a análise do NYT, e agora ela tem sorte se suas postagens ultrapassarem a marca dos dez mil views. Para confirmar suas suspeitas, Anastasia criou uma nova conta no X e rapidamente recebeu muito mais visualizações e curtidas do que a original.

O bilionário Elon Musk. Foto: Divulgação

A conta administrada por Laura Loomer, uma popular teórica da conspiração de extrema direita, também sofreu uma queda drástica no engajamento após trocar farpas com Musk sobre a questão da imigração em dezembro. Ela perdeu o selo de verificação e sua audiência só voltou ao normal depois de Musk interagir com ela. “Acho errado dizer que é uma plataforma de liberdade de expressão e depois bloquear a capacidade das pessoas de monetizarem”, disse Laura ao NYT.

Musk tem um histórico de abuso de poder vingativo no site. Ele suspendeu repetidamente as contas de jornalistas, principalmente em 2022, por críticas à sua compra do site. Musk também bloqueou todos os links para a plataforma de blogs Substack, depois que o site rival lançou um recurso semelhante ao feed do Twitter.

Laura, assim como Anastasia, está acostumada a comprar briga no X como uma influenciadora de extrema-direita que ganhou mais de um milhão de seguidores espalhando teorias da conspiração e racismo, rotulando-se como uma aliada de Trump. Mas as coisas mudaram quando ela voltou sua mira contra Musk em dezembro de 2024, na polêmica sobre vistos.

“Ela está buscando atenção”, escreveu Musk. Quase imediatamente, seu alcance na plataforma caiu. Permaneceu assim por semanas até que suas postagens começaram a ganhar tração – justamente quando Musk começou a interagir com suas postagens mais uma vez. Quando Laura perdeu seu acesso ao X Premium, ela também perdeu a monetização. Ela estimou em uma entrevista que perdeu cerca de US$ 50.000 do X durante o período em que sua conta foi suprimida.

Anastasia quer processar Musk e o X. “Acabou sendo tudo mentira da parte dele”, disse ela, em entrevista na Dinamarca. “É decepcionante porque nós o apoiamos e acreditamos muito nele.”

O terceiro usuário “punido” pelo X foi Owen Shroyer, um ativista de extrema-direita e apresentador de um programa no Infowars, a plataforma de streaming preferida de muitos teóricos da conspiração. A discussão com Musk também foi sobre vistos a trabalhadores estrangeiros: ele zombou dos empregos fornecidos por esses vistos Assim como, Laura, Shroyer perdeu brevemente o acesso ao X Premium.

Shroyer descobriu que seus seguidores veriam suas postagens se estivessem online quando ele as postasse. Mas se eles entrassem mais tarde, nunca as veriam em seus feeds. “Minha teoria é que alguém está manipulando o alcance com base em viés pessoal, político ou relacionado a um assunto”, disse ele.

Há poucas ferramentas de monitoramento para o X – Musk também desativou alguns recursos que permitiam aos pesquisadores monitorar mudanças na plataforma. Para identificar essas três contas, o NYT usou um serviço que coleta dados do X para analisar visualizações de dezenas de usuários envolvidos em vários conflitos com o Musk em busca de mudanças em suas impressões diárias.

Com informações do Diário do Centro do Mundo

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