O governo do México conduz uma das maiores ofensivas de segurança da história recente do país. A operação de inteligência que culminou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), desencadeou uma onda de violência coordenada que atinge pelo menos 20 estados do país e coloca em xeque a estabilidade interna às vésperas da Copa do Mundo de 2026.
Inteligência e confronto
A ação foi fruto de um trabalho liderado pela Secretaria da Defesa Nacional (Sedena) e pelo Gabinete de Segurança, com suporte estratégico de agências de inteligência dos Estados Unidos. O cerco começou a se fechar no dia 20 de fevereiro de 2026, quando o monitoramento de um colaborador, que era próximo a uma companheira de El Mencho, levou as autoridades a um refúgio em Tapalpa, no estado de Jalisco.
No último sábado (21), forças especiais compostas pelo Exército, Guarda Nacional e Força Aérea Mexicana (FAM) isolaram o perímetro. O confronto final ocorreu na noite do domingo (22). Ao tentarem efetuar a detenção, as tropas mexicanas foram recebidas com fogo pesado pelas escoltas do cartel. O balanço imediato do tiroteio registrou a morte de quatro criminosos e ferimentos graves em El Mencho e dois de seus seguranças. O líder do CJNG não resistiu aos ferimentos e faleceu durante o resgate aéreo para um hospital militar na Cidade do México.
No local, as autoridades apreenderam um arsenal de guerra: 20 armas longas, três lançadores de granadas (RPGs), sete veículos blindados artesanais (conhecidos como “narco-tanques”) e três toneladas de matéria-prima para produção de drogas. Do lado oficial, três militares ficaram feridos, sem registro de baixas fatais entre as forças federais durante a incursão inicial.
Retaliação do cartel
A resposta do crime organizado foi imediata. Horas após a confirmação da morte do chefe, o CJNG iniciou uma contraofensiva coordenada em diversas regiões do país. Estima-se que mais de 60 pessoas tenham morrido em decorrência da violência apenas nos primeiros dias.
Em Jalisco, reduto do cartel, uma emboscada resultou na morte de 25 agentes da Guarda Nacional. Simultaneamente, o país foi paralisado por mais de 229 bloqueios em estradas, onde pelo menos 80 veículos, incluindo ônibus e caminhões, foram incendiados para impedir o deslocamento das tropas do governo.
Um dos episódios mais críticos ocorreu no Aeroporto Internacional de Guadalajara. Uma invasão armada gerou pânico entre passageiros, que precisaram se proteger atrás de balcões enquanto tiros eram trocados no saguão. O incidente levou à suspensão imediata de voos por parte de companhias aéreas dos Estados Unidos e Canadá.
Sheinbaum reage a riscos da instabilidade
As autoridades mantêm o “Código Vermelho” em estados como Jalisco, Colima e Guanajuato. Até o momento, 70 homens suspeitos de serem mercenários do cartel foram presos nas ações de contenção. O cenário permanece de alta tensão, com as instituições do Estado em alerta máximo contra novas investidas do narcotráfico.
Em pronunciamento oficial realizado nesta terça-feira (24), a presidenta Claudia Sheinbaum reiterou que as operações seguem protocolos de inteligência para minimizar danos à população civil, enquanto as forças federais ocupam pontos críticos para desbloquear rodovias e garantir o funcionamento de serviços essenciais.
“Há uma coordenação absoluta com os governos de todos os estados e as forças federais estão atuando com profissionalismo para restaurar a ordem. Pedimos à população que se mantenha informada pelos canais oficiais e permaneça calma; as atividades na maior parte do território nacional seguem com normalidade. Não recuaremos no compromisso de garantir a soberania e a tranquilidade de nossas famílias”, afirmou Sheinbaum.
Com informações do Vermelho
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