Governo fecha proposta para fim da escala 6×1 e busca consenso no Congresso

Ministro José Guimarães diz que Lula quer efeito imediato para nova regra e vê eleição de 2026 como “a mais radicalizada” da história recente.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o governo do presidente Lula fechará nesta segunda-feira (25) sua proposta para a transição do fim da escala 6×1. Em entrevista ao Valor Econômico, Guimarães disse que o objetivo é encontrar uma fórmula que assegure a aplicação imediata da nova regra, sem dúvidas jurídicas ou operacionais.

“Buscamos uma fórmula para que não haja dúvidas quanto à execução e o efeito imediato do fim da escala 6×1”, afirmou o ministro. A declaração indica divergência com modelos em discussão na Câmara, que preveem transição de dois a cinco anos.

Segundo Guimarães, quatro pontos já estão pactuados: fim da escala 6×1, garantia de dois dias de descanso semanal, manutenção dos salários e respeito às negociações coletivas. A única pendência, afirmou, é o prazo de transição.

O presidente Lula deve se reunir ainda nesta segunda-feira com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para tentar consolidar um acordo. O relator da proposta, deputado Leo Prates, também deve apresentar seu parecer.

Pautas prioritárias e tensão no Senado

Guimarães afirmou que a Câmara já avançou em praticamente todas as matérias de interesse do governo, restando a PEC da redução da jornada. No Senado, porém, a pauta está travada após a rejeição do nome de Jorge Messias para o STF, episódio que tensionou a relação entre Lula e Davi Alcolumbre.

“Meu papel é reabrir o diálogo para que as matérias importantes sejam votadas”, disse o ministro. Entre as prioridades estão a PEC da Segurança Pública e o marco dos minerais críticos.

Guimarães também defendeu a recomposição política com Alcolumbre. “O Lula pode perdoar o Davi, ou o Davi pode perdoar o presidente”, afirmou.

Governo tenta conter pautas-bomba

O ministro admitiu preocupação com propostas de alto impacto fiscal no Congresso. Uma delas é a renegociação das dívidas dos produtores rurais, que, segundo ele, pode custar R$ 150 bilhões em 2027.

Também há preocupação com o aumento do limite de faturamento do MEI, de R$ 81 mil para até R$ 150 mil. “Não pode ser nada, mas não pode ser tudo”, disse Guimarães, defendendo um ponto de equilíbrio.

Banco Master e disputa eleitoral

Na entrevista, Guimarães atacou Flávio Bolsonaro e afirmou que o caso Banco Master será explorado pelo PT na campanha presidencial. “O Banco Master tem olho, rosto, braço, tem DNA: é a família Bolsonaro, é o Flávio Bolsonaro”, declarou.

O ministro, porém, evitou triunfalismo. “Não tem eleição ganha. Teremos a eleição mais radicalizada do país, e o PT todo deveria encarar assim”, afirmou.

Guimarães disse ainda que a melhora na avaliação do governo virá de medidas como o Desenrola 2, o fim da “taxa das blusinhas” e ações para conter o custo de vida.

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