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LULA INOCENTE, LULA LIVRE, LULA PRESIDENTE

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“Lula mantém a esquerda sitiada”. A frase foi dita, dias atrás, pelo professor Wanderley Guilherme dos Santos, que defendeu a tese de que o PT e o ex-presidente deveriam, desde já, começar a costurar uma alternativa à candidatura Lula. Ou seja: diante dos sinais de que o golpe não permitirá que o povo brasileiro tenha o direito de votar em Lula, líder em todas as pesquisas, a saída seria se submeter passivamente ao arbítrio, como forma de evitar uma derrota histórica do campo popular em 2018.

Dias depois, uma nota do Partido dos Trabalhadores colocou as coisas no seu devido lugar. Lula não apenas teve sua candidatura reafirmada, como o Encontro Nacional da legenda foi marcado para 28 de julho. Antes disso, o programa de governo, elaborado por uma equipe comandada pelo ex-prefeito Fernando Haddad, começará a ser divulgado em todo o País. Para fechar, a candidatura Lula será formalmente registrada em 15 de agosto. As palavras de ordem definidas na nota foram “Lula inocente, Lula livre, Lula presidente”.

Qualquer hipótese que não fosse esta significaria naturalizar a prisão ilegal de Lula, a sua condenação sem provas no caso do Guarujá (SP) e também a sua ausência do processo eleitoral de 2018 – este, o grande objetivo do golpe de 2016, articulado por PSDB e MDB, com apoio de grandes grupos locais e internacionais interessados na tomada das riquezas nacionais. Ou seja: como disse a presidente deposta Dilma Rousseff, tratar de “plano B” resolveria apenas o problema da direita – incapaz de enfrentar Lula nas urnas – e não o do Brasil, que há mais de dois anos vem sendo submetido a uma espoliação sem precedentes.

A rendição seria ainda mais inapropriada, justamente no momento em que o mundo civilizado assiste, perplexo, aos abusos em série que vêm sendo cometidos contra Lula. A ele, foi vedado o direito de receber um Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, o maior teólogo brasileiro, Leonardo Boff, a presidente legítima, Dilma Rousseff, e uma comissão de deputados, além do seu próprio médico. O motivo? Um só. As forças golpistas temem a palavra de Lula e, justamente por isso, pretendem mantê-lo silenciado na masmorra em que se encontra.

No entanto, o grito que ganha as ruas do Brasil é um só: Lula livre. Uma mensagem, aliás, que já foi repetida nos últimos dias por três ícones da MPB: Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Os artistas, que representam o inconsciente da nação, sabem que, sem a liberdade de Lula, não haverá democracia. Não havendo democracia, não faz sentido algum tratar de alternativas ao processo eleitoral. Até porque um eventual Plano B só serviria para referendar a farsa iniciada pelo golpe de 2016, dando aparência de legalidade ao regime vergonhoso que hoje impera no País. Por isso mesmo, o caminho é um só: Lula inocente, Lula livre e, se esta vier a ser a vontade do povo brasileiro em outubro de 2018, Lula presidente.

LEONARDO ATTUCH

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247, além de colunista das revistas Istoé e Nordeste

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