Planalto avalia que o governo dos EUA só iniciará um diálogo após o tarifaço entrar em vigor, como forma de ampliar seu poder de barganha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está disposto a dialogar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito das tarifas de 50% anunciadas contra todos os produtos brasileiros exportados ao mercado estadunidense. Segundo a coluna do jornalista Gerson Camarotti, do g1, Lula não se opõe a uma conversa direta com o mandatário norte-americano, mas somente aceitará o diálogo se o próprio Trump atender à ligação.
A iniciativa foi sugerida por senadores brasileiros diante da escalada comercial imposta por Washington. No entanto, fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela reportagem, relataram que há um clima de pessimismo entre os assessores presidenciais. A avaliação predominante é de que a Casa Branca só pretende negociar depois da entrada em vigor das tarifas, marcada para 1º de agosto, a fim de ampliar seu poder de barganha no confronto.
Segundo relatos de integrantes do governo, os canais de interlocução com a Casa Branca estão praticamente bloqueados. Apesar dos esforços para dialogar com o Departamento de Comércio, o Tesouro dos EUA e outras áreas técnicas, o Planalto não conseguiu estabelecer contato com o núcleo político da administração Trump, que começou seu segundo mandato em 2025.
“Seguimos abertos ao diálogo, mas há limites. A soberania não é negociável”, disse um interlocutor próximo a Lula, reiterando que o Brasil não aceitará qualquer tipo de interferência estrangeira em decisões do Supremo Tribunal Federal ou em ferramentas de uso doméstico, como o sistema de pagamentos Pix.
Ainda de acordo com fontes ouvidas pela reportagem, há incômodo crescente no governo dos EUA com o Pix, que estaria afetando os lucros de empresas operadoras norte-americanas no setor financeiro.
No último dia 9 de julho, Donald Trump tornou pública uma carta enviada ao presidente Lula, comunicando a decisão de aplicar tarifas de 50% sobre todas as importações brasileiras. Ele justificou a medida com base em motivos políticos e econômicos. Posteriormente, em 23 de julho, afirmou que a tarifação seria estendida a países com os quais os Estados Unidos mantêm relações “não muito boas” — numa referência indireta ao Brasil. Neste domingo (27), o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, confirmou que as tarifas entrarão em vigor no dia 1º de agosto, “sem prorrogações”.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou neste domingo (27) em território norte-americano. Sua agenda oficial é na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, com foco na situação do Oriente Médio. No entanto, ele poderá seguir para Washington se houver manifestação do governo Trump indicando disposição para negociar.
O chanceler considera sua presença nos EUA um sinal de abertura para o diálogo, mas deixou claro que só se deslocará à capital americana se houver algum indicativo real de que os EUA estão dispostos a discutir o recuo do tarifaço. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) alerta que as tarifas anunciadas por Trump podem impactar diretamente cerca de 10 mil empresas brasileiras exportadoras para os Estados Unidos. Essas companhias empregam, somadas, aproximadamente 3,2 milhões de trabalhadores no Brasil.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem feito apelos para que empresas norte-americanas com atuação no Brasil também se mobilizem contra a medida. “Nós queremos todo mundo unido para resolver essa questão. E as empresas têm um papel importante, tanto as brasileiras, que, aliás, têm indústria nos Estados Unidos, quanto as americanas”, declarou. Ele destacou, ainda, que marcas como General Motors, Johnson & Johnson e Caterpillar têm décadas de presença no Brasil e podem ser prejudicadas pelas novas tarifas.
Enquanto tenta abrir canais de negociação com Washington, o Ministério da Fazenda já trabalha em medidas para proteger a economia nacional. Segundo o ministro Fernando Haddad, um plano de contingência está em elaboração para apoiar os setores mais atingidos pela decisão dos EUA. “Não vamos deixar ao desalento os trabalhadores brasileiros. Vamos tomar as medidas necessárias”, garantiu o ministro.
Com informações do brasil247
Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Boato sobre Nossa Senhora Aparecida gera críticas a Flávio Bolsonaro e repercute nas redes

Levantamento da Palver aponta predominância de mensagens negativas ao candidato após circulação de informação falsa; projeto usado como base para o rumor foi apresentado por outro parlamentar e arquivado em 2008. Ceilândia em Alerta – Uma informação falsa que associou o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma proposta para retirar de Nossa Senhora…
-
Caixa libera novo lote de valores do antigo PIS/Pasep; veja quem pode receber

Pagamento desta sexta-feira contempla pedidos apresentados até 31 de agosto; valores pertencem a trabalhadores e servidores que atuaram entre 1971 e 1988 e ainda tinham cotas não sacadas. Ceilândia em Alerta – A Caixa Econômica Federal começou a pagar nesta sexta-feira (25) um novo lote de ressarcimento das cotas do antigo Fundo PIS/Pasep. Nesta etapa,…
-
EUA e China prorrogam trégua comercial após encontro de Trump e Xi em Washington

Visita de Estado do presidente chinês terminou com extensão do acordo tarifário até janeiro e diálogo sobre inteligência artificial, Irã e Taiwan, mas sem solução para as principais divergências entre as duas potências. Ceilândia em Alerta – O presidente da China, Xi Jinping, encerrou nesta sexta-feira (25) sua visita a Washington após uma agenda marcada…






