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TIROS CONTRA AS ELEIÇÕES

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Os jornais de oposição à ditadura militar, os chamados nanicos, começavam a incomodar; ensaiavam fazer sucesso nas bancas; o Ex-, de São Paulo, vendia 30 mil exemplares; o “Repórter”, no Rio, vendeu 100 mil jornais no carnaval; crescia a imprensa que furava a cortina da censura.

O regime reagiu dentro das leis que criou. Dificultava ao máximo a produção. Matérias e fotos tinham que ser submetidos à censura, em Brasília. Nada disso, porém, desanimava aos jornalistas e aos leitores.

Tudo foi nessa toada até estourarem as primeiras bombas nas bancas acompanhadas de recados: é pra não vender jornal nanico.

A polícia não investigou, nem precisava. Em 1981, uma bomba estourou no colo de um capitão do Exército dentro de um carro, no estacionamento do Riocentro, onde se realizava um show de Primeiro de Maio em protesto contra a ditadura.

Às vésperas de Primeiro de Maio de 2018 tiros disparados contra o acampamento de apoio a Lula evocam os episódios daqueles atentados.

O que pretendiam aqueles setores da linha dura do Exército estourando bancas de jornais e shows de artistas de esquerda era impedir a abertura do regime rumo às eleições, era a continuação da ditadura, cujo fim se aproximava.

Os três atentados políticos deste ano – Marielle, tiros nos ônibus e tiros no acampamento – têm o mesmo objetivo dos atentados do passado: querem impedir a continuação da democracia, querem impedir as eleições.

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