Presidente dos Estados Unidos anunciou o fim da guerra, mas iniciativa enfrenta resistência de Netanyahu e pressões políticas internas em Israel
O jornal Haaretz publicou nesta terça-feira (30/09) uma análise sobre os riscos que ameaçam o plano anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra e o genocídio em curso na Faixa de Gaza. A proposta americana prevê cessar-fogo imediato e retirada das forças de ocupação, mas encontra forte oposição do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que já sabotou negociações anteriores.
Desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023, Netanyahu adotou uma postura contrária a acordos de trégua, introduzindo exigências impossíveis de atender e limitando a autonomia de seus negociadores, o que inviabilizou entendimentos com o Hamas. Além disso, Israel descumpriu cláusulas de um acordo que havia sido aprovado pelas duas partes e que possibilitara um cessar-fogo temporário, levando à sua ruptura.
Obstáculos políticos e riscos eleitorais
Agora, a questão central é se Netanyahu aceitará retirar as tropas de Gaza em um ano eleitoral. O premiê teme que um acordo completo fragilize sua base política e exponha seu governo às pressões da extrema direita, representada por partidos como Sionismo Religioso e Otzma Yehudit. Analistas avaliam que manter reféns israelenses sob o poder do Hamas durante a campanha poderá enfraquecê-lo politicamente, já que a libertação dos cativos tem amplo apoio popular, inclusive entre eleitores do Likud.
O próprio ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, admitiu em janeiro que Israel sabotou os diálogos. “Ao longo do último ano, por meio de nossa influência política, conseguimos impedir esse acordo repetidas vezes”, escreveu em uma rede social.
As declarações de Netanyahu
Em junho de 2024, Netanyahu deixou clara sua posição em entrevista ao Canal 14:
“Estou preparado para um acordo parcial que traga de volta parte do nosso povo”, afirmou.
“Estamos comprometidos em retomar a luta após a pausa. Isso eu não vou comprometer.”
De acordo com o Haaretz, a prática seguiu esse discurso: Israel boicotou a segunda fase de negociações, mesmo quando o acordo determinava que elas deveriam começar no 16º dia da trégua, e se recusou a se retirar do Corredor Filadélfia, como estava previsto entre os dias 42 e 50 do pacto.
Pressões internas e externas
A posição de Netanyahu enfrenta não apenas a pressão da Casa Branca, mas também a oposição de seus próprios aliados. Ministros como Ben-Gvir, Bezalel Smotrich e Orit Strock ameaçam desestabilizar o governo se houver concessões mais amplas. Por outro lado, o anúncio de Trump pode oferecer ao premiê uma cobertura política para buscar uma saída negociada, algo que ele evitou até agora.
Enquanto isso, a sociedade israelense continua pressionada pela permanência de reféns em Gaza, e as imagens da destruição em cidades como Gaza City reforçam a urgência de uma solução. O impasse se torna ainda mais crítico com a proximidade das eleições, quando o equilíbrio entre sobrevivência política e responsabilidade humanitária se mostrará mais delicado do que nunca.
Com informações do brasil247
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