É de se prever que as investidas dos adversários terão via ávida na mídia hegemônica para envolver Lula em factoides neste ano eleitoral
O caso do Banco Master exige mão firme e exemplar por parte das autoridades do Poder Executivo e, acima de tudo, condução criteriosa do Judiciário encarregado de eventuais punições aos responsáveis.
Até o momento, não surgiram elementos suficientes para desqualificar as ações tomadas pelo Supremo, sob a responsabilidade do relator do processo naquela instância, o ministro Dias Toffoli. A priori, porém, não se deve deixar de considerar os questionamentos feitos a eventuais conexões do ministro com as partes, que pudessem trazer dúvidas sobre sua necessária imparcialidade.
Nesse ambiente, é digna de nota a maneira como o presidente Lula, de seu lado, empenha-se na gestão do tema. Sua atitude neste caso ilustra bem o padrão de cuidado requerido sempre, em especial em um momento político complexo como o da disputa acirrada de um ano eleitoral. É necessário compor ação executiva cabível, à altura da gravidade dos golpes exercidos pelo Master, com a prudência em relação aos interesses envolvidos. Sem pré-julgamentos em direção a nenhum dos envolvidos, impõe-se dar abrigo ao clamor por isenção do Poder Judiciário. Não cabe nem fechar os olhos a eventuais interesses por trás dessas verdadeiras campanhas contra Toffoli e o STF, nem retirar a legitimidade dos questionamentos sobre a independência de instituições e juízes, sempre lembrando que aos acusadores cabe o ônus da prova.
Além disso, é obrigação reconhecer que essas campanhas têm um alvo final: a liderança de Lula. Cumpre blindar o nome do presidente candidato de qualquer investida para envolvê-lo por omissão ou comissão.
O caso requer ação profissional da Polícia Federal e do Banco Central. Desde 2024, ainda antes da revelação do escândalo dos créditos fraudados pelo Master, o presidente Lula foi categórico. Diante de um pedido do proprietário do banco, Daniel Vorcaro, e de seu presidente, Augusto Lima, Lula determinou que o Banco Central tratasse o caso do Master de maneira técnica, ou seja, sem qualquer mudança que significasse benefício ou privilégio à margem dos procedimentos habituais de garantia dos investidores e da solidez do sistema financeiro nacional.
É de se prever que as investidas dos adversários terão via ávida na mídia hegemônica para envolver Lula neste e em outros fatos e factoides neste ano eleitoral. O padrão está desenhado e Lula, como mostra agora, terá de demonstrar autonomia, agilidade e sabedoria para transformar golpes baixos em alavanca a seu favor, mesmo em espaço de ação reduzido.
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