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Lula gabaritou em ética no caso do Banco Master, diz Mario Vitor Santos

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Jornalista afirma que presidente agiu de forma exemplar ao determinar tratamento técnico e critica distorção da mídia sobre reunião fora da agenda

A cobertura da imprensa corporativa sobre o caso do Banco Master é, para o jornalista e articulista Mario Vitor Santos, um exemplo claro de inversão deliberada dos fatos. Antes mesmo de entrar nos detalhes da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o banqueiro Daniel Vorcaro, ele sustenta que houve uma escolha editorial consciente de deslocar o foco do essencial — a conduta ética do chefe do Executivo — para um aspecto lateral, tratado como escândalo. “O que nós estamos vendo é uma aula de antijornalismo”, afirmou. “Em vez de destacar uma atitude correta, ética e republicana do presidente da República, os grandes meios optaram por títulos que invertem o sentido geral da reportagem.”

As informações sobre o encontro foram tornadas públicas pelo próprio Daniel Vorcaro, que procurou o site brasiliense Metrópoles para revelar que foi recebido por Lula fora da agenda oficial, em dezembro de 2024. Segundo Mario Vitor Santos, a iniciativa teve como objetivo comprometer politicamente o presidente, mas acabou expondo justamente uma postura institucional exemplar, que foi sistematicamente minimizada nas manchetes.

De acordo com o jornalista, Vorcaro procurou Lula quando o escândalo ainda não havia explodido. “Ele se vendo acuado, tomou a iniciativa de ligar para o Metrópoles e dizer que foi recebido pelo presidente Lula fora da agenda, em dezembro de 2024, para tratar de temas ligados ao banco”, relatou. À época, segundo o próprio banqueiro, as dificuldades do Banco Master ainda não se caracterizavam como crimes, tese que ele próprio alega sustentar.

O ponto central da reunião, porém, foi ignorado pela grande mídia, segundo Mario Vitor. Durante o encontro, Lula determinou que o assunto fosse tratado exclusivamente pelo Banco Central, sem qualquer ingerência política. “O presidente Lula chamou o Gabriel Galípolo, que estava para assumir oficialmente a presidência do Banco Central, mas já exercia a função na prática, e disse o seguinte: ‘Nesse caso, como em outros casos, tome uma decisão absolutamente técnica. O caso vai ficar com o Banco Central e a decisão tem que ser absolutamente técnica’”, afirmou o articulista.

Para Mario Vitor Santos, essa orientação sintetiza uma conduta rara e exemplar. “É uma atitude de fato muito ética, muito correta, de não se deixar levar por pressão, por qualquer tipo de assédio ou por interesses menores que não sejam aqueles do público e dos clientes do Banco Master”, disse. Na sua avaliação, Lula “cumpriu à risca o gabarito esperado de um presidente da República”.

A ordem foi obedecida. A tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação cercada de suspeitas de corrupção, acabou vetada pelo Banco Central. Posteriormente, já envolvido em um “cipoal de irregularidades no mercado”, o banco sofreu intervenção extrajudicial determinada pela autoridade monetária, inclusive contra a vontade de seu controlador. “Tudo isso foi feito contra a vontade do Daniel Vorcaro”, ressaltou o jornalista.

Apesar disso, Mario Vitor critica a forma como o episódio foi noticiado. “Em vez de noticiar esse comportamento raro, exemplar e meritório do presidente Lula, o que aparece é uma coleção incrível de títulos que invertem o sentido geral da reportagem”, afirmou. Segundo ele, veículos como Metrópoles, UOL, Globo e Folha destacaram que o encontro ocorreu fora da agenda, como se esse fosse o núcleo da notícia.

“O que está registrado no corpo das reportagens é que o presidente Lula determinou uma atitude absolutamente técnica. Mas isso ficou soterrado ali, jamais merecendo destaque nas manchetes”, disse. Para o articulista, houve violação de uma regra básica do jornalismo: “Os títulos deveriam corresponder ao conteúdo valorativo dos textos”.

Mario Vitor também rebate a ideia de que reuniões fora da agenda sejam, por si só, suspeitas. “Muitas vezes o presidente Lula recebe, como todos os outros administradores, pessoas fora da agenda. A maioria dos encontros de um presidente da República acontece fora da agenda, aqui e em qualquer país”, afirmou, lembrando que esse tipo de contato não implica irregularidade alguma.

Na avaliação do jornalista, o caso do Banco Master é emblemático de um jornalismo que abandonou o compromisso com a verdade. “Não é mais jornalismo, é lixo a serviço do antilulismo, mesmo que à custa da perda da ética jornalística”, disse. Ele aponta que o mesmo padrão está presente na tentativa de criminalizar decisões dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes relacionadas ao caso.

“Em todos os casos, juízes e agora o presidente Lula atuaram justamente para garantir que não houvesse crime e para permitir a apuração e punição das irregularidades”, afirmou Mario Vitor, destacando que essa atuação foi reconhecida pelo Ministério Público e pelo próprio Supremo Tribunal Federal.

A menos de um ano das eleições, o articulista avalia que esse comportamento tende a se intensificar. “É o anúncio do padrão que será obedecido daqui por diante: ocultar as virtudes do governo do presidente Lula, inverter o sentido das reportagens e transformar a verdade em mentira”, concluiu. Para ele, longe de comprometer o presidente, o episódio demonstra que Lula “gabaritou em ética” — razão pela qual sua conduta precisou ser ocultada nas manchetes.

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