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CPI convoca Ibaneis Rocha e Claudio Castro para depor sobre elo entre crime organizado e sistema financeiro

Ex-governadores do DF e RJ serão obrigados a depor; comissão investiga Banco Master e conexões ilícitas

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Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação dos ex-governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), para prestar depoimento obrigatório. A medida foi adotada após a ausência de ambos a convites para reuniões da CPI realizadas em dezembro e janeiro.

Os requerimentos aprovados na reunião se concentram nas investigações sobre o Banco Master e a infiltração do crime organizado no país.

Na convocação de Ibaneis Rocha, que renunciou ao Governo do DF no último sábado (28), o relator da CPI aponta que o ex-governador está inserido no centro de dois eixos de investigação: o primeiro trata das relações comerciais do escritório de advocacia de Ibaneis Rocha com entidades investigadas pela Polícia Federal; o segundo se refere ao papel institucional exercido pelo então Governador nas decisões estratégicas do Banco de Brasília (BRB), cujas operações com o Banco Master estão no centro das investigações.

O documento também detalha operações financeiras envolvendo o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria, fundado pelo ex-governador, que somariam cerca de R$ 155 milhões em cessões de créditos entre 2018 e 2024. Parte dessas transações teria sido realizada com entidades ligadas ao Banco Master e ao Grupo Reag Investimentos, ambos sob investigação, o que reforça o interesse da CPI em esclarecer a natureza dessas relações.

O depoimento de Ibaneis Rocha é considerado essencial. “A gravidade dos fatos descritos, o volume dos recursos envolvidos, a natureza das entidades que figuraram como contrapartes do escritório e a posição institucional do convocado como Chefe do Poder Executivo de uma unidade da Federação tornam sua convocação para prestar depoimento perante esta Comissão medida não apenas adequada, mas necessária”, finaliza o requerimento. O depoimento ainda não tem data prevista para ocorrer.

Ex-governador do RJ

Já o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, deverá prestar esclarecimentos sobre o cenário da segurança pública fluminense, descrito pelo relator como um dos ambientes mais complexos de atuação do crime organizado no país.

“O depoimento do ex-Governador proporcionará a esta CPI um panorama macroestratégico inestimável, permitindo investigar as falhas e os gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado, bem como a capilaridade da infiltração de criminosos no aparato estatal”, diz trecho do documento aprovado.

Outras convocações

CPI presidida pelo senador Fabiano Contarato aprovou 19 requerimentos nesta terça (31)
CPI presidida pelo senador Fabiano Contarato aprovou 19 requerimentos nesta terça (31) | Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Além dos ex-governadores do DF e RJ, também foi aprovada a convocação do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que não compareceu ao convite para participar de oitiva realizada nesta terça. No requerimento, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), observa que o ex-presidente do BC pode explicar como funciona o monitoramento das instituições financeiras, o tratamento de alertas de risco e os critérios para medidas como restrições, intervenção ou liquidação.

A CPI também decidiu ouvir outros nomes considerados estratégicos para as investigações. Entre eles está Renato Dias de Brito Gomes, ex-diretor do Banco Central responsável pela área que embasou a decisão de barrar o Banco Master, que será ouvido como testemunha. Também foram convocados o empresário Yan Felix Hirano e o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, este último chamado a esclarecer suspeitas de favorecimento ao crime organizado no Rio de Janeiro.

Além das convocações, a comissão aprovou requerimentos de quebra de sigilo bancário e fiscal de investigados, incluindo Fabiano Campos Zettel, ligado ao antigo controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e pedidos de informações sobre empresas e operações financeiras suspeitas.

As oitivas que seriam realizadas nesta quarta-feira (1º) foram canceladas e a agenda de reuniões da CPI será retomada na próxima semana.

*Com informações do Brasil de Fato

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