Os Estados Unidos indicam que o fim rápido da guerra contra o Irã pode estar próximo, mesmo diante de novos ataques no Golfo e da possibilidade de negociações diretas com Teerã, segundo declarações recentes do governo norte-americano.
De acordo com a agência Reuters, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmaram que há sinais de uma possível redução do conflito, ainda que sem a necessidade imediata de um acordo formal com o governo iraniano.
Trump declarou que a saída dos EUA do confronto pode ocorrer em breve. “Partiremos muito em breve”, disse o presidente a jornalistas na Casa Branca, acrescentando que isso poderia acontecer “dentro de duas semanas, talvez duas semanas, talvez três”. Ao ser questionado sobre a necessidade de um acordo diplomático, ele afirmou: “O Irã não precisa fazer um acordo, não. Não, eles não precisam fazer um acordo comigo”.
A Casa Branca informou que Trump fará um pronunciamento à nação para atualizar a situação do conflito. Enquanto isso, o secretário Marco Rubio indicou que há espaço para diálogo direto com Teerã. “Não é hoje, não é amanhã, mas está a caminho”, afirmou, ao mencionar a possibilidade de um encontro entre os dois lados.
Apesar disso, a guerra prossegue, agora em sua quinta semana.
No Irã, explosões foram ouvidas em várias áreas de Teerã após ataques aéreos realizados por forças dos Estados Unidos e de Israel, conforme a mídia iraniana, que informou ainda a ativação dos sistemas de defesa aérea. O porto de Shahid Haghani, em Bandar Abbas, foi atingido durante a madrugada, sem registro de vítimas, segundo autoridades locais, que classificaram o ataque como “criminoso” contra infraestrutura civil.
Na manhã desta quarta-feira (1º), drones atingiram tanques de combustível no aeroporto internacional do Kuwait, provocando um grande incêndio. No Bahrein, autoridades relataram fogo em uma instalação após ataque atribuído ao Irã.
Também houve registro de danos a um petroleiro próximo à capital do Catar, Doha, após ser atingido por um projétil não identificado, segundo informações da UK Maritime Trade Operations. A tripulação não sofreu ferimentos.
Há crescente preocupação com a possibilidade de o Irã fechar o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
No cenário econômico, os mercados asiáticos reagiram positivamente à expectativa de um possível fim do conflito. O índice MSCI da região Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, subiu 2,7%, enquanto o índice Nikkei avançou até 3,9%. Em Wall Street, o S&P 500 registrou alta de 2,9% na terça-feira.
O governo iraniano minimizou a possibilidade de negociações formais. O chanceler Abbas Araqchi afirmou que mensagens recebidas dos Estados Unidos não configuram diálogo direto. Segundo ele, tratam-se de comunicações indiretas que incluem “ameaças ou troca de opiniões” transmitidas por intermediários.
Em paralelo, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ameaças contra empresas americanas na região, listando companhias como Microsoft, Google, Apple, Intel, IBM, Tesla e Boeing como possíveis alvos. Questionado sobre o risco, Trump disse não estar preocupado.
O conflito também ampliou tensões dentro da OTAN. Rubio criticou a postura de aliados europeus, afirmando que a relação precisa ser revista após o fim da guerra. “Depois que este conflito for concluído, teremos que reexaminar essa relação”, declarou.
Israel informou ter realizado mais de 800 ataques contra alvos iranianos desde o início da guerra, utilizando cerca de 16 mil munições e identificando 5 mil novos alvos. O país também relatou o lançamento de um míssil a partir do Iêmen, atribuído aos houthis, grupo alinhado ao Irã.
O confronto se estende ainda ao Líbano, onde ataques israelenses na região de Beirute deixaram ao menos sete mortos e 24 feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês. Israel afirmou que os bombardeios tinham como alvo integrantes do Hezbollah, mas não confirmou se houve mortes entre os líderes do grupo.
Com múltiplas frentes abertas e sinais contraditórios sobre o rumo da guerra, o cenário permanece instável, apesar das declarações de Washington indicando uma possível saída rápida do conflito.
Com informações do Brasil247
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