O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, defendeu que os ministros do governo federal atuem de forma mais ativa na divulgação das ações da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A orientação foi apresentada durante reunião ministerial realizada na terça-feira (31), segundo informações do jornal Valor, em meio a críticas internas sobre a estratégia de comunicação do governo.
O encontro ocorreu a poucos dias do prazo de desincompatibilização para integrantes do governo que disputarão as eleições de 2026. Na ocasião, Lula anunciou que ao menos 18 ministros deixarão seus cargos até sábado (4) e confirmou que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) será novamente candidato a vice em sua chapa à reeleição.
Durante a reunião, Sidônio apresentou um panorama das ações de comunicação do governo e ressaltou que, apesar dos esforços para divulgar realizações, há limitações orçamentárias que dificultam uma maior propagação dessas iniciativas. Segundo relatos de participantes, o ministro pediu que os titulares das pastas se engajem diretamente na tarefa de comunicar os resultados da gestão.
A estratégia inclui a intensificação de visitas a obras e projetos pelo país, além do reforço na presença pública dos ministros como porta-vozes das políticas do governo. A ideia é ampliar a visibilidade das entregas e aproximar a gestão da população, especialmente em um momento de crescente disputa política.
A discussão ocorre em um contexto de avaliação interna de que o governo ainda enfrenta dificuldades para transformar suas ações em ganhos de popularidade. Medidas consideradas relevantes, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, não tiveram o impacto esperado na percepção pública.
Lula cobra postura mais ofensiva
Além da fala de Sidônio, o presidente Lula também fez cobranças diretas à equipe ministerial. De acordo com o Valor, na parte reservada da reunião, o presidente orientou que os ministros abandonem uma postura defensiva e passem a atuar de forma mais combativa no cenário político.
Lula destacou que os auxiliares que deixarão o governo terão papel central na disputa eleitoral. “[Ministros candidatos] vão assumir missões muito mais importantes”, afirmou. Ele também reforçou a necessidade de engajamento para garantir a continuidade do projeto político em curso.
A reforma ministerial, segundo integrantes do governo, busca equilibrar dois objetivos: fortalecer a base eleitoral para 2026 e preservar a governabilidade. Para isso, Lula tende a optar por “soluções caseiras”, promovendo secretários-executivos para evitar descontinuidade nas políticas públicas.
Críticas à comunicação e disputa política
O avanço da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro tem sido um dos fatores que intensificaram o debate interno sobre comunicação. Inicialmente, a orientação do governo era evitar confronto direto com o parlamentar, mas essa estratégia vem sendo revista.
Durante a reunião, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, apresentou um balanço das ações do governo nos últimos três anos e destacou a necessidade de melhorar a comunicação com a população. Ele negou críticas à Secom em entrevista posterior, afirmando que Sidônio tem feito um trabalho “excepcional” e promovido uma “virada positiva na comunicação do governo”.
Rui também apontou desafios estruturais, como o papel do WhatsApp na disseminação de informações. Segundo ele, o aplicativo representa “um desafio para o governo, para a política, para os partidos e para os militantes”.
Soberania e cenário internacional entram no debate
Na parte reservada do encontro, Lula também mencionou diretamente Flávio Bolsonaro e criticou suas posições em relação aos Estados Unidos. O presidente afirmou que uma eventual vitória do senador poderia tornar o Brasil submisso ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A crítica foi motivada por declarações de Flávio durante a Conferência de Ação Política Conservadora (Cpac), no Texas, onde afirmou que o Brasil poderia ajudar os Estados Unidos a reduzir sua dependência da China em minerais críticos.
Lula, por sua vez, defendeu a soberania nacional como eixo central da disputa eleitoral e alertou para os impactos internacionais no cenário doméstico, incluindo o aumento do preço dos alimentos em função da guerra envolvendo o Irã.
Reforma ministerial e disputa pelo Congresso
Das 18 mudanças anunciadas por Lula, 14 já foram confirmadas. A maioria dos ministros que deixarão seus cargos pretende disputar vagas no Congresso Nacional — especialmente no Senado, cuja renovação em 2026 envolverá dois terços das cadeiras.
O presidente destacou a importância estratégica dessas eleições e incentivou seus auxiliares a ingressarem na disputa legislativa. “Que vocês estejam convencidos e dispostos a entrar na vida congressual para ajudar a mudar a promiscuidade que está na política mundial e brasileira”, afirmou.
Ainda há indefinições em algumas pastas, como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), com a saída de Alckmin. O nome mais cotado para assumir o posto é o atual ministro do Empreendedorismo, Márcio França, que pode permanecer no governo diante das dificuldades para viabilizar uma candidatura eleitoral.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também deixará o cargo para disputar o Senado pelo Paraná, enquanto o governo segue avaliando nomes para substituí-la.
Com a reconfiguração ministerial e o início mais explícito da mobilização eleitoral, o governo Lula busca alinhar sua estratégia política e de comunicação para enfrentar um cenário cada vez mais competitivo rumo a 2026.
Com informações do Brasil247
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