Os Estados Unidos podem abandonar a guerra do Irã em até três semanas mesmo sem um acordo com Teerã para normalizar o fluxo de petróleo na região, disse o presidente estadunidense, Donald Trump. O magnata deve detalhar mais o plano em pronunciamento ao país na noite desta quarta-feira (1º), às 22h de Brasília.
Trump, cujas declarações sobre a guerra oscilam entre os tons combativo e conciliador, surpreendeu, na terça-feira (31), com uma nova guinada ao afirmar que a guerra poderia terminar em “duas, talvez três semanas”. “Mas vamos terminar o trabalho“, insistiu, mesmo afirmando na sequência que seria “irrelevante” não chegar a um acordo com Teerã para a reabertura do Estreito de Ormuz.
A notícia sobre a possibilidade do fim da guerra em algumas semanas foi bem recebida nos mercados asiáticos nesta quarta-feira: a Bolsa de Tóquio fechou em alta de mais de 4% e Seul disparou mais de 6%. As Bolsas europeias também abriram em forte alta: Paris, +2,31%, Londres, +1,11%, e Frankfurt, +2,87%.
Os preços do petróleo recuaram diante das esperanças de uma trégua no Oriente Médio. O barril de Brent, referência mundial, operava em queda de 5% e voltou a ser negociado abaixo dos US$ 100.
Mas o analista da Al Jazeera Trita Parsi diz que pode não ser fácil para Trump “abandonar a guerra”, já que é improvável que o conflito termine rapidamente ou que o Estreito de Ormuz seja reaberto em breve, acrescentando que o Irã provavelmente continuará a controlar e atacar a hidrovia.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os aliados regionais do Irã não representam mais uma “ameaça existencial”, mas Israel pretende continuar a guerra e sua ofensiva no Líbano. Analistas dizem que o Irã pode ver a retirada dos EUA como uma vitória, mas a guerra de Israel em curso no Líbano e o apoio de Teerã a seus aliados podem prolongar o conflito.
Ataques criminosos
Os ataques aéreos conjuntos entre EUA e Israel continuam por todo o Irã, visando instalações industriais e civis, incluindo siderúrgicas, fábricas farmacêuticas, infraestrutura portuária, instalações meteorológicas e um complexo residencial, de acordo com a mídia estatal iraniana e o Crescente Vermelho. A mídia iraniana relatou explosões em cidades como Ahvaz, Shiraz, Isfahan, Karaj, Kermanshah e Bandar Abbas.
Um oficial iraniano afirma que as forças conjuntas entre EUA e Israel bombardearam as unidades de matéria-prima farmacêutica da Tofigh Daru em Teerã, destruindo seu departamento de pesquisa e desenvolvimento e causando um “golpe na cadeia nacional de suprimentos médicos”.
Ahmad Nafisi, um alto funcionário da província iraniana de Hormozgan, disse que caças inimigos bombardearam o píer de passageiros Shahid Haqqani na cidade de Bandar Abbas na quarta-feira. Ele condenou o ataque “criminoso” à infraestrutura civil e disse que ninguém ficou morto ou ferido. Uma usina de dessalinização na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, foi atingida por ataques e está fora de serviço, informou a mídia iraniana.
Diplomacia
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse à Al Jazeera que mensagens foram trocadas com Washington e com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, mas não há negociações e Teerã tem “zero” confiança nos EUA.
Espanha, França e Itália restringiram as operações militares dos EUA, fechando o espaço aéreo, negando acesso a bases e limitando o apoio logístico. Os EUA dizem que vão rediscutir o papel da Otan (a aliança militar do Ocidente) após a guerra.
China e Paquistão propuseram um plano de cinco pontos, incluindo um cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto Pequim intensifica os esforços diplomáticos. O emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, e o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, realizaram conversas sobre a guerra com o Irã em meio aos esforços para restaurar a estabilidade no Oriente Médio.
Já a Argentina, sob o governo do presidente pró-Trump Javier Milei, designou oficialmente a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) como uma organização “terrorista”.
*Com informações do Brasil de Fato
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