O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, disse que país será irredutível no que diz respeito ao programa nuclear e o Estreito de Ormuz
O aiatolá Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, fez um pronunciamento, nessa quinta-feira (30/4), com uma mensagem clara: o país persa não deve aceitar as exigências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no que diz respeito ao programa nuclear iraniano e ao Estreito de Ormuz.
O que está acontecendo?
- EUA, Israel e Irã estão em guerra desde o fim de fevereiro, quando o território iraniano foi alvo de bombardeios.
- Assim que foi atacado, o Irã revidou, e passou a atingir bases e instalações norte-americanas instaladas em países do Oriente Médio, além de pontos em Israel. Grupos aliados de Teerã, como o Hezbollah e milícias do Iraque, também se juntaram a ofensiva.
- No início da guerra, Trump previu que o conflito duraria poucas semanas. Mas, com o passar do tempo, e os efeitos negativos para a economia global, um cessar-fogo foi anunciado pelos EUA em 7 de abril.
- Os dois lados tentaram resolver o conflito de forma pacífica em uma rodada de negociações mediadas pelo Paquistão dias depois, em 10 de abril. A discussão, contudo, fracassou.
Segundo Khamenei, um “novo capítulo” está se abrindo na região do Oriente Médio após o “fracasso humilhante” dos Estados Unidos na guerra, que completou três meses.
“Os estrangeiros que, de milhares de quilômetros de distância, semeiam a maldade na região [extensão azul do Golfo Pérsico e do Mar de Omã] não têm lugar ali, exceto no fundo de suas águas”, destacou na mensagem divulgada nas redes sociais e em mídias estatais iranianas.
Na região citada por Mojtaba Khamenei está localizado o Estreito de Ormuz, que se tornou peça fundamental na crise entre Teerã e Washington. É por lá que cerca de 20% do petróleo produzido mundialmente, principalmente em países do Golfo, é transportado para ser comercializado. Mas, desde o início do conflito, a passagem está bloqueada pelo Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), provocando uma alta global nos preços do combustível.
O bloqueio, antes quase completo, passou a ser parcial após autoridades iranianas passarem a comprar uma espécie “pedágio” para navios que desejam navegar pela região. A medida, contudo, só é válida para países não aliados aos EUA e Israel. Desde o início da cobrança, foram registrados a passagem de embarcações comerciais de países como Paquistão, China Índia, Rússia e Iraque — os dois últimos isentos de pagar a taxa.
Por isso, Ormuz tem sido um tema central nas tentativas de resolver o conflito de forma pacífica, e evoluir o atual cessar-fogo para um acordo de paz.
Segundo o Irã, o estreito só deve ser reaberto totalmente após o fim da guerra. Já os EUA têm pressionado aliados para ajudar em uma possível missão para romper o bloqueio, que afeta diretamente a economia norte-americana.

Programa nuclear
O programa nuclear do Irã também continua sendo uma das principais barreira para o fim da guerra. Isso porque a raiz do conflito é justamente o desejo norte-americano de destruir as capacidades iranianas no setor, e impedir a construção de uma arma de destruição em massa.
A questão nuclear, e um possível acordo como o firmado em 2015, voltou a ser discutida por Washington e Teerã em abril de 2025, cerca de cinco anos após o último contato oficial entre as partes. Até os primeiros bombardeios norte-americanos contra o Irã, os dois países chegaram a se reunir oito vezes para discussões diplomáticas. Todas elas, contudo, fracassaram.
Na visão do governo iraniano, a manutenção do programa nuclear do país, para fins pacíficos, é um direito indiscutível. A administração Trump, porém, enxergam o desenvolvimento iraniano como uma ameaça direta a segurança nacional dos EUA.
Como forma de pressionar Teerã a negociar, o presidente dos EUA iniciou um bloqueio naval norte-americano contra portos do Irã em 13 de abril, com o objetivo de estrangular a economia do país persa. Segundo Trump, o cerco só deve ser encerrado quando o Irã aceitar exigências relacionadas ao programa nuclear. Entre elas, o fim do enriquecimento da matéria prima de armas nucleares: o urânio.
Isso também foi frisada pelo aiatolá Mojtaba Khamenei no comunicado dessa quinta. Sobre a questão, o líder supremo do Irã afirmou que a população do país está pronta para defender o que considera um “patrimônio nacional”.
“Noventa milhões de compatriotas iranianos orgulhosos e nobres, dentro e fora do país, consideram todo o potencial identitário, espiritual, humano, científico, industrial e das tecnologias básicas e modernas — do nano e bio ao nuclear e de mísseis — como patrimônio nacional, e os defenderão, assim como defendem as fronteiras marítimas, terrestres e aéreas”, disse.
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