Estudo mostra que cérebro acompanha o formato de cada respiração

Ceilândia em Alerta — O cérebro não acompanha a respiração apenas como um ritmo constante. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, indica que as características de cada inspiração e expiração estão relacionadas à atividade neural em áreas envolvidas com memória, emoções e cognição. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira (31) no Journal of Neuroscience. As informações são do Correio Braziliense.

Os pesquisadores observaram que pequenas mudanças entre uma respiração e outra podem estar associadas a diferentes padrões de atividade cerebral. Uma inspiração mais longa, uma expiração mais lenta ou alterações na intensidade do fluxo de ar podem produzir mudanças correspondentes na atividade neural.

Segundo Eena Kosik-Rose, primeira autora do estudo, cada respiração possui características próprias, e essas diferenças parecem ser acompanhadas pelo cérebro com maior precisão do que indicam medidas tradicionais, como a frequência respiratória.

A pesquisa também reforça evidências anteriores de que a respiração pode influenciar processos relacionados à atenção e à memória. Estudos já haviam indicado, por exemplo, que pessoas podem apresentar desempenho ligeiramente melhor em tarefas de memorização quando recebem informações durante a inspiração.

Relação entre respiração e atividade cerebral

Para investigar essa conexão, os cientistas representaram cada respiração como um padrão ondulatório, no qual as variações correspondem às mudanças no fluxo de ar durante a inspiração e a expiração.

Depois, os pesquisadores compararam esses padrões com a atividade elétrica registrada diretamente no cérebro.

O estudo analisou dados de 16 pessoas com epilepsia resistente ao tratamento que estavam sendo submetidas a monitoramento cerebral invasivo. Os pesquisadores utilizaram eletrodos implantados no cérebro e compararam os registros da atividade neural com informações sobre o fluxo de ar pelo nariz e os movimentos do tórax e do abdômen.

Os resultados indicam uma relação mais complexa entre respiração e atividade cerebral do que se imaginava anteriormente.

Influência sobre memória e emoções

Segundo a neurologista Natalia Nasser Ximenes, há evidências de que a respiração pode modular circuitos relacionados à atenção, à memória e às emoções, incluindo estruturas como o hipocampo e a amígdala.

A especialista, porém, ressalta que essa influência ainda está sendo estudada e não é o único fator responsável pelo funcionamento dessas áreas do cérebro.

Os pesquisadores também apontam que ainda são necessários estudos para compreender possíveis relações entre o padrão respiratório e condições neurológicas e relacionadas ao sono.

Possíveis aplicações

Uma das possibilidades levantadas pelos cientistas é investigar se alterações no padrão respiratório poderiam indicar que uma interrupção da respiração está prestes a ocorrer em determinadas situações, como na morte súbita inesperada em pessoas com epilepsia.

Os resultados também podem contribuir futuramente para pesquisas sobre condições nas quais a interação entre respiração e cérebro sofre alterações, incluindo a síndrome da morte súbita infantil.

No entanto, os especialistas destacam que ainda não é possível tirar conclusões clínicas a partir do estudo.

O neurologista Carlos Uribe, do Hospital Brasília, explica que alterações na frequência e no tempo de inspiração e expiração podem modificar parâmetros fisiológicos, como os níveis de oxigênio e, principalmente, de gás carbônico no sangue. Essas mudanças podem influenciar o fluxo sanguíneo cerebral e a atividade elétrica do cérebro.

Estudo ainda é inicial

Os próprios pesquisadores reconhecem limitações importantes. A pesquisa envolveu apenas 16 pessoas, todas com epilepsia resistente ao tratamento e submetidas a procedimentos invasivos para monitoramento cerebral.

Por isso, os resultados não podem ser automaticamente aplicados à população saudável ou a pessoas com outras doenças neurológicas.

Uribe destaca que pacientes submetidos a esse tipo de monitoramento formam um grupo bastante específico, que pode apresentar alterações nos circuitos cerebrais relacionadas à própria epilepsia, além dos efeitos de medicamentos utilizados para controlar as crises.

Para a neurologista Natalia Nasser Ximenes, o estudo apresenta uma evidência inicial e interessante sobre a relação entre cérebro e respiração, mas ainda precisa ser confirmado por pesquisas maiores e com métodos não invasivos.

A principal conclusão, portanto, é que a respiração pode carregar mais informações sobre o funcionamento cerebral do que apenas sua frequência. Cada inspiração e expiração apresenta características próprias, e o cérebro parece acompanhar essas mudanças com grande precisão.

Fonte: Correio Braziliense.

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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