As medidas adotadas pelo governo para conter os efeitos da guerra sobre os combustíveis poderão ser ampliadas para o gás de cozinha e o querosene de aviação, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ao detalhar a estratégia da equipe econômica, ele afirmou que o objetivo é reduzir os impactos da crise internacional sobre famílias, caminhoneiros e setores dependentes de energia, sem repetir intervenções do passado e sem abrir mão do equilíbrio fiscal.
Em entrevista à GloboNews, Durigan afirmou que o governo já fechou um acordo com os estados para enfrentar a alta do diesel e garantir o abastecimento em regiões fortemente dependentes do transporte de cargas e do escoamento da safra. Segundo ele, a medida será formalizada após o retorno do presidente da República a Brasília, com expectativa de adesão dos poucos estados que ainda não aderiram ao entendimento.
O ministro deixou claro que haverá diferença de preço entre os entes que aderirem e os que ficarem fora do acordo. “O diesel será mais caro nos estados que não aderiram”, afirmou. Para ele, a construção conjunta com os governadores busca evitar a repetição de medidas unilaterais adotadas em governos anteriores e repartir responsabilidades entre União e estados.
Ao explicar a lógica da atuação federal, Durigan disse que o país não pode voltar a represar artificialmente preços administrados, mas também não deve ficar totalmente sujeito às oscilações externas. “Nós não podemos fazer agora o que foi feito no passado, que é segurar preço administrado sem que as governanças das empresas funcionem regularmente”, declarou. Na sequência, acrescentou: “Também não é razoável que o país fique totalmente exposto a uma volatilidade”.
A avaliação do ministro é que o governo precisa criar instrumentos que amorteçam choques internacionais sem interferir de forma desorganizada nas empresas. Por isso, ele defendeu o uso de “mecanismos inteligentes, transparentes, republicanos”, tanto no âmbito das estatais quanto na atuação direta da administração federal, para impedir que oscilações bruscas no mercado internacional sejam imediatamente repassadas ao consumidor brasileiro.
Entre as medidas já implementadas, Durigan citou a retirada de PIS/Cofins do diesel, a concessão de subvenção a quem importa ou produz o combustível no país e a calibragem do imposto de exportação para estimular que o óleo permaneça sendo refinado internamente. Segundo ele, a combinação dessas ações com o acordo fechado com os estados busca assegurar oferta de diesel e reduzir pressões sobre preços em um momento de instabilidade internacional.
O ministro afirmou ainda que o favorecimento à importação de diesel faz parte da estratégia para impedir desabastecimento e limitar impactos sobre a economia. “Para garantir abastecimento, a importação de diesel é favorecida, para que a gente tenha oferta firme de diesel no país, não prejudicando o caminhoneiro, inclusive ajudando aqui na política monetária, que a gente de alguma maneira contribui para que os preços não aumentem demasiado no país”, disse.
Durigan ressaltou que a equipe econômica trabalha com a possibilidade de novas ações, caso o conflito internacional se prolongue e continue pressionando os custos de energia. Segundo ele, a orientação do presidente é mitigar os reflexos da guerra sobre o mercado doméstico, desde que isso seja feito com responsabilidade fiscal e dentro dos limites de atuação do governo.
Foi nesse contexto que o ministro mencionou a possibilidade de ampliar o escopo das medidas para outros combustíveis, além do diesel. “A gente pode sim ter que avançar, a depender de para onde essa guerra vá, com GLP, com querosene de aviação civil, o combustível da aviação, à medida do que for necessário, seguindo uma orientação do presidente, que é vamos procurar mitigar o preço da guerra”, afirmou.
A fala indica que o Palácio do Planalto e a Fazenda acompanham não apenas o impacto sobre o transporte rodoviário, mas também sobre o orçamento das famílias e o setor aéreo. O gás liquefeito de petróleo, usado no botijão de cozinha, tem peso direto no custo de vida, enquanto o querosene de aviação afeta preços de passagens e a operação das companhias aéreas.
Ao longo da entrevista, Durigan repetiu que o governo pretende agir de forma pragmática, utilizando receitas extraordinárias derivadas da alta do petróleo para compensar parte das pressões, em vez de simplesmente absorver esse ganho do ponto de vista arrecadatório. “Como tem um aumento de arrecadação muito em razão do aumento do preço do petróleo no mundo, isso pode ser usado e deve ser utilizado, não vou querer fazer só para fins fiscais”, declarou.
Ele também associou a política de combustíveis à defesa do interesse nacional e criticou a possibilidade de alinhamento automático a agendas externas. “A gente protege o interesse nacional”, disse, ao sustentar que a prioridade do governo é preservar caminhoneiros, famílias e a atividade econômica diante de um conflito que ocorre fora do país, mas produz efeitos diretos sobre os preços internos.
Com isso, a entrevista de Durigan sinaliza que o governo prepara uma política escalonada para os combustíveis, começando pelo diesel e podendo alcançar o gás de cozinha e o combustível de aviação, caso a guerra continue pressionando o mercado internacional. A intenção, segundo o ministro, é combinar abastecimento, moderação de preços e responsabilidade fiscal em uma resposta que tente blindar a economia brasileira dos efeitos mais agudos da crise externa.
Com informações do Brasil247
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