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Brasil tira 700 mil crianças da fome grave em um ano

O Brasil registrou em 2024 o menor nível de insegurança alimentar grave entre crianças e adolescentes desde o início da série histórica do IBGE, em 2004. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a fome infantil recuou quase 30% em apenas um ano, passando de 4,8% para 3,6% entre crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.

Na prática, cerca de 700 mil crianças e adolescentes saíram da fome grave: o número caiu de 2,5 milhões, em 2023, para 1,8 milhão, em 2024. O resultado acompanha uma melhora mais ampla nos indicadores de saúde alimentar e nutricional da infância. Entre 2022 e 2025, o acompanhamento nutricional na Atenção Primária à Saúde saltou de 6,2 milhões para 7,9 milhões de crianças menores de cinco anos, enquanto a magreza acentuada caiu de 2,8% para 1,8% e a obesidade infantil recuou de 6,4% para 5,7%.

De acordo com o MDS, o resultado está ligado à retomada e ampliação de políticas públicas voltadas à renda, à alimentação e ao cuidado com a infância, como o Bolsa Família — onde o Benefício Primeira Infância garante R$ 150 por mês a famílias com cerca de 9 milhões de crianças de zero a seis anos. Há ainda o adicional de R$ 50 mensais para crianças e adolescentes de 7 a 18 anos, alcançando cerca de 15 milhões de beneficiários nessa faixa etária. O conjunto dessas ações integra o Plano Brasil Sem Fome.

Secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity resume o impacto da combinação dessas políticas: “Os dados mostram que garantir renda, alimentação e acompanhamento de saúde faz diferença concreta na vida das crianças”. Segundo ela, quando a família consegue colocar comida na mesa e a criança é acompanhada pelos serviços de saúde e pela escola, “melhora o estado nutricional, diminui a fome e contribui para o desenvolvimento”.

O avanço, porém, não elimina as desigualdades. Dados do módulo de Segurança Alimentar da PNAD Contínua, do IBGE, mostram que a insegurança alimentar segue mais presente no Norte (37,7%) e no Nordeste (34,8%), e pesa mais sobre lares chefiados por mulheres e por pessoas pardas e pretas. A pesquisa também indica maior vulnerabilidade entre famílias de baixa renda e em domicílios com crianças e adolescentes.

Outro dado que reforça o papel do Estado é a alimentação escolar: em 2026, o Pnae teve reajuste médio de 14% e hoje atende 38 milhões de estudantes, reafirmando que alimentação adequada é direito — e política pública.

Com informações do Vermelho

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