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Brasil gastou R$ 1,2 trilhão com juros nos últimos doze meses

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Déficit nominal se aproxima de 10% do PIB e pressiona dívida pública brasileira

247 – O déficit público nominal do Brasil, que inclui o resultado primário e os gastos com juros, alcançou R$ 1,217 trilhão nos 12 meses encerrados em março, equivalente a 9,41% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado só não ultrapassou a marca de 10% do PIB devido aos ganhos do Banco Central com operações de swaps cambiais. Esses contratos geraram um lucro contábil de R$ 97,2 bilhões (0,75% do PIB) no período de 12 meses até março, favorecidos pela valorização do real frente ao dólar, que tem oscilado em torno de R$ 5 ou menos.

As informações foram divulgadas pelo jornal Valor Econômico, com base em dados e análises de economistas do mercado financeiro. Segundo o economista-chefe da corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, ouvido pela reportagem, sem esse efeito positivo dos derivativos cambiais, o déficit nominal teria alcançado 10,16% do PIB, um nível considerado elevado, especialmente quando comparado à média de países emergentes, estimada em cerca de 6% do PIB pelo Fundo Monetário Internacional.

O desempenho do déficit nominal tem impacto direto sobre a trajetória da dívida pública. Em março, a dívida bruta do país chegou a 80,1% do PIB e deve continuar crescendo. Projeções do Bradesco indicam que o indicador pode encerrar 2026 próximo de 83% do PIB — um aumento expressivo em relação aos 71,7% registrados ao final de 2022.

O déficit nominal resulta da soma do déficit primário — que exclui despesas com juros — e dos gastos financeiros. Nos 12 meses até março, os juros somaram R$ 1,080 trilhão (8,35% do PIB), enquanto o déficit primário atingiu R$ 137,1 bilhões (1,06% do PIB).

De acordo com economistas do Bradesco, a piora recente do resultado primário está relacionada à concentração do pagamento de precatórios em março. Esses gastos, decorrentes de decisões judiciais, totalizaram R$ 68 bilhões no mês.

Além disso, o desempenho fiscal dos governos regionais também contribuiu para o resultado negativo. Estados e municípios registraram déficit primário de R$ 5,4 bilhões, revertendo o superávit de R$ 6,5 bilhões observado em março de 2025.

Outro fator determinante para o aumento do déficit nominal é o elevado nível da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Apenas em março, as despesas financeiras do setor público consolidado somaram R$ 118,9 bilhões.

Em termos acumulados, os gastos com juros passaram de 8,07% do PIB em fevereiro para 8,35% em março, sendo o principal componente do déficit nominal. Montero destaca que esse impacto tem sido parcialmente amortecido pelos ganhos com swaps cambiais.

“Sem esse lucro dos derivativos, a despesa de juros nos 12 meses até março alcançaria R$ 1,118 trilhão, ou 9,1% do PIB”, afirma o economista.

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