Início Política Lula avalia novo indicado ao STF ou reapresentar nome de Messias após derrota no Senado
Política

Lula avalia novo indicado ao STF ou reapresentar nome de Messias após derrota no Senado

Compartilhar
Compartilhar

Após rejeição inédita em 132 anos, Planalto discute nova indicação para a vaga no Supremo

247 – O presidente Lula avalia como reagir à rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e estuda duas alternativas principais: enviar rapidamente outro nome ao Senado ou reapresentar o ministro da Advocacia-Geral da União em uma conjuntura política considerada menos desfavorável.

De acordo com reportagem do Valor Econômico, interlocutores próximos ao presidente afirmam que Lula ainda assimila a derrota sofrida na quarta-feira (29), quando o Senado rejeitou a indicação de Messias ao STF, episódio descrito como o primeiro desse tipo em 132 anos. Um auxiliar ouvido pelo jornal disse que o presidente prefere refletir antes de tomar uma decisão. “Ele é adepto do ditado de que se deve dormir sobre os problemas para acordar com as soluções”.

Segundo o jornal, Lula ficou irritado com o resultado porque entende que Messias não foi rejeitado por descumprir os requisitos previstos na Constituição. O artigo 101 exige que o indicado ao STF tenha entre 35 e 70 anos, “notável saber jurídico e reputação ilibada”. Na avaliação do presidente e de aliados ouvidos pelo jornal, a decisão do Senado teria extrapolado esse exame formal e atingido sua prerrogativa constitucional de escolher ministros para a Corte.

Nesse contexto, uma possibilidade discutida por conselheiros jurídicos é reapresentar o nome de Messias no futuro. A hipótese, porém, enfrenta resistências dentro do próprio entorno lulista, especialmente pela preocupação de que a vaga no Supremo permaneça aberta até depois da eleição de outubro, caso Lula não consiga renová-la antes do fim do processo eleitoral.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), está entre os aliados que defendem uma nova indicação em prazo curto. A avaliação é que o Planalto não deve permitir que o impasse se prolongue, sobretudo em um ambiente político marcado pela tensão com o Senado.

De acordo com a reportagem, um dos caminhos analisados seria apresentar ao Senado o nome de uma jurista negra, em sintonia com reivindicações de movimentos da sociedade civil. Aliados veem nessa alternativa uma forma de aumentar o custo político de uma nova rejeição, desde que a escolhida cumpra plenamente os critérios constitucionais.

Entre os nomes citados no debate interno estão a ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral Edilene Lôbo, indicada por Lula ao TSE em 2023, e a juíza federal Adriana Cruz, do Rio de Janeiro. Apesar disso, um conselheiro jurídico do presidente afirmou que considera “mais difícil” Lula apostar nessa estratégia de “xeque-mate”.

Outra opção em estudo é esperar a temperatura política diminuir antes de uma nova movimentação. Paralelamente, Lula concordou com a proposta do grupo Prerrogativas de levar ao STF uma discussão sobre o alcance do artigo 101 da Constituição, especialmente quanto aos limites da competência do presidente para indicar e do Senado para aprovar ou rejeitar nomes.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Prerrogativas, confirmou que pretende protocolar, na próxima semana, uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental no Supremo. O objetivo, segundo ele, é esclarecer a aplicação correta da regra constitucional que trata da nomeação de ministros da Corte.

Marco Aurélio defendeu que o tema precisa de um “freio de arrumação”, diante da avaliação de que Messias preenchia os requisitos formais para o cargo, mas acabou barrado por motivos políticos. Nesse cenário, interlocutores afirmam que Lula não pretende abrir mão de sua prerrogativa constitucional na escolha do futuro ministro do STF.

A indicação de Messias já havia contrariado setores da classe política e movimentos da sociedade civil. Antes de enviar o nome do ministro da AGU, Lula resistiu a pressões em favor do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e do ex-presidente do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas.

Também houve mobilização para que o presidente escolhesse uma jurista mulher ou uma jurista negra. Mesmo diante desses apelos, Lula manteve sua preferência por Jorge Messias, considerado um nome de alta confiança dentro do governo.

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar
Artigos Relacionados

Como crise com Alcolumbre impacta fim da 6×1 e pautas do governo

Desgaste entre o governo Lula e o presidente do Senado se acentuou...

Lula pede para Jorge Messias permanecer no governo

Após Congresso rejeitar indicação para o STF, destino do AGU será definido...

Bolsonaro apresenta boa evolução clínica após cirurgia no ombro, diz hospital

Internado no Hospital DF Star, ex-presidente Jair Messias Bolsonaro deve iniciar reabilitação;...

Hugo Motta convoca sessões extras para acelerar tramitação da PEC da 6×1

Câmara vai acelerar debate sobre fim da escala 6×1 247 – O presidente...