Medida foi anunciada pela governadora Celina Leão como forma de economizar recursos públicos com o aluguel dos prédios onde funcionam as secretarias. O complexo está vazio desde a inauguração em 2014
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou, nesta segunda-feira (1º/6), que vai ocupar o Centro Administrativo do DF (Centrad), com secretarias do Governo do DF. A ideia, segundo a chefe do Executivo, é economizar recursos públicos com aluguel e otimizar a estrutura da administração pública. O valor da economia com as mudanças não foi divulgado. Segundo ela, as primeiras pastas a serem transferidas para o complexo serão as de Obras e de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh). Além destas, a governadora informou que o gabinete da Secretaria de Governo e a Casa Militar devem ir para o local.
Celina realizou uma visita técnica no Centrad ao lado do secretário de Obras, Valter Casemiro, após receber alta do hospital. “Definimos a ocupação do prédio, que foi destinado para trazer os órgãos públicos. As primeiras secretarias transferidas serão as que estavam pagando aluguel, para a gente economizar recurso público”, anunciou. “Nós já estamos fazendo um primeiro planejamento de ocupação. Também faremos a transferência do nosso gabinete, junto com outras áreas estratégicas. A ideia é estruturar um planejamento para ocupar 100% do Centrad”, completou. A governadora não adiantou a data das transferências.

Segundo Celina, a ocupação dos 16 edifícios que formam o Centrad será feita de forma gradual, começando pela Secretaria de Obras e Infraestrutura (SODF), que prepara a transferência para o complexo. “Nós vamos iniciar a alocação nos prédios do Centro Administrativo e será responsável por conduzir todas as intervenções necessárias para receber as demais secretarias. O detalhamento das ações começou, em conjunto com a Secretaria de Economia, e também será feito com a Casa Civil, que vai coordenar a destinação dos prédios e definir quais áreas serão ocupadas por cada órgão do governo”, explicou o secretário de Obras, Valter Casimiro. “De imediato, a expectativa é de que mais de 150 servidores da própria Secretaria de Obras passem a ocupar o espaço. Em seguida, as demais pastas serão transferidas, cada uma com seu contingente, conforme o planejamento definido”, complementa o secretário de Obras.
A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) foi acionada para realizar a recuperação do paisagismo do Centrad, com manutenção dos gramados e limpeza das calçadas. O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) vai atuar limpando o local. Além disso, a Secretaria de Economia contratou o serviço de manutenção dos elevadores. Em paralelo, a Secretaria de Obras faz o levantamento das principais demandas estruturais, como impermeabilização de lajes, recuperação de calçadas e calhas, entre outras intervenções necessárias para viabilizar a ocupação.
A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do DF (Seduh) deve ser transferida para o Centrad. “A governadora convocou alguns secretários para conhecer o local, com o objetivo de avaliarmos a situação do empreendimento, especialmente das pastas que hoje funcionam em imóveis alugados. No nosso caso, o contrato está próximo do vencimento, e a orientação foi renovar apenas pelo período necessário para viabilizar a mudança o quanto antes”, afirmou o secretário da Seduh, Marcelo Vaz. “A partir dessa determinação, vamos iniciar um levantamento das necessidades para a transferência da equipe. Com isso, poderemos estruturar o processo de mudança e levar os servidores para o Centro Administrativo”, acrescentou.
O governo trabalha em um cronograma escalonado de mudanças para garantir que a transição ocorra sem prejuízos ao atendimento da população. “Essa mudança representa uma nova lógica de gestão: menos desperdício, mais planejamento e mais investimento onde realmente importa, que é o atendimento ao cidadão”, destacou o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira.
Segundo Valdivino, o GDF ainda contabiliza os ganhos da medida. “A governadora vai organizar a logística dessa transição para não termos prejuízos. Tudo está sendo feito com muita responsabilidade e cautela”, disse.
Vão ocupar o Centrad
- Secretaria de Obras e Infraestrutra (SODF)
- Gabinete da governadora
- Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh)
- Casa Civil
- Casa Militar
- Secretaria de Governo
Impacto
Mestre em direito administrativo, especialista em gestão pública e professor da Estácio Brasília, Armindo Madoz ressaltou que a transferência de secretarias segue uma lógica de centralização administrativa (todas as pastas numa só área). “Além da economia direta, há um ganho potencial de eficiência administrativa, pois a proximidade física entre secretarias pode facilitar a comunicação institucional, a tramitação de demandas e a integração entre órgãos. Contudo, o sucesso da medida dependerá da capacidade do Centrad de absorver adequadamente os servidores e o atendimento ao público sem gerar perda de acessibilidade ou queda na qualidade dos serviços”, analisou.
“Em um momento em que o GDF busca equilíbrio fiscal e determinou revisão de contratos com meta de redução de despesas em até 25% em determinadas áreas, a economia com aluguéis pode representar uma importante fonte de ajuste das contas públicas. Além disso, a medida pode contribuir para melhorar indicadores fiscais do Distrito Federal, reduzindo a pressão sobre o orçamento e diminuindo a necessidade de cortes em políticas públicas essenciais”, comentou o especialista.
Armindo observou, porém, que a transferência pode trazer desafios. “A decisão reduz despesas recorrentes, favorece o equilíbrio fiscal e busca aumentar a eficiência da gestão pública. O desafio será garantir que a economia obtida não venha acompanhada de prejuízos operacionais ou dificuldades de acesso da população aos serviços governamentais”, salientou.
Especialista em administração e gestão pública, o diretor da Link BR, Marlon Bento acrescentou que a medida deve reduzir as despesas correntes e aliviar a pressão sobre o orçamento no curto e médio prazo. “A economia com aluguéis pode também liberar recursos para áreas prioritárias, como saúde, educação, segurança e investimentos em infraestrutura. Embora a mudança possa exigir custos iniciais de adaptação, logística e adequação dos espaços, a tendência é que o retorno financeiro ocorra ao longo do tempo. Em termos fiscais, medidas desse tipo contribuem para melhorar a eficiência do gasto público e ajudam a preservar o equilíbrio das contas em períodos de restrição orçamentária”, complementou.
Repercussão
Além da economia de recursos públicos com o aluguel dos prédios das secretarias, a medida deve impactar no comércio local de Taguatinga e de Ceilândia, com o aumento do fluxo de servidores e visitantes na região. A notícia da transferência repercutiu entre comerciantes e moradores. Rufina de Fátima, de 60 anos, administra com o marido um serviço de despachante perto do Centrad. Os dois estão à frente do negócio há 30 anos e a expectativa é de que a ocupação do prédio traga movimento. “Seria bom para o nosso trabalho o aumento da circulação de pessoas neste lado”, avaliou.
A expectativa de Isabella Cardoso, 27, moradora da QNL, é de que a mudança traga melhorias para a infraestrutura da área. “Podem ser feitos mais pontos de ônibus na via QNL. Quem sabe a transferência pode levar a administração a abrir a estação de metrô Onoyama”, disse.

Morador de Taguatinga, Leonardo Alves, 31, acredita que a transferência vai ser vantajosa tanto para os funcionários do governo quanto para quem vive ou trabalha na região. “Acho que a mudança traz um fluxo melhor para a cidade e movimenta mais o comércio. Acredito que a infraestrutura daqui também seja melhor. Então, vai ser bom também para os profissionais”, pontuou.

Othoniel Lúcio, 47, é uma dessas pessoas que trabalha na área. Ele comemora as mudanças. “A transferência vai tirar esse elefante branco de ficar parado aqui. É um vazio que poderia estar sendo ocupado por algo útil”, comentou. Ele defende que centralizar esses serviços vai facilitar a vida de toda a população. “Se todas as secretarias viessem para cá, seria bem melhor. É mais prático ir a um único prédio para resolver toda sua vida”, completou.

Ao Correio, o presidente da Associação Comercial de Ceilândia (Acic), Eduardo Lima, celebrou a medida. “A ocupação do Centrad tem duas coisas que são muito positivas. Primeiro, a recuperação do espaço, que perdeu muito com o tempo que ficou fechado em termos de manutenção, em termos de depreciação, de degradação e também a questão econômica da movimentação da região, que gera recursos e negócios para a região, além de criar mais impostos”, enumerou. “A decisão da governadora é extremamente importante para as regiões de Ceilândia, Taguatinga e Samambaia neste sentido”, salientou.
O complexo
A megaestrutura do Centrad, pensada para abrigar parte dos serviços administrativos públicos da capital federal, fica em Taguatinga e nunca foi ocupada. O espaço, construído em uma área de 182 mil metros quadrados, equivalentes a, aproximadamente, 25 campos de futebol, tem 16 prédios e fica na Avenida Elmo Serejo, ao lado do Estádio Serejão, da Rodoviária de Taguatinga e próximo à Estação Centro Metropolitano do metrô.
A obra foi inaugurada em 2014, com o objetivo de se tornar o principal centro administrativo do governo distrital, mas tem uma longa trajetória marcada por entraves jurídicos, questionamentos contratuais e disputas judiciais envolvendo os custos da obra e pagamentos pendentes.
R$ 50 milhões em manutenção na saúde
A praça do Restaurante Comunitário DJ Jamaika, em Ceilândia, sediou o retorno oficial da governadora Celina Leão (PP) ao trabalho após alta hospitalar por um pneumotórax. O lançamento da 5ª edição do GDF na Sua Porta foi o seu primeiro compromisso após uma drenagem pulmonar. “O meu médico não queria. Mas o que me deixa viva é minha força de trabalho”, declarou.
No mutirão, ela anunciou R$ 50 milhões para manutenção hospitalar imediata e verbas descentralizadas de R$ 50 mil a R$ 100 mil para as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) via cartão Pdpas.
A força-tarefa na maior região administrativa do DF conta com R$ 30 milhões em serviços urbanos, exames, vacinação, emissão de identidades e implantes contraceptivos. As melhorias nas ruas incluem recapeamento, iluminação pública, limpeza de bocas de lobo e reforma de 80 parquinhos infantis. “Preparamos quase três meses essa festa para deixar a cidade um brinco, sem buraco”, afirmou Celina. O evento contou com atos de regularização fundiária rural e a posse do novo administrador de Ceilândia, Renato Santana.
Colaborou Manuela Sá*
*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira
Com informações do Correio Braziliense
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