A pressa de Tarcísio para inaugurar a Linha-6 Laranja, mesmo inacabada

Quase 18 anos após ser anunciada, a Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo começa a operar nesta quinta-feira (2), com inauguração marcada dois dias antes do início das restrições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à publicidade institucional envolvendo pré-candidatos que ocupam cargos públicos.

A partir de sábado (4), passam a valer as regras que proíbem a divulgação de anúncios sobre atos, programas e obras que possam beneficiar candidatos ao primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro de 2026, entre eles o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição. A primeira fase da linha será aberta ao público na sexta-feira (3).

Neste início, serão seis estações em funcionamento no trecho entre João Paulo I, na zona norte, e Perdizes, na zona oeste, com conexão à Linha 7-Rubi. A operação será assistida, de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, sem cobrança de tarifa. Segundo a concessionária, dois trens circularão em sistema de ida e volta, a cerca de 30 km/h, com tempo estimado de viagem de 20 minutos.

A obra foi marcada por atrasos, paralisações, troca de consórcio responsável e pelo acidente provocado pelo tatuzão na Marginal Tietê, em fevereiro de 2022. Na ocasião, uma cratera se abriu após o rompimento de uma tubulação de esgoto, inundando uma das tuneladoras usadas na escavação.

Orçada em R$ 19 bilhões, a Linha 6-Laranja é a primeira parceria público-privada do metrô paulista. A concessionária Linha Uni, liderada pela empreiteira espanhola Acciona, é responsável pela construção e operação do ramal. Quando estiver completa, a linha terá 15,3 km de extensão, 15 estações e ligará Brasilândia, na zona norte, à Liberdade, na região central.

A primeira fase, inicialmente prevista para outubro, foi antecipada. Ainda em 2026, devem ser abertas as estações Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado. O restante do ramal, entre PUC-Cardoso de Almeida e Liberdade, está previsto para 2027. A exceção é a estação 14 Bis-Saracura, na Bela Vista, que não tem prazo definido por causa de achados arqueológicos e liberação recente do Iphan.

Quando concluída, a linha terá capacidade para transportar 633 mil passageiros por dia, com percurso de ponta a ponta estimado em 23 minutos. O ramal também chama atenção pela complexidade da engenharia.

Nove das dez estações mais profundas do metrô paulistano estarão na Linha 6-Laranja. A Itaberaba-Hospital Vila Penteado terá 65,71 metros de profundidade, o equivalente a um prédio de até 24 andares.

A estação Água Branca, com 47,8 metros, será a mais profunda em operação nesta primeira etapa, superando a Santa Cruz, da Linha 5-Lilás, que tem 41,26 metros. A estrutura da linha também contará, ao todo, com 335 escadas rolantes, sendo 22 apenas na Itaberaba.

Os trens terão maior capacidade que os modelos convencionais usados em linhas como a 1-Azul. Segundo o governo estadual, cada composição poderá transportar até 2.044 passageiros, cerca de 28% a mais que os 1,6 mil de um trem tradicional, mantendo o mesmo número de vagões.

Fonte: DCM

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