O Irã anunciou, na última quarta-feira (1º), a criação de um canal de comunicação com os Estados Unidos para tratar das violações do memorando de entendimento assinado entre os dois países. Segundo o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, o mecanismo vai servir para registrar formalmente eventuais descumprimentos por parte de Washington.
A decisão foi tomada no marco das reuniões técnicas realizadas em Doha, no Catar, nesta semana. As conversas trilaterais contaram com as presenças de representantes do Catar e do Paquistão, além de autoridades iranianas.
“A delegação iraniana levantou e examinou as violações dos Estados Unidos aos seus compromissos ao abrigo da cláusula 1 do memorando de entendimento relativo à cessação da guerra no Líbano, os relatórios sobre os esforços dos Estados Unidos para reforçar o equipamento e as forças na região, e algumas declarações ameaçadoras e intervencionistas por parte de funcionários dos EUA”, explicou Gharibabadi.
No último dia 17, Irã e EUA assinaram o documento para encerrar o conflito deflagrado no final de fevereiro. Pelo acordo, os países se comprometeram a chegar a um acordo final em um prazo de 60 dias, enquanto buscam aliviar as restrições de acesso ao Estreito de Ormuz.
O entendimento, no entanto, ainda é frágil. Israel, um dos atores-chave da segurança estratégica no Oriente Médio, já manifestou insatisfação com a situação. Logo após o anúncio do acordo, as tropas israelenses seguiram atacando o Líbano.
O Irã sustenta que os termos do acordo devem ser considerados integralmente. Na prática, Teerã defende o desbloqueio de fundos iranianos congelados no exterior e cobra que os Estados Unidos paguem US$ 300 bilhões para a reconstrução da estrutura iraniana, prejudicada pelos ataques estadunidenses e israelenses.
No Catar, Gharibabadi se reuniu com autoridades do Banco Central do país. “Foram examinadas algumas questões relacionadas à destinação de parte dos US$ 6 bilhões (R$ 31 bilhões) iniciais, e decidiu-se que, de acordo com as necessidades anunciadas pelo nosso país, a compra dos bens necessários seria realizada e disponibilizada ao Irã”, disse a autoridade diplomática.
Apesar do avanço, Irã e Estados Unidos ainda não conversaram diretamente. A delegação estadunidense, formada por Steve Witkoff e Jared Kushner, esteve em Doha nesta semana, mas manteve apenas conversas com altos funcionários do Catar.
*Com informações do Brasil de Fato



