Ceilândia em Alerta — A dieta cetogênica pode oferecer benefícios à saúde do fígado além da perda de peso, segundo um estudo publicado na revista Cell Metabolism. A pesquisa comparou três estratégias alimentares e constatou que pessoas que seguiram uma dieta com baixo consumo de carboidratos apresentaram melhora mais significativa em indicadores metabólicos relacionados ao fígado após perderem cerca de 10% do peso corporal. As informações são do Correio Braziliense.
O estudo foi conduzido pela Universidade de Washington, em St. Louis, no estado do Missouri, e envolveu 42 pessoas com obesidade, pré-diabetes e esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado.
Os participantes foram divididos em três grupos. Na dieta cetogênica, apenas 4% das calorias eram provenientes de carboidratos, enquanto 73% vinham de gorduras. No regime plant-forward, baseado principalmente em vegetais, 70% das calorias eram provenientes de carboidratos e 15% de gorduras. Já na dieta mediterrânea, os percentuais eram de 50% e 30%, respectivamente.
Dieta cetogênica teve maior impacto no fígado
Após cinco meses de acompanhamento, os participantes dos três grupos perderam, em média, 10% do peso corporal. Também houve aumento da sensibilidade à insulina nos músculos, sem diferenças significativas entre as estratégias.
No fígado, porém, os resultados foram diferentes. A melhora da sensibilidade à insulina foi de duas a três vezes maior entre os participantes que seguiram a dieta cetogênica.
O grupo também apresentou uma redução mais expressiva nos triglicerídeos relacionados ao metabolismo hepático: 67%, contra 45% nos participantes das dietas mediterrânea e plant-forward.
Para Cynara Oliveira, supervisora de nutrição do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, os resultados indicam que a composição da dieta pode influenciar os efeitos metabólicos mesmo quando a perda de peso é semelhante.
A especialista explica que a forte redução no consumo de carboidratos diminui os níveis de glicose e insulina e aumenta a ação do glucagon, hormônio produzido pelo pâncreas. Esse processo favorece a utilização da gordura como fonte de energia e pode reduzir a produção e o acúmulo de gordura no fígado.
Dieta exige acompanhamento
Apesar dos resultados considerados promissores, especialistas alertam que a dieta cetogênica não é adequada para todas as pessoas e deve ser individualizada.
A alimentação avaliada no estudo tinha níveis extremamente baixos de carboidratos. Em uma dieta de 2 mil calorias diárias, eram consumidos aproximadamente 20 gramas de carboidratos e 164 gramas de gorduras.
Daniela Medeiros, professora de Nutrição do Ceub, chama atenção ainda para a quantidade de gordura saturada utilizada no estudo. Segundo ela, o percentual equivaleria a aproximadamente 52 gramas em uma dieta de 2 mil calorias, valor considerado elevado.
A nutricionista destaca que a American Heart Association recomenda limitar o consumo de gordura saturada a menos de 6% das calorias e priorizar gorduras insaturadas, encontradas em alimentos como azeite, abacate e castanhas.
Quem deve ter mais cuidado
Segundo Daniela, a pesquisa foi realizada em um ambiente controlado e com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Por isso, os resultados não significam que uma dieta com menos carboidratos e mais gordura seja necessariamente melhor para todas as pessoas.
Pessoas que utilizam medicamentos para diabetes precisam de atenção especial, pois a mudança alimentar pode aumentar o risco de hipoglicemia e exigir ajustes no tratamento.
Gestantes, pessoas com doenças renais ou hepáticas relevantes, histórico de pancreatite, transtornos alimentares ou risco de cetose também não devem iniciar uma dieta cetogênica sem avaliação especializada.
Perda de peso não é o único fator
Samuel Klein, autor correspondente do estudo, afirmou que a perda de peso pode melhorar a saúde metabólica de pessoas com obesidade, mas os resultados sugerem que a composição da alimentação também pode exercer papel importante.
Segundo ele, para pessoas com grande quantidade de gordura no fígado e pré-diabetes, a redução do consumo de carboidratos pode produzir efeitos terapêuticos sobre o metabolismo que vão além da simples perda de peso.
Fonte: Correio Braziliense.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



