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Militantes criam “Tinder do Lula” no WhatsApp e reúnem mais de 58 mil pessoas em busca de namoro

Presidente Lula, de camisa branca, e uma mulher de óculos e cabelos castanhos sorriem enquanto unem as mãos para formar um coração durante um evento.
Iniciativa conhecida como “Tinder do Exército do Lula” reúne solteiros de esquerda em grupos de WhatsApp organizados por regiões do Brasil, incluindo o Distrito Federal.

Inspirada no fictício Ministério do Namoro, iniciativa reúne solteiros de esquerda em grupos regionais, incluindo o Distrito Federal, e mistura paquera, humor e política.

Ceilândia em Alerta – Uma brincadeira que surgiu durante a campanha presidencial de 2022 ganhou uma nova versão nas redes sociais e se transformou em ponto de encontro para pessoas interessadas em relacionamentos amorosos. Militantes e simpatizantes da esquerda criaram o chamado “Tinder do Exército do Lula”, iniciativa que utiliza grupos de WhatsApp para aproximar solteiros com afinidades políticas. Até domingo (1º), o projeto já havia ultrapassado 58 mil seguidores em seu canal e formado pelo menos 15 grupos de interação.

A iniciativa começou a funcionar em 27 de outubro, dois dias após o segundo turno das eleições presidenciais, e aproveitou a popularidade do chamado “Ministério do Namoro”, uma pasta fictícia que se tornou meme na internet durante a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar do nome, o projeto não possui vínculo institucional com o governo federal e não representa a criação de um ministério ou programa público. Trata-se de uma mobilização informal organizada nas redes sociais, que utiliza referências políticas e linguagem bem-humorada para estimular novas amizades e possíveis relacionamentos.

Grupos são organizados por DDD e incluem o Distrito Federal

O funcionamento da iniciativa ocorre em duas etapas. Primeiro, os interessados acompanham um canal de WhatsApp, no qual os administradores divulgam informações, orientações e convites para novos grupos. Nesse espaço, apenas os responsáveis pela organização podem publicar mensagens.

A interação entre os participantes acontece nos grupos regionais, organizados por códigos de Discagem Direta a Distância (DDD). Cada grupo pode reunir até 1.024 integrantes, limite estabelecido pelo WhatsApp.

Os primeiros espaços foram criados para moradores do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Posteriormente, a iniciativa chegou a cidades como Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Curitiba, Belém, Fortaleza, Campinas e Ribeirão Preto.

A procura surpreendeu os organizadores. Alguns grupos atingiram rapidamente o limite de participantes, exigindo a abertura de novas salas e a busca por moderadores para acompanhar as conversas.

As apresentações seguem, em muitos casos, um modelo semelhante ao utilizado em aplicativos de relacionamento. Os participantes informam nome, idade, orientação sexual, pronomes, interesses pessoais, tipo de relacionamento desejado e se aceitam receber mensagens privadas.

Também há espaço para compartilhar perfis de redes sociais, conversar sobre assuntos cotidianos e organizar encontros presenciais.

Segundo reportagem publicada pelo ICL Notícias, com informações da Folhapress, alguns participantes já começaram a criar grupos paralelos para pessoas de determinadas faixas etárias, ampliando as possibilidades de interação.

Ministério do Namoro nasceu como brincadeira política

A expressão “Ministério do Namoro” ganhou popularidade durante a campanha eleitoral de 2022, quando internautas passaram a brincar com a possibilidade de Lula criar uma estrutura governamental dedicada a ajudar pessoas solteiras.

O próprio presidente entrou na brincadeira e, posteriormente, chegou a comentar que não havia cumprido a suposta promessa.

O perfil do Instagram responsável pela iniciativa, identificado como @namoro.gov.br, existe desde 2023 e se apresenta como uma página extraoficial. Ao longo dos anos, publicou conteúdos humorísticos relacionados ao tema, incluindo referências a um programa fictício chamado “Meu Crush Minha Vida”.

Com as eleições de 2026, a página aproveitou a mobilização digital dos apoiadores de Lula para ampliar seu alcance.

O formato adotado pelos organizadores reproduz parte da linguagem utilizada pelo canal político “Exército do Lula”, associado à atuação do deputado federal André Janones (Rede-MG) durante a campanha eleitoral.

Expressões como “missão”, “tropa” e convocações para compartilhar mensagens foram adaptadas para o universo dos relacionamentos amorosos.

Em menos de quatro horas após o lançamento, o canal de paquera já reunia cerca de 5 mil seguidores. No dia seguinte, aproximava-se dos 30 mil e, posteriormente, ultrapassou a marca de 40 mil participantes no canal.

Afinidade política vira ponto de partida para relacionamentos

A proposta chama a atenção por transformar a identificação política em um dos elementos de aproximação entre pessoas que procuram parceiros ou novas amizades.

Embora aplicativos tradicionais de relacionamento permitam apresentar preferências e interesses pessoais, o projeto reúne participantes que, em princípio, compartilham afinidades com a esquerda brasileira.

Isso não significa que todos tenham as mesmas opiniões sobre questões políticas, sociais ou comportamentais. As conversas mostram diferenças de experiências, expectativas e estilos de vida.

A iniciativa também ilustra como comunidades formadas durante campanhas eleitorais podem continuar ativas depois das votações, passando a reunir pessoas em torno de atividades sociais e culturais.

Com a rápida expansão dos grupos, os organizadores passaram a discutir novas formas de ampliar a participação, incluindo a possibilidade de utilizar outras plataformas digitais.

Por se tratar de grupos abertos a um grande número de desconhecidos, é importante que os participantes tenham cuidado ao compartilhar dados pessoais, fotografias, endereços e outras informações privadas.

O sucesso inicial do “Tinder do Exército do Lula” demonstra como uma brincadeira política pode ganhar novas funções nas redes sociais, transformando a mobilização eleitoral em um espaço de convivência, amizade e paquera.


Fonte: ICL Notícias

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