Lula explica de forma didática por que Flávio Bolsonaro é um traidor da Pátria

Presidente afirma que senador do PL pediu aos Estados Unidos o adiamento do tarifaço apenas por interesse eleitoral, acusa a família Bolsonaro de entreguismo e diz que a soberania brasileira é inegociável

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o pedido feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos para adiar a entrada em vigor do tarifaço sobre produtos brasileiros até depois das eleições de 2026 constitui “mais uma atitude de traidores da pátria”. Em uma sequência de declarações nas redes sociais, Lula explicou por que considera a iniciativa um ataque aos interesses nacionais e afirmou que “nunca houve e não há qualquer justificativa para o tarifaço, agora ou depois”.

As informações foram publicadas inicialmente pelo Valor Econômico. Segundo a reportagem, Lula reagiu ao documento enviado por Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no qual o senador pede que a sobretaxa seja implementada apenas após a disputa presidencial de 2026. No texto encaminhado às autoridades norte-americanas, Flávio argumenta que a adoção da medida neste momento fortaleceria politicamente o governo Lula, razão pela qual defende seu adiamento, embora não peça a suspensão da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.

Na avaliação do presidente, a iniciativa evidencia que interesses eleitorais foram colocados acima dos interesses nacionais. “É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, escreveu Lula.

“Não há motivo para o tarifaço”

Lula ressaltou que a questão central não é o momento da aplicação das tarifas, mas a inexistência de qualquer justificativa para que elas sejam impostas ao Brasil.

“Nunca houve e não há qualquer justificativa para o tarifaço, agora ou depois”, afirmou o presidente, rejeitando a tese de que bastaria postergar a medida para depois das eleições presidenciais.

Segundo Lula, o aspecto mais grave da crise comercial é justamente sua origem política. O presidente declarou que considera “mais absurdo” o fato de que o movimento tenha sido estimulado pela própria família Bolsonaro.

“O aspecto mais absurdo desse episódio é que sua origem foi motivada pela família Bolsonaro, que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra o Brasil”, afirmou.

Soberania nacional e defesa do Pix

Ao rebater a posição do senador, Lula reafirmou que a soberania brasileira não será objeto de negociação.

“Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável”, declarou.

O presidente também relacionou o episódio à investigação aberta pelo USTR envolvendo o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Segundo Lula, a família Bolsonaro estaria atuando contra um dos principais instrumentos de inovação financeira do país.

“Eles querem entregar o Pix a interesses estrangeiros. Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele”, afirmou.

Lula acrescentou ainda que defender o fim do Mercosul representaria “outro ataque ao interesse do povo brasileiro”.

Governo mantém negociação com os Estados Unidos

Apesar das críticas à postura de Flávio Bolsonaro, Lula reiterou que o Brasil continuará buscando uma solução diplomática para a disputa comercial com os Estados Unidos.

Segundo o presidente, o governo brasileiro seguirá dialogando “de igual para igual” com qualquer país, inclusive com os Estados Unidos.

O governo federal tenta impedir que entre em vigor, após 15 de julho, a tarifa adicional de 25% recomendada pelo USTR ao fim da investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Em entrevista exclusiva ao Valor Econômico, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que, caso a medida seja efetivamente implementada pelo governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, o Brasil buscará negociar a redução da alíquota, a suspensão da medida e a exclusão de setores considerados sensíveis, estratégia semelhante à adotada durante o primeiro tarifaço aplicado no ano passado.

*Com informações do Brasil247.

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