Presidente do BNDES afirma que entregar aos Estados Unidos acesso a informações estratégicas sobre terras raras, minerais críticos e Margem Equatorial é “inaceitável” e representa risco ao Brasil
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aluizio Mercadante, fez duras críticas à proposta do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de permitir a participação dos Estados Unidos em um eventual governo de transição. Para Mercadante, a iniciativa representa uma ameaça direta à soberania nacional e evidencia uma postura de subordinação dos interesses brasileiros a uma potência estrangeira.
As declarações foram feitas nesta sexta-feira (3), após o lançamento de projetos de recuperação da Mata Atlântica na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). A informação foi publicada inicialmente pelo Broadcast, em reportagem da jornalista Denise Luna.
Mercadante foi categórico ao rejeitar qualquer possibilidade de compartilhamento de informações estratégicas do Estado brasileiro com outro país. “Acesso dos EUA a dados de terras raras e da Margem Equatorial é risco soberano. Falo como quem fez parte do grupo de transição, são informações estratégicas”, afirmou.
A manifestação do presidente do BNDES ocorre após a divulgação de uma carta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, dirigida a Flávio Bolsonaro, na qual veio a público o convite feito pelo parlamentar para que o governo norte-americano participasse da transição de governo, caso ele fosse eleito presidente.
Mercadante alerta para informações estratégicas do Estado
Ao explicar por que considera a proposta “inaceitável”, Mercadante lembrou sua experiência na equipe de transição entre os governos Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, os integrantes da equipe tiveram acesso a informações de altíssimo valor estratégico para o país.
“Fomos visitar o Cenpes antes da licença para exploração da Margem Equatorial. Lá você vê o subsolo, toda a área semelhante ao pré-sal, o potencial, onde já tinham reservas na região, são informações estratégicas e que nunca vazaram. Fomos ao Ministério da Defesa e você vê todas as necessidades de defesa do País, as prioridades, onde vão investir”, declarou.
O presidente do BNDES ressaltou que uma equipe de transição tem acesso privilegiado a informações sensíveis sobre recursos naturais, infraestrutura, defesa e planejamento estatal, justamente para garantir a continuidade administrativa entre governos democraticamente eleitos.
Terras raras e minerais críticos estão entre os ativos mais disputados do mundo
Mercadante destacou ainda que o BNDES reúne um vasto conjunto de informações sobre terras raras e minerais críticos, recursos considerados estratégicos para as indústrias de alta tecnologia, da defesa e da transição energética.
“Isso aqui é o mapa da mina dos minerais críticos e minerais estratégicos do País. Como você pode oferecer para uma nação estrangeira, que ela participe da transição e tenha acesso a essas informações?”, questionou.
Nos últimos anos, a disputa internacional por minerais críticos tornou-se um dos principais eixos da competição geopolítica entre as grandes potências, tornando ainda mais sensível qualquer hipótese de compartilhamento de dados estratégicos sobre essas riquezas nacionais.
“Isso não vai acontecer”, afirma Mercadante
Ao concluir sua manifestação, Mercadante também demonstrou confiança de que o cenário aventado por Flávio Bolsonaro não se concretizará.
“Mas isso só aconteceria se (Flávio) vencesse a eleição, e isso não vai acontecer”, afirmou.
As declarações reforçam o debate sobre soberania nacional, controle de recursos estratégicos e o papel do Estado na proteção de informações sensíveis relacionadas à defesa, à exploração mineral e ao potencial energético brasileiro.
*Com informações do Brasil247.



