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Brasil é grande e autônomo para lidar com cenário externo adverso, diz Haddad

Ministro da Fazenda afirma que país tem boas condições para enfrentar momento de tensão geopolítica e que Lula tem papel muito importante no plano internacional

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou, nesta terça-feira (3), que “o Brasil é grande e autônomo o suficiente para se preparar” para o cenário que poderá surgir a partir dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã e que o presidente Lula “tem um papel muito importante neste momento de recrudescimento das tensões” por ser uma “voz respeitada” no mundo.

As afirmações foram feitas durante entrevista ao programa “Alô alô, Brasil”, da Rádio Nacional, que teve como um dos pontos centrais os desdobramentos para o Brasil, sobretudo econômicos, do mais novo conflito no Oriente Médio.

“O Brasil é grande e autônomo o suficiente para se preparar. O Brasil não depende de petróleo, é um dos maiores produtores de petróleo do mundo — sobretudo graças ao pré-sal, fruto de investimentos na Petrobras no segundo governo Lula”, salientou Haddad.

Além disso, prosseguiu o ministro, “temos reservas cambiais, não temos dívida externa — é importante que nós não devemos em moeda forte, nós somos credores líquidos internacionais — e nós temos energia limpa”.

Apesar desses pontos positivos que o país acumula, Haddad salientou que “temos sempre de olhar com humildade e não sobrevalorizar as nossas forças, mas também não desconsiderá-las”.

Na avaliação do ministro, “conflitos dessa escala sempre afetam diversas variáveis, sobretudo as expectativas futuras. “Mexe-se na moeda, mexe-se na taxa de juros, essas coisas mudam com base na gravidade dos acontecimentos. E a reação iraniana foi maior do que a esperada, foi uma reação forte. Agora, nós não sabemos — hoje e internamente — a dimensão do quanto isso pode escalar.”

Diante de um cenário que não depende diretamente da atuação do Brasil, Haddad argumentou que cabe ao país preparar-se para quaisquer desdobramentos. “Foi o que fizemos quando aconteceu o tarifaço do Trump, quando há um evento climático severo — a equipe econômica sempre procura montar cenários e se preparar para qualquer um deles. É assim que funciona quando você não tem o controle de uma situação que é externa ao país”.

Medo da China

Para Fernando Haddad, a postura que Donald Trump tem adotado internacionalmente tem a ver com questões externas e internas aos EUA.

Um deles, explicou, é que “a China assusta demais os EUA — todas essas movimentações têm muito a ver com a China. Tanto o que aconteceu com a Venezuela quanto com o Irã tem relação com a questão do petróleo e da dependência da China da importação de 11 a 12 milhões de barris por dia de petróleo”.

Ele acrescentou que por trás desses movimentos geopolíticos está “certo inconformismo com esse advento, com essa novidade no cenário geopolítico internacional, que é a força econômica e militar da China”.

Outro ponto que, na avaliação de Haddad, explica as ações de Trump são os problemas domésticos que o presidente estadunidense está enfrentando. “Muitas vezes, infelizmente, a política externa decorre das dificuldades internas que um governante está vivendo e o fato de Trump estar com um desgaste interno muito grande — teve uma grande derrota na Suprema Corte em relação às tarifas, está tendo uma exposição enorme em função dos arquivos que estão vindo à tona envolvendo temas sensíveis (arquivos Epstein) — tudo isso forma um caldo muito ruim, sobretudo quando envolve a maior potência militar do planeta”, ponderou.

Mas, ressaltou: “nós estamos em boas mãos — temos um presidente que se movimenta muito bem no cenário internacional e vai saber conduzir o país neste momento”.

Lula no mundo

Em outro momento da conversa, Haddad destacou — como outra vantagem do Brasil no quadro atual — a forma como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é visto internacionalmente. “Lula tem um papel muito importante neste momento de recrudescimento das tensões porque ele é uma voz respeitada por todos os lados”, opinou.

O ministro acrescentou que Lula “clama pela paz, mas com responsabilidade e com maturidade; é uma pessoa que sabe dos interesses que estão em jogo, que esses interesses muitas vezes são antagônicos e, como um negociador nato, sempre tenta construir caminhos em busca de relações geopolíticas mais estáveis”.

Taxa de juros

Durante a entrevista, de maneira indireta, Fernando Haddad criticou a atual taxa de juros, dizendo que a inflação “está dentro da banda estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (do Banco Central)”, e que “todo mundo dizia que a inflação do ano passado ia terminar entre 6% e 7% e terminou em 4,2%”.

Fazendo uma metáfora em que a taxa de juros é o “remédio” comumente usado para lidar com a “febre da inflação”, Haddad defendeu que é preciso “olhar para os dados, para a situação, e verificar qual dose (de juros) deve ser aplicada” porque “a dose é ruim para menos e para mais também; acertar a dose é a arte da política monetária”.

E concluiu: “A gente não sabe como é que esse conflito vai se desenrolar, como é que as coisas vão se suceder, mas é muito cedo para falar de uma reversão do que está mais ou menos contratado, que é um ciclo de cortes (da taxa Selic)”.

Com informações do Vermelho

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