O Brasil voltou ao radar dos investidores estrangeiros e passou a ser tratado por analistas internacionais como um dos destinos mais atraentes entre os mercados emergentes.
A avaliação foi publicada pela BBC News Brasil, com base em relatórios do Bank of America, Goldman Sachs, Instituto de Finanças Internacionais e entrevistas com especialistas ouvidos pela emissora.
O interesse externo é explicado por uma combinação de fatores: disparada dos preços do petróleo, valorização do real, juros ainda elevados, fluxo expressivo de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira e percepção de que o país está relativamente protegido de alguns choques globais.
“O Brasil tem sido apontado como um dos locais mais atraentes do mundo emergente”, afirmou Martín Castellano, chefe de pesquisa para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais.
Segundo ele, no entanto, há atenção crescente sobre o cenário eleitoral e seus possíveis impactos na política econômica.
Commodities impulsionam o Brasil
A guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, provocou forte alta nos preços do petróleo e aumentou a atratividade de países exportadores de energia e commodities.
De acordo com a BBC, os preços do combustível subiram mais de 30% desde o fim de fevereiro. Para economias importadoras, isso significa inflação, pressão cambial e perda de renda. Para exportadores líquidos, como o Brasil, o efeito pode ser positivo.
O FMI considera o Brasil um exportador líquido de energia. Isso significa que o país vende mais petróleo e derivados ao exterior do que compra.
Petya Koeva Brooks, vice-diretora do Departamento de Pesquisa do FMI, destacou ainda outro diferencial brasileiro: “É importante destacar também que o Brasil é um dos países com altíssima participação de energias renováveis, o que representa outro fator atenuante”.
Real se valoriza e Bolsa recebe capital estrangeiro
O real foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar em 2026 até meados de abril, com alta de 10,4%, segundo levantamento citado pela BBC.
Para Robin Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution e ex-estrategista-chefe de câmbio do Goldman Sachs, a crise no Oriente Médio criou uma espécie de “tempestade perfeita” para a moeda brasileira. Ele projetou que o dólar poderia cair abaixo de R$ 4,50.
O fluxo estrangeiro também cresceu na B3. Até 22 de abril, o capital externo na Bolsa somou R$ 64,42 bilhões em 2026, mais que o dobro de todo o volume registrado em 2025.
Segundo dados da consultoria Elos Ayta, 61,2% de tudo que entrou na Bolsa brasileira neste ano veio do exterior.
Bancos veem Brasil como aposta relevante
O Bank of America afirmou que investidores seguem confortáveis em manter exposição ao real e às ações brasileiras.
O Goldman Sachs também apontou o Brasil como beneficiário da alta do petróleo e avaliou que as ações brasileiras podem ter desempenho superior, especialmente diante da expectativa de cortes na taxa Selic.
A percepção é que, mesmo com turbulências recentes no Ibovespa, o movimento parece mais ligado a ajustes de fluxo após forte alta do que a uma deterioração dos fundamentos econômicos.

Riscos fiscais, eleições e fertilizantes
Apesar do otimismo, analistas apontam riscos. Entre eles estão as eleições presidenciais de outubro, a política fiscal e uma possível alta dos fertilizantes.
Castellano afirmou que a política fiscal segue sendo um ponto sensível: “A política fiscal tem sido uma espécie de calcanhar de Aquiles de longa data para a economia brasileira”.
Outro risco está no agronegócio. O Oriente Médio fornece cerca de um terço das importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados, enquanto o Irã responde por aproximadamente 20% das exportações brasileiras de milho.
Mesmo assim, especialistas ouvidos pela BBC avaliam que o Brasil aparece hoje como uma economia relativamente bem administrada, com mercado de trabalho aquecido, crescimento projetado pelo FMI e papel crescente como exportador global de petróleo.
“O Brasil está bem conectado globalmente e projetando sua imagem como um parceiro comercial confiável e previsível”, afirmou Colin Lewis, professor da London School of Economics.
Com informações do Brasil247
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