Comércio comemora a venda de produtos associados ao Mundial. Empresários avaliam que procura, principalmente de peças amarelas, aumenta à medida em que o país chega mais perto do hexa e a confiança do brasileiro vai aumentando
Por Manuela Sá* — Depois de a Seleção Brasileira avançar para as oitavas de final, comerciantes estão otimistas ao darem sequência ao ciclo de boas vendas impulsionado pelo Mundial. Nas ruas, mercados e shoppings, o amarelo, o verde e o azul chamam atenção de quem está interessado em enfeitar a casa ou ficar no clima para assistir ao jogo do Brasil contra a Noruega no domingo. No entanto, os torcedores podem encontrar dificuldades com estoques zerados. É nesse clima que lojistas e ambulantes esperam a chegada de torcedores para vender as derradeiras camisas e adereços e para repor os produtos.
No Mercado Norte, em Taguatinga, a vendedora Matilde Moura, de 69 anos, considera a Copa do Mundo, entre tantos eventos, o melhor período de negócios na loja Atacadão Biju. No local, há opções de adereços de cabelo, colares e brincos em verde e amarelo, com preços de R$ 10 a R$ 15. Ela conta que tem renovado o estoque semanalmente para acompanhar a saída dos produtos. A cada jogo, com a esperança estimulada, ela nota aumento no movimento. “Acho que as pessoas estão otimistas com o hexa”, opina.

À procura de acessórios para o aniversário de uma amiga com o tema Brasil, Edjane da Conceição, 46, encontrou opções que cabem no bolso dela. A busca por uma faixa não foi o único motivo que a levou ao Mercado Norte. Ela também queria uma roupa que fosse adequada para a festa e para torcer nos próximos jogos. “Depois da virada do Brasil contra o Japão, fiquei animada. Acho que temos chances de avançar na Copa. A felicidade com a eliminação da Alemanha também me deixou entusiasmada”, diz.

Moda
Dono da Plabier Modas, Placídio de Assis, 64, nota que, em relação ao Mundial de 2022, este ano está bem melhor, com um movimento mais “agitado”. A impressão do comerciante vai ao encontro com pesquisa do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista-DF), que estima um crescimento de, pelo menos, 8,4% nas vendas de itens relacionados ao evento, contra 6,2% da Copa anterior.

Nos próximos dias, a expectativa de Assis é de crescimento de 30% nos negócios. De acordo com o comerciante, há muitas pessoas que não compram enquanto o Brasil não estiver ganhando. Com camisas a partir de R$ 49, a saída maior é da peça em amarelo.
A mesma observação faz a vendedora Edna Antunes, 51, do Atacadão Biju, que também comemora o resultado comercial do campeonato até o momento. Os estoques de camisas estão quase no fim, mas as amarelas são as prediletas dos consumidores. Ela trabalha há 16 anos na loja e avalia que a procura, neste ano, foi “surpreendente”. Além da tradicional camisa, camisetas estilizadas com lantejoulas ou feitas de crochê despertam o interesse de quem gosta de unir moda e esporte. “Muitas mulheres apareceram à procura de opções para montar looks para cada jogo”, conta.

Estoques
A ambulante Ana Maria Campos, 45, vende as réplicas das camisas por R$ 25. Em dias normais, a saída é baixa. Entretanto, quando a Seleção Brasileira vai entrar em campo, a quantidade de gente interessada nos produtos de Ana mais do que dobra. “Vendo cerca de 10 a 15 camisas. No início do campeonato, cheguei a faturar mais de R$ 300 em um dia”, celebra.

Quem deseja a camisa oficial precisa se apressar, porque o item vem esgotando rapidamente. Na Free Corner, sobraram apenas duas peças azuis. O vendedor Josimar Pereira, 34, comemora que a loja superou a meta. “Tínhamos mais amarelas, mas, no decorrer do mês, elas acabaram muito rápido. Então, começamos a vender a azul, porque era a que mais tínhamos. Agora, estamos quase zerados”, detalha.

Na última segunda-feira (29/6), quando o Brasil jogou contra o Japão, os vendedores receberam diversas mensagens de consumidores perguntando sobre a disponibilidade de camisas oficiais, que custam a partir de R$ 450. Aqueles que foram assistir ao jogo no shopping também passaram pela loja. “Com a melhora do desempenho da Seleção, as pessoas têm nos procurado mais. No começo da fase de grupos, havia menos gente interessada”, relembra.
*Estagiária sob supervisão de Malcia Afonso



