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Em guerra com a Ucrânia há 4 anos, Rússia diz atuar com “inteligência”

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Porta-voz da Rússia, Dmitry Peskov, defende estratégia internacional em meio à guerra e à perda de foco global no conflito com a Ucrânia

Rússia afirmou que mantém uma atuação “inteligente” no cenário internacional, mesmo em meio à guerra com a Ucrânia, que completou quatro anos em 2026. A declaração foi feita pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, neste domingo (5/4) ao comentar a posição do país diante das transformações geopolíticas recentes.

Segundo Peskov, a abordagem russa segue sendo relevante, apesar das mudanças no cenário global e das diferentes narrativas internacionais.

“A abordagem inteligente da Rússia às Relações Internacionais é ‘clássica’ e ‘muito solicitada. Existem modas passageiras […], mas os clássicos são clássicos; eles perduram por séculos”, afirmou, ao comparar a estratégia do país a algo duradouro.

A fala reforça o discurso do presidente Vladimir Putin, que tem defendido o fortalecimento da diplomacia russa em um mundo cada vez mais instável. Em fevereiro, Putin afirmou que a importância da política externa do país cresce diante da turbulência internacional e destacou a necessidade de proteger os interesses nacionais.

Nesse contexto, Moscou também defende a consolidação de uma ordem mundial multipolar — posição reiterada pelo chanceler russo Sergey Lavrov, que afirma que esse modelo não será revertido.

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Guerra prolongada e cenário internacional

As declarações ocorrem em meio a um momento delicado do conflito no leste europeu. A guerra com a Ucrânia segue sem solução após quatro anos, enquanto o foco internacional passa por mudanças devido a outras crises, especialmente no Oriente Médio.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem alertado para o risco de o conflito perder prioridade na agenda global. Segundo ele, a intensificação de confrontos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel pode desviar a atenção e os recursos destinados à Ucrânia.

“Para Putin, uma longa guerra no Irã é uma vantagem”, afirmou Zelensky, ao destacar que o prolongamento de outros conflitos pode desgastar aliados ocidentais e reduzir o apoio a Kiev.

Negociações travadas

O cenário também afeta diretamente as negociações de paz. Autoridades ucranianas apontam que reuniões diplomáticas vêm sendo adiadas devido à concentração de esforços internacionais em outras crises.

O próprio Peskov reconheceu que as tratativas estão em uma “pausa situacional”, embora tenha indicado que novas rodadas podem ocorrer quando houver alinhamento entre as partes.

Apesar disso, a Rússia mantém diálogos paralelos, especialmente com os Estados Unidos, voltados à cooperação econômica, segundo autoridades do Kremlin.

A intensificação das tensões no Oriente Médio tem provocado uma reorganização das prioridades internacionais, reduzindo o espaço dedicado ao conflito no Leste Europeu. Para Kiev, esse deslocamento de foco impacta diretamente sua capacidade de articulação política e militar junto a aliados ocidentais, em especial os Estados Unidos e países europeus.

Já para Moscou, o conflito no Golfo Pérsico não é de todo modo ruim. A mudança no ambiente pode ajudar Putin a reverter o quadro econômico do país, que dava sinais claros de desgaste. Sob o peso das sanções impostas após o início da guerra da Ucrânia, as receitas caíam, o crédito se tornava restritivo e os setores produtivos enfrentavam dificuldades.

Com informações do Metrópoles

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