Ceilândia em Alerta — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de ajustar a estratégia de campanha para tentar reverter a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial, avalia a jornalista Tereza Cruvinel, em análise publicada pelo Brasil 247. Segundo a colunista, a disputa do segundo turno exigirá ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado e buscar votos principalmente no Sul e no Sudeste.
Lula terminou o primeiro turno com cerca de 45% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro ficou próximo dos 47%. A diferença foi de pouco mais de dois milhões de votos, cenário que, na avaliação de Cruvinel, mantém aberta a possibilidade de uma virada.
Sul e Sudeste no centro da estratégia
Na avaliação da colunista, Lula deverá buscar crescimento em regiões nas quais teve desempenho inferior ao obtido no Nordeste. Para ela, o presidente precisará conquistar eleitores de centro e também parcelas do eleitorado que votaram em candidatos de direita no primeiro turno.
Cruvinel considera que o Nordeste oferece menor espaço para crescimento da votação de Lula, devido ao desempenho já elevado do presidente na região. Por isso, a estratégia teria de priorizar estados do Sul e do Sudeste.
Abstenção pode ser alvo da campanha
Outro ponto destacado pela jornalista é o número de eleitores que não participaram do primeiro turno. Segundo os dados apresentados na análise, 33,4 milhões de eleitores, ou 21,08% do eleitorado, não compareceram às urnas.
Cruvinel também cita os votos brancos e nulos como parte do universo que poderá ser disputado pelos candidatos no segundo turno. Na avaliação dela, a campanha de Lula deverá tentar convencer esses eleitores a participar da nova votação.
O desafio é especialmente relevante porque, em uma disputa apertada, pequenas mudanças na participação eleitoral podem alterar a diferença entre os candidatos.
Diálogo com o centro e outros segmentos
A colunista também avalia que Lula terá de ampliar o diálogo com setores do centro político, além de buscar aproximação com segmentos econômicos, evangélicos e jovens.
Outra possibilidade apontada é a ampliação das alianças políticas, inclusive com partidos do chamado Centrão. Segundo Cruvinel, essas negociações podem ocorrer de maneira informal, diante da indefinição sobre o resultado do segundo turno.
A composição política do próximo governo também dependerá dos resultados obtidos nas eleições para o Congresso Nacional.
Comparação com 2006
Cruvinel também compara a atual disputa com a eleição presidencial de 2006, quando Lula enfrentou Geraldo Alckmin no segundo turno.
Naquele ano, Lula terminou o primeiro turno com 48,6% dos votos, contra 41,6% de Alckmin. No segundo turno, o petista ampliou sua votação e terminou a eleição com 60,8%.
A colunista ressalta, porém, que o cenário atual apresenta diferenças importantes. Agora, Lula enfrenta um candidato que terminou o primeiro turno à frente e terá de construir uma estratégia específica para reduzir a vantagem.
Senado terá maioria de direita
A análise também chama atenção para a composição do Senado após as eleições. Segundo os dados apresentados por Cruvinel, entre as 54 cadeiras em disputa, 43 ficaram com candidatos classificados pela colunista como de direita ou extrema-direita, enquanto 11 foram para nomes da esquerda ou centro-esquerda aliados de Lula.
Esse cenário poderá representar um desafio para um eventual novo mandato do presidente, especialmente na relação com o Congresso Nacional.
Para Cruvinel, a governabilidade seria um dos principais desafios de Lula caso consiga vencer o segundo turno. Antes disso, porém, o presidente terá de encontrar uma estratégia para superar a diferença registrada na primeira votação.
Fonte: Brasil 247 — Tereza Cruvinel



