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Fatos recentes escancaram as mentiras de Israel sobre o genocídio palestino

Quatro meses após sua assinatura, o cessar-fogo entre Israel e o Hamas mostra-se frágil, enquanto a situação dos palestinos em Gaza segue grave, instável e incerta. Em meio a tudo isso estão os planos de “reconstrução” traçados por Donald Trump, a retomada dos ataques israelenses e o descrédito crescente em Benjamin Netanyahu. Evidências que vieram à tona recentemente demonstram, mais uma vez, o quanto o primeiro-ministro mentiu para tentar manipular a opinião internacional a seu favor.

Há poucos dias, a imprensa local publicou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) acreditam que mais de 70 mil palestinos morreram entre outubro de 2023 e 2025, período em que Gaza foi brutalmente atacada pelo país. Além disso, outras 450 teriam sido mortas após o cessar-fogo.

A soma total representa cerca de 3,5% da população do território palestino. Apesar de sua enormidade, organismos internacionais acreditam que essa contagem possa estar subestimada.

O número se aproxima do que o Ministério da Saúde palestino vinha divulgando, mas Netanyahu e seu governo argumentavam que a conta estaria sendo inflada pelo Hamas.

A informação agora publicada não foi oficialmente reconhecida, mas não deixa de ser uma admissão, vinda de um importante órgão do governo, de que as estimativas estavam corretas e de que Israel cometeu, de fato, um genocídio, o que sempre foi negado por Netanyahu.

Uma das suas mais recentes negativas ocorreu durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, diante de um plenário esvaziado em protesto contra as ações de Israel. Na ocasião, ele também mentiu que houvesse fome devido às condições impostas por seu governo à população palestina.

A mentira como método

Na avaliação do professor de Relações Internacionais da PUC-SP, Reginaldo Nasser, o reconhecimento desse número pelo IDF “fere bastante a credibilidade do governo de Israel e reafirma aquilo que os palestinos estavam dizendo”.

Nasser acrescenta que a esse fato somam-se outros dois, também recentes, que descredibilizam ainda mais Netanyahu e colocam em xeque sua atuação nesses anos de ataques.

Em janeiro deste ano, a imprensa internacional divulgou que, em 2024, durante o governo de Joe Biden, o então embaixador dos Estados Unidos em Israel, Jack Lew, e sua vice, Stephanie Hallett, bloquearam a divulgação de relatórios internos alarmantes sobre a situação humanitária em Gaza.

O documento, feito pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), usava o termo “deserto apocalíptico” para classificar o cenário de horror em Gaza, com restos de corpos e pessoas famélicas pelas ruas.

Outro dado lembrado pelo professor a contradizer o discurso israelense consta do jornal The Guardian. Segundo noticiado, pesquisadores da Human Rights Watch (HRW), incluindo o diretor para Israel e Palestina, Omar Shakir, renunciaram aos seus cargos nesta terça (3) em protesto contra a decisão da organização de impedir a publicação de um relatório contundente sobre a situação dos palestinos. Entre outros pontos, o documento apontava que a proibição de retorno de refugiados constitui um “crime contra a humanidade”.

Nasser lembra que “as evidências desse genocídio não vieram de uma apuração a posteriori — o que frequentemente acontece. Tudo está sendo filmado e relatado ao vivo”, o que reforça a omissão de outras potências em relação à crise palestina e aos desmandos israelenses.

Perspectivas desanimadoras

A esse cenário de morte, miséria e alto grau de destruição, somam-se outras questões que formam um quadro desanimador para a formação de um Estado palestino. Entre elas estão, por exemplo, os planos de ocupação de Israel e dos EUA (que excluem a Autoridade Palestina); a divisão da população entre Gaza e Cisjordânia e a existência de 700 mil colonos israelenses na Cisjordânia, que certamente não serão retirados de lá.

“A perspectiva de criação do Estado palestino é cada vez mais distante”, comenta Nasser. Ele acrescenta que mesmo que a Autoridade Palestina participasse do processo de “reconstrução” proposto, “obviamente iria ser um fantoche; afinal, todo o desenho dessa ocupação é feito pelos Estados Unidos com Israel, assim como estão com eles os recursos e as estruturas militares”.

Ainda assim, o professor aponta que há um claro impasse na região: “apesar de seu imenso poder bélico e do apoio que tem da maior potência militar do planeta, Israel não conseguiu derrotar o Hamas, nem ocupar definitivamente Gaza”.

Ele conclui dizendo que, diante desse quadro geral, “é bem provável também que essa tentativa de ocupar Gaza, esse projeto dos EUA, caia por terra. Não só porque é injusto, ilegítimo e desumano, mas porque eles de fato não vão conseguir. É um impasse que, infelizmente, vai permanecer à custa de muito sofrimento e de muita vida”.

Com informações do Vermelho

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