Violência bolsonarista esculhamba até com o Carnaval de Porto Alegre

A professora trans Luan Gonçalves da Cunha. Foto: Reprodução

A extrema direita conseguiu. O Carnaval de rua de Porto Alegre virou caso de polícia. As TVs mostraram milhares de foliões nas ruas de todas as capitais. Mas não em Porto Alegre, onde só os bravos se arriscaram a fazer festa, por medo da repressão e da violência policial, como aconteceu no sábado passado.

O prefeito bolsonarista Sebastião Melo determinou que, por não poder oferecer policiamento, e porque a festa acontece historicamente em uma área residencial da chamada Cidade Baixa, não haveria Carnaval ali esse ano. Mas centenas afrontaram a proibição e foram às ruas no sábado.

A Brigada Militar apareceu, com a cavalaria, acionada por queixosos, e passou a exigir o desbloqueio da rua. Um grupo foi reprimido, sob a acusação de ter partido pra cima dos brigadianos, e ocorreu então um caso que o advogado Ramiro Goulart, que defende um grupo de agredidos, define como de extrema violência.

A professora e estudante de ciências sociais Bruno Luan Gonçalves Dias (foto), que se identifica como trans, que estava num bar na Rua Lima e Silva, foi imobilizada por um grupo de policiais e jogada no chão.

Goulart tem relatos de testemunhas que asseguram que Luan foi contida com violência durante pelo menos 15 minutos. Boa parte já no chão. “Só não foi sufocada pela intervenção de outro policial e pela reação de pessoas que estavam próximas”.

Uma testemunha disse ao advogado, que está defendendo Luan, que um policial colocou o joelho sobre o pescoço da estudante: “Começa uma sessão de tortura, como fizeram com George Floyd (o homem negro morto por policiais em Minneapolis, nos Estados Unidos, em 2020)”.

A própria Luan conta: “Me jogaram no chão e eu comecei a ser brutalmente espancada. Tipo tortura. Não teve resistência, não teve discussão, eu só comecei a apanhar”.

Luan é negra. É trans. Pesa menos de 50 quilos. Uma testemunha continua: “Eram três ou quatro policiais em cima dela, enquanto ela gritava: estou rendida, estou rendida, para, para. E eles dando soco na cara dela no chão”.

Jogaram spray de pimenta na cara de Luan, já imobilizada. Que foi algemada e jogada contra uma parede. Ao ser conduzia para a viatura, teve a cabeça jogada contra a lataria do veículo “produzindo – conta a testemunha – um ruído que foi ouvido à distância”.

Luan foi detida sob a acusação de ter desacatado os policiais, e depois liberada. Um grupo de pelo menos 20 pessoas que estavam na rua procurou Ramiro Goulart no dia seguinte, para que os policiais sejam identificados e responsabilizados inclusive por possível tentativa de homicídio.

“Luan chegou a fingir que havia desmaiado, para tentar sobreviver”, conta o advogado, a partir dos relatos das testemunhas. Pessoas que tentaram intervir para salvar Luan também teriam sido ofendidas e atacadas com gás de pimenta pelos PMs.

Uma pessoa foi atingida nas pernas por disparos que seriam de balas de borracha. Imagens dos ferimentos estão com Goulart. Além de Luan, mais duas pessoas, identificadas como Adriane e Theo, foram detidas. Theo foi o atingido pelos disparos.

Ramiro Goulart assegura: “Vou defendê-los quantos aos termos circunstanciados e apresentar notícia-crime em relação aos excessos da Brigada Militar”.

E assim o Carnaval de rua de Porto Alegre foi notícia no Brasil, enquanto muitos insistiram em desafiar o prefeito e a PM, mesmo na Cidade Baixa interditada e em áreas da zona norte da cidade.

A extrema direita, que governa o Estado e a capital, transformou Porto Alegre numa cidade sequelada até no Carnaval. Que venha a quaresma.

(Compartilho abaixo a reportagem do SBT, que produziu um bom resumo dos fatos)

Com informações do Diário do Centro do Mundo

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