Caso Master: ex-presidente do BRB é transferido para delatar

Paulo Henrique Costa deixa Presídio da Papuda e vai para o 19º Batalhão da PM, em mais um passo rumo à colaboração premiada

Após avanços no acordo de delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que já entregou a proposta de colaboração, agora é a vez do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, que deixou nessa sexta-feira o Presídio da Papuda e vai ficar numa sala de estado-maior no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão do magistrado é um passo importante para viabilizar as tratativas do executivo com as autoridades que atuam na Operação Compliance Zero.

A ordem de Mendonça ocorreu após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e atendeu a um pedido dos advogados de Costa. Na Papudinha, ele terá maior facilidade de contato com os investigadores da Polícia Federal, assim como será mais viável que preste depoimentos para contar o que sabe. A outra opção de transferência seria a Superintendência da Polícia Federal. Porém, lá está Daniel Vorcaro, apontado como uma das lideranças do esquema envolvendo as fraudes.

Os investigadores trabalham com a hipótese de desvendar o caso sem as colaborações, tendo em vista o avanço das diligências nos últimos dias, especialmente em relação a buscas realizadas contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Mensagens apreendidas durante a Operação Compliance Zero, que também apura fraudes envolvendo o Banco de Brasília (BRB), ajudaram a entender o esquema, inclusive o papel de autoridades com foro por prerrogativa de função.

No entanto, as delações podem ser relevantes para a conclusão de um inquérito mais robusto. A Polícia Federal pedirá a prorrogação das investigações, a fim de aprofundar as informações do caso. Ainda falta avaliar o conteúdo encontrado em seis celulares de Daniel Vorcaro, que manteve conversas com diversos políticos e empresários.

“Andar de cima”

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou, nessa sexta-feira, que a corporação atua contra o “andar de cima” do crime organizado, no caso do Banco Master. Ele fez as declarações ao ser questionado sobre a operação que mirou Ciro Nogueira.

“É um processo que tramita em sigilo e tem todas as etapas ali (caso Master). Mas é mais um trabalho que a Polícia Federal cumpre ao dito andar de cima do crime organizado, e nós vamos seguir colhendo provas, fazendo análises e encaminhando ao Poder Judiciário as nossas conclusões”, disse ele, em entrevista coletiva, durante cerimônia de formação de 600 novos policiais federais, em Brasília.

Rodrigues negou que a ação contra Ciro Nogueira tenha sido feito para pressionar Vorcaro, que tenta a delação premiada. O diretor-geral da PF afirmou ainda que, caso o conteúdo da colaboração do ex-banqueiro não seja satisfatório para a investigação, ela será negada.

“Não vou entrar no mérito, pois desconheço os termos de delação eventualmente em curso. Mas a delação segue um fluxo legal. Ela tem todos os elementos para ser válida, ser aceita pela Polícia Federal ou pelo MPF e depois validada pelo Poder Judiciário. Se ela não atender esses quesitos, ela não é validada, e o processo segue seu curso”, completou.

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