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Sachs diz que Trump é sociopata e deve ser afastado para salvar a economia global

O economista Jeffrey Sachs afirmou que a guerra contra o Irã está acelerando a desorganização da ordem internacional liderada pelos Estados Unidos e expondo, ao mesmo tempo, o caráter errático do governo do presidente Donald Trump e os limites reais do poder militar americano. Em entrevista ao canal do YouTube apresentado por Glenn Diesen, Sachs sustentou que o conflito não pode ser compreendido apenas como uma crise regional, mas como parte de uma disputa mais ampla sobre hegemonia, soberania e rearranjo do sistema internacional.

Ao longo da conversa, Sachs argumenta que os impactos da guerra já atingem a economia global, o equilíbrio geopolítico e os sistemas de alianças que, durante décadas, foram estruturados em torno da proteção militar dos Estados Unidos. Para ele, o problema central é que muitos países — da Europa ao Golfo, passando pelo Leste Asiático — apostaram sua segurança em uma potência cuja liderança está em declínio e cuja condução política se tornou cada vez mais imprevisível.

Sachs vê combinação explosiva entre impulsividade política e crise de hegemonia

Na avaliação do economista, dois fenômenos estão ocorrendo simultaneamente no Irã, na Ucrânia e em outras frentes de tensão. O primeiro é o que ele chama de comportamento “extraordinariamente errático” do governo dos Estados Unidos, personificado em Donald Trump. O segundo é a erosão da crença de que os EUA continuam capazes de dominar qualquer campo de batalha por meio da força bruta e da doutrina do “choque e pavor”.

Sachs foi direto ao qualificar a postura da Casa Branca. Segundo ele, “ninguém consegue racionalizar a desfaçatez, a ilegalidade, a crueldade das ações dos EUA e da retórica de Trump”. Em seguida, destacou uma das falas do presidente dos Estados Unidos sobre o Irã, que, segundo ele, causou espanto internacional: “Sua frase sobre enviar o Irã de volta à Idade da Pedra chocou todo o mundo.”

O economista também associou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, à escalada verbal e militar. Ao comentar um discurso do premiê israelense, Sachs afirmou que se trata de uma retórica de brutalidade extrema, marcada por referências bíblicas que, em sua visão, projetam uma lógica de guerra sem limites.

“Regime violento e sem lei”

Sachs afirmou que há, tanto no exterior quanto dentro dos próprios Estados Unidos, uma percepção crescente de que o país vive sob um “regime absolutamente violento e sem lei”. Em sua leitura, isso não decorre apenas da retórica, mas também das ações militares e da celebração pública da destruição.

Ele citou, por exemplo, a reação de Trump a um ataque contra uma ponte, que matou civis, como evidência da degradação moral do comando político. Para Sachs, o fato de o presidente demonstrar satisfação diante de um episódio com mortes de não combatentes mostra que a brutalidade deixou de ser periférica e passou ao centro do discurso oficial.

Esse diagnóstico se conecta, segundo ele, à segunda grande questão do momento: a credibilidade do poder militar dos EUA.

Poder militar dos EUA é contestado, diz economista

Sachs lembrou que a tese da supremacia militar americana já foi desmentida em conflitos anteriores, do Vietnã ao Afeganistão, passando pela América Central e pelo Oriente Médio. Ainda assim, segundo ele, a mesma fórmula é reapresentada repetidamente: a de que o poderio militar dos EUA seria esmagador e inevitavelmente produziria submissão do adversário.

Para o economista, os acontecimentos recentes contradizem essa narrativa. Ele observou que, logo após Trump reiterar a ideia de força avassaladora, surgiram notícias sobre a derrubada de aviões de combate dos Estados Unidos, contra-ataques em Israel e na região do Golfo e sinais de dificuldades defensivas diante da capacidade de retaliação do Irã.

Nas palavras de Sachs, “a alegação americana e israelense de ‘choque e pavor’ esmagando o governo iraniano não é verdadeira”. Ao contrário, afirmou, “parece haver muita preocupação sob a superfície” com a capacidade de defesa diante de ataques iranianos, especialmente com mísseis.

Risco de escalada para uma guerra nuclear

Um dos trechos mais graves da entrevista é aquele em que Sachs alerta para o risco de uma escalada de proporções catastróficas. Para ele, o conflito pode se expandir e, “sem dúvida”, chegar ao patamar de uma guerra nuclear.

Ao descrever a postura israelense, o economista afirmou que o nível de violência e desumanização sugere ausência de limites. Em sua interpretação, trata-se de algo que não é apenas tático, mas ideológico.

Ao comparar Estados Unidos e Israel, Sachs apontou uma diferença importante. Segundo ele, a opinião pública americana rejeita amplamente a guerra, enquanto em Israel haveria maior apoio social à escalada.

“Uma guerra por capricho”

Questionado sobre como o conflito poderia terminar, Sachs admitiu não ver uma saída positiva clara. Ele destacou que a grande diferença, neste caso, está entre o que Trump pode fazer e o que ele está disposto a fazer. Em tese, afirmou, o presidente dos Estados Unidos “pode e deve arrumar as malas e ir para casa”, mas considerou isso pouco provável.

Ele resumiu sua avaliação com uma formulação contundente: “Isso realmente parece ser uma guerra por capricho.” E acrescentou que sequer é possível compreender claramente os objetivos do conflito.

Sachs diz que Trump é sociopata e alerta para risco global

Embora destaque fatores estruturais, Sachs atribui peso decisivo à personalidade de Donald Trump. Segundo ele, há um componente psicológico relevante na condução da guerra.

Em uma das declarações mais fortes da entrevista, afirmou: “Donald Trump é psicopático.” Para o economista, trata-se de um líder que não processa informações de forma racional e age de maneira impulsiva, paranoica e megalomaníaca.

Ele também indicou que esse tipo de liderança dificulta qualquer recuo. Segundo Sachs, figuras com esse perfil tendem a encarar conflitos como testes pessoais de poder, o que torna a desescalada muito mais difícil.

Interesses econômicos e militares também impulsionam o conflito

Sachs também chamou atenção para os interesses financeiros por trás da guerra. Ele citou empresas de tecnologia e defesa que utilizam conflitos como campo de teste para novos sistemas militares baseados em inteligência artificial.

Segundo ele, há “dezenas ou centenas de bilhões de dólares” em jogo, além de interesses políticos e econômicos ligados ao complexo militar-industrial.

Sachs pede ação de líderes globais

Como possível caminho para conter a escalada, Sachs defendeu que líderes como Vladimir Putin, Xi Jinping e Narendra Modi intervenham politicamente para pressionar Trump a interromper o conflito.

Segundo ele, o presidente dos Estados Unidos tende a ouvir dirigentes que considera seus pares. Por isso, afirmou: “Eles precisam dizer a ele para parar.”

Recado a aliados dos EUA

Outro ponto central da entrevista foi o alerta aos aliados de Washington. Sachs afirmou que países europeus e do Golfo precisam abandonar a dependência militar dos Estados Unidos e buscar maior autonomia estratégica.

Ele citou a famosa frase atribuída a Henry Kissinger: “Ser inimigo dos Estados Unidos é perigoso, mas ser amigo é fatal.”

Mundo multipolar exige nova estratégia

Para Sachs, o mundo já é multipolar e exige uma nova lógica de segurança baseada na cooperação regional e no equilíbrio entre potências. Segundo ele, a insistência na hegemonia americana é uma ilusão perigosa.

Ele concluiu com um apelo aos governos: “Olhem para a sua vizinhança, sejam amigos dos seus vizinhos. Não deixem o império americano dividir a sua própria região.”

Na avaliação do economista, a guerra contra o Irã escancarou uma realidade que já vinha se desenhando há anos: o fim da hegemonia absoluta dos Estados Unidos e a necessidade urgente de reorganização da ordem global.

Com informações do Brasil247

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