Governo Trump quer ampliar ofensiva contra cartéis latino-americanos e acende alerta no Brasil sobre o risco de sanções e até de intervenções militares
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova estratégia nacional de combate ao terrorismo que coloca os cartéis de drogas no centro da política de segurança estadunidense. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (6) pelo diretor sênior de contraterrorismo do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Sebastian Gorka. As informações são do G1.
A nova diretriz reforça a política do governo Trump de tratar organizações criminosas ligadas ao narcotráfico como grupos terroristas. O anúncio acontece um dia antes do encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Washington, onde o combate ao crime organizado deve ser um dos principais temas da agenda bilateral.
Estratégia amplia foco antiterrorismo
Durante coletiva de imprensa, Sebastian Gorka afirmou que o documento foi assinado por Trump na terça-feira (5), com foco na proteção dos interesses dos Estados Unidos.
“Nossa nova estratégia de contraterrorismo prioriza, em primeiro lugar, a neutralização de ameaças terroristas hemisféricas por meio da incapacitação das operações dos cartéis até que esses grupos sejam incapazes de levar suas drogas, seus membros e suas vítimas de tráfico para os Estados Unidos”, declarou Gorka.
Segundo o assessor da Casa Branca, a estratégia também prevê ações dentro do território estadunidense contra grupos classificados pelo governo como violentos e antiamericanos. Entre eles, Gorka citou a Antifa.
“Estamos levando ideologia e contraideologia muito a sério”, afirmou. “Seja contra a civilização ocidental, os Estados Unidos, a Constituição americana, nossos amigos, nossos aliados, a paz em geral.”
A revista Time destacou que a nova política amplia o conceito tradicional de terrorismo adotado pelos Estados Unidos, historicamente associado a grupos extremistas islâmicos. Agora, o governo Trump passa a incluir organizações criminosas transnacionais, como cartéis de drogas, e movimentos políticos considerados violentos pela Casa Branca.
Governo Lula tenta barrar classificação de facções
A nova política estadunidense ocorre em meio à preocupação do governo brasileiro com a possibilidade de facções criminosas do país serem classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Lula pretende defender junto a Trump que o Brasil já trata o crime organizado como prioridade e aposta na cooperação internacional para enfrentar o problema.
Auxiliares do presidente brasileiro afirmam que o Palácio do Planalto teme que uma eventual classificação de facções como grupos terroristas abra espaço para medidas mais duras por parte dos Estados Unidos.
Em março, o jornal The New York Times informou que o governo estadunidense valiava classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A possibilidade já vinha sendo discutida desde 2025, quando o governo Trump intensificou sua ofensiva contra cartéis latino-americanos.
Casa Branca pressiona aliados
Sebastian Gorka também afirmou que os Estados Unidos vão ampliar a cooperação internacional no combate ao terrorismo e ao narcotráfico. Segundo ele, uma reunião com países aliados deve ocorrer nesta sexta-feira (8).
“Temos uma métrica muito simples: se vocês querem ser considerados uma nação séria, seja protegendo petroleiros no Estreito de Ormuz ou combatendo ameaças jihadistas no Sahel africano, esperamos mais de vocês”, declarou.
Nos últimos meses, o combate ao narcotráfico passou a ser tratado pela Casa Branca como tema de segurança nacional. O governo dos Estados Unidos promoveu encontros com líderes latino-americanos, intensificou ações contra rotas do tráfico no Caribe e no Pacífico e ampliou operações de cooperação regional voltadas ao enfrentamento do crime organizado.
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