
Trata-se, portanto, de uma oportunidade de derrotar a direita golpista, aproveitando o momento favorável para a mobilização contra o governo. Durante as mobilizações pela educação em maio, a palavra de ordem predominante entre os manifestantes foi o Fora Bolsonaro!, entre outras versões menos politizadas dessa mesma reivindicação, com xingamentos ao golpista na presidência. Embora o chamado ao protesto tivesse se dado em torno de uma questão parcial, a manifestação tomou espontaneamente um caráter de oposição ao governo em geral.
No mês seguinte, durante o dia de “greve geral”, em 14 de junho, novamente a palavra-de-ordem central era relativa a uma medida específica do governo Bolsonaro: a chamada “reforma” da Previdência. Porém, o “grito de guerra” que predominou mais uma vez foi o Fora Bolsonaro!, indicando uma demanda no interior do próprio movimento por protestos pela saída do governo.
Essa inclinação das massas a protestar contra o governo deve ser aproveitada. O risco de as lideranças de grandes organizações de esquerda continuarem insistindo apenas em pautas parciais é levar a uma desmoralização pela coleção de sucessivas derrotas populares diante de diferentes ataques do governo. Uma palavra de ordem mais geral e política, por outro lado, pode acumular forças em torno de um objetivo comum, que de qualquer forma tem se expressado protestos após protesto pelo país.
E para que o povo nas ruas realmente possa chegar ao ponto de encurralar o governo golpista é preciso que as manifestações sejam muito mais constantes. Além das pautas dispersas e isoladas, os próprios protestos têm sido até agora realizados com grande tempo de um intervalo entre um e outro, aparentemente com a intenção de levar adiante uma política de mero desgaste eleitoral do governo, até 2022.
O perigo de esperar mais é a possibilidade de que o governo consiga se estabilizar e se consolidar, derrotando as massas e impondo seu programa liberal ao povo brasileiro. A tendência à mobilização pelo fim do governo é patente e precisa ser materializada. Sob pena de a direita se fortalecer, esmagar as organizações populares e operárias e impor um enorme retrocesso a luta dos trabalhadores.
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