Luciana Costa alerta que juros elevados podem travar o ciclo da infraestrutura no país
O Brasil vive um dos períodos mais intensos de investimentos em infraestrutura de sua história recente, com mais de R$ 260 bilhões movimentados em 2025. O ritmo, porém, pode perder força caso o país mantenha o atual nível de juros, avalia Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES.
Em entrevista ao C-Level Entrevista, da Folha de S.Paulo, a executiva disse que há espaço para iniciar a redução das taxas ainda este ano. “Não dá para crescer tanto o investimento em infraestrutura com o nível que [o juro] está. O Brasil tem uma das taxas reais mais altas do mundo e ela é uma concorrente direta do nosso investimento”, afirmou.
Ciclo de infraestrutura em risco
Luciana Costa considera que o atual ciclo de expansão do setor é sólido, sustentado por segurança jurídica e avanços regulatórios. “Não é um voo de galinha, porque o país vem amadurecendo os marcos regulatórios nos vários setores de infraestrutura. O investidor internacional enxerga o Brasil como um lugar onde os contratos são honrados”, destacou.
Ela observa, contudo, que a entrada de fundos de investimento muda o perfil das demandas. “Alguns setores, como o de mobilidade urbana, precisam ter uma regulação melhor. Os investidores desses fundos cobram retorno mais rápido e o país precisa se adaptar a essa nova realidade”, explicou.
Juros e custo do capital: o grande obstáculo
A diretora destaca que o maior desafio para sustentar o ritmo dos investimentos é o custo do dinheiro. “O grande insumo, a grande variável de investimento de infraestrutura é taxa de juros. É o custo do dinheiro. Mais do que regulação e segurança jurídica”, pontuou.
Para ela, o momento exige ação imediata do Banco Central. “Acho que está na hora de reduzir, sim, a taxa de juros. A inflação está sob controle e não vejo por que manter o patamar atual”, completou.
Equilíbrio financeiro e relação com o governo
Luciana Costa também comentou sobre a política de dividendos do BNDES e o diálogo com o Ministério da Fazenda. “Tem uma negociação muito justa de quanto a gente vai pagar de dividendos sem comprometer o balanço do BNDES. O presidente [Aloizio] Mercadante é muito próximo do ministro Fernando Haddad, e isso garante bom diálogo”, afirmou.
Inovação e nova economia
O braço de participações do banco, o BNDESPar, voltou a investir em empresas inovadoras. “Nós fizemos dois investimentos: um na Eve, da Embraer, e outro em uma empresa de bioinsumo. São duas vertentes da nova economia”, disse.
Ela acrescenta que o objetivo é preencher lacunas de mercado: “O BNDESPar vai colocar dinheiro em empresas para tentar fechar gaps de mercado, seja investindo diretamente, seja por meio de fundos.”
Projetos sustentáveis e legado para a COP30
Com foco na sustentabilidade, o banco aprovou R$ 14 bilhões em empréstimos para o Pará, com o objetivo de deixar um legado para Belém, sede da COP30. “Nossa grande preocupação é deixar um legado para a cidade. Belém sofre muito com alagamentos e enchentes. Estamos investindo mais de R$ 800 milhões em obras de macrodrenagem e mobilidade urbana”, disse Costa.
Ela também destacou a maior chamada de investimentos climáticos da história do banco: “São R$ 5 bilhões que o BNDES vai alocar em fundos geridos por gestores privados, locais e internacionais. Para cada real colocado, o mercado terá que trazer mais três.”
Obras avançadas e perspectivas positivas
A diretora afirma que o andamento das obras é satisfatório. “Na macrodrenagem, tem obra que já está 97% concluída. A gente não espera atrasos significativos”, concluiu.
Com informações do brasil247
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