Segundo o empresário, os EUA enfrentam o maior preço da carne bovina da história e precisam recorrer a importações para atender à demanda interna
A crescente demanda por dietas ricas em proteína está tornando os Estados Unidos cada vez mais dependentes da importação de carne bovina, mesmo com o aumento das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. A informação foi publicada pelo Financial Times e reproduzida pelo Valor Econômico neste domingo (5).
Em entrevista concedida durante a conferência de consumidores do banco Rothschild, em Londres, no mês passado, Wesley Batista — um dos controladores da JBS, maior produtora de carnes do mundo — afirmou que o país não está conseguindo produzir carne suficiente para suprir o apetite dos consumidores norte-americanos. “Os EUA enfrentam o maior preço da carne bovina da história e, portanto, é preciso importar cada vez mais porque a produção não é suficiente para atender à demanda”, declarou Batista.
Demanda crescente e efeito das tarifas
De acordo com dados do Departamento do Trabalho dos EUA, o preço médio de meio quilo de carne moída atingiu o recorde de US$ 6,32 em agosto, alta de 13% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Mesmo após o pacote tarifário anunciado por Trump em abril — conhecido como “dia da libertação” —, as importações de carne bovina subiram 30% no primeiro semestre de 2025 em comparação com 2024.
As compras de carne brasileira pelos EUA cresceram 91% no período, antes de recuarem em agosto, quando as tarifas sobre produtos do Brasil saltaram de 10% para 50%. Apesar do cenário, Batista afirmou que as medidas não afetam diretamente a JBS, já que a empresa produz a maior parte da carne bovina destinada ao mercado americano dentro do próprio país. “É claro que os produtos ainda estão ficando mais caros em alguns mercados, mas a demanda ainda é muito forte, especialmente nos EUA”, afirmou.
Influência dos medicamentos para perda de peso
Batista também observou que o aumento no consumo de proteínas pode estar relacionado à popularização dos medicamentos à base de GLP-1, como o Ozempic e o Mounjaro, usados para perda de peso. “Ninguém sabe exatamente qual é o impacto desses novos medicamentos, Ozempic ou Mounjaro… mas algo está acontecendo porque a proteína em geral virou [uma tendência]. No passado, o médico dizia que você não deveria comer muitos ovos ou muita proteína. Agora é o contrário”, afirmou o empresário.
Um levantamento do Conselho Internacional de Informação Alimentar mostrou que 71% dos entrevistados nos EUA tentam aumentar a ingestão de proteína, percentual que vem crescendo nos últimos anos.
A analista Larissa Alvarez, da StoneX, explicou que os preços elevados da carne bovina nos EUA são impulsionados principalmente pela redução do rebanho — o menor desde a década de 1950. Segundo ela, secas no sudoeste do país reduziram pastagens e forçaram pecuaristas a diminuir a criação. “[Isso] se combina com uma demanda internacional estruturalmente forte, dado o alto consumo per capita, já que o país é um dos maiores consumidores do mundo”, disse Alvarez.
Expansão global e sustentabilidade
Controlada por Wesley e Joesley Batista, a JBS opera atualmente como a maior produtora de carne bovina dos EUA e diversifica seus negócios para setores como frango, suínos, ovos, peixes, refeições prontas e produtos à base de plantas. Em junho, a companhia transferiu sua listagem principal da bolsa de São Paulo para Nova York, consolidando sua presença no mercado norte-americano.
Apesar das críticas de grupos ambientais e de seu envolvimento em escândalos políticos no Brasil, Batista reforçou o compromisso da empresa com práticas mais sustentáveis. “Estamos trabalhando com produtores rurais em todos os lugares para ajudá-los a produzir mais com a mesma quantidade de terra, com a mesma quantidade de recursos”, disse.
O empresário acrescentou que os produtores dos EUA poderiam atingir os mesmos níveis de produtividade dos brasileiros com metade do rebanho, graças a técnicas de nutrição e melhoramento genético.
A JBS, avaliada em cerca de US$ 15,9 bilhões, segue como uma das principais multinacionais brasileiras com atuação global, tendo metade de sua receita de US$ 77 bilhões em 2024 proveniente dos Estados Unidos.
Com informações do brasil247
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