A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou ter identificado, no fim de dezembro, um “volume atípico” de postagens em redes sociais com menções à entidade e a seus representantes, em meio à repercussão do caso envolvendo a liquidação do Banco Master. A federação informou que realiza, de forma periódica, monitoramentos com empresas especializadas e que, nesses levantamentos, detectou um pico incomum de publicações relacionadas ao tema.
A nota foi divulgada após reportagens apontarem que instituições e autoridades ligadas ao caso sofreram ataques coordenados nas redes sociais pouco antes da virada do ano. Segundo as informações divulgadas, a ofensiva teria se concentrado em um período de 36 horas e utilizado contas conhecidas por promover celebridades para questionar a credibilidade de órgãos como o Banco Central e a própria Febraban.
Em sua manifestação, a Febraban declarou que está analisando se as postagens identificadas naquele período “caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade”, acrescentando que “já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”. A federação ressaltou ainda que não realiza monitoramentos específicos voltados a identificar supostos movimentos coordenados contra outras instituições ou autoridades.
A entidade também destacou que seus levantamentos têm caráter interno e não são divulgados. “Os levantamentos feitos para a Febraban são para consumo interno e não são divulgados pela entidade”, diz a nota.
O episódio ganhou ainda mais dimensão com a divulgação de relatos de que influenciadores de direita teriam recebido propostas para difundir, em seus perfis, a narrativa de que o Banco Central teria sido precipitado ao decretar a liquidação do Master. Segundo essa versão, o objetivo seria colocar em xeque a atuação do regulador e ampliar críticas ao processo, com base em conteúdos que ecoariam a posição do Tribunal de Contas da União (TCU), especialmente materiais em que a corte vê indícios de “precipitação” na decisão do Banco Central.
De acordo com as informações publicadas, o projeto teria sido batizado de “DV”, iniciais associadas ao nome do dono do banco, Daniel Vorcaro, e buscaria impulsionar vídeos e postagens que reforçassem questionamentos sobre a condução do caso. A estratégia, segundo esse relato, seria explorar a repercussão de análises do TCU para ampliar a desconfiança em relação ao Banco Central e alimentar um ambiente de desgaste institucional.
A nota da Febraban, ao reconhecer a existência de um pico anormal de publicações e ao investigar a hipótese de um ataque coordenado, reforça a percepção de que a disputa em torno da liquidação do Banco Master extrapolou o campo técnico e institucional, migrando para uma arena digital marcada por campanhas de influência e tentativas de desestabilização de reputações.
A movimentação ocorre em um contexto em que debates sobre regulação, credibilidade institucional e integridade do sistema financeiro se tornam alvos frequentes de campanhas organizadas nas redes sociais. Ao sinalizar que acompanha esse ambiente e que apura a origem e o padrão do conteúdo identificado, a Febraban procura se posicionar como parte interessada em preservar a confiança no setor e em proteger a legitimidade dos órgãos que integram a estrutura de supervisão bancária no país.
Originalmente publicado em Brasil247
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