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Trump discute petróleo da Venezuela com executivos na Casa Branca

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reunirá nos próximos dias com executivos de empresas petrolíferas na Casa Branca para discutir caminhos para a a exploração do petróleo venezuelano. Segundo a CNN, o encontro pretende avaliar alternativas para elevar rapidamente a produção do país sul-americano e se ebeneficiar da exploração.

De acordo com fontes da emissora, o encontro deve ocorrer na sexta-feira (9), embora ainda não esteja claro quais empresas participarão. Procurada, a Casa Branca não comentou oficialmente o tema.

A ampliação da produção de petróleo venezuelana é apontada como uma das prioridades do governo Trump no momento. A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo, mas viu sua produção despencar ao longo das últimas duas décadas, passando de mais de 3 milhões de barris por dia para menos de 1 milhão atualmente. 

Autoridades do governo dos Estados Unidos discordam de avaliações mais pessimistas feitas por analistas do setor, que projetam um processo lento e custoso de recuperação. Segundo integrantes da administração, haveria meios de impulsionar a produção em um intervalo mais curto, com a introdução de novos equipamentos e tecnologias adequadas.

Atualmente, a Chevron é a única grande petrolífera norte-americana com operações ativas em campos de petróleo da Venezuela. Outras gigantes do setor, como Exxon Mobil e ConocoPhillips, tiveram presença relevante no país no passado, antes de seus ativos serem nacionalizados durante o governo do ex-presidente Hugo Chávez, há quase duas décadas. As empresas não informaram se considerariam um eventual retorno ao país.

O secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, afirmou que uma alternativa imediata para elevar a produção venezuelana seria a suspensão das sanções que impedem o acesso do país a equipamentos essenciais e tecnologias voltadas à maximização da extração. Em entrevista à Fox Business Network, ele declarou: “Algumas dessas coisas poderiam ser feitas muito rapidamente” e acrescentou: “A oportunidade do lado comercial aqui é realmente enorme.”Donald Trump também destacou o interesse estratégico e econômico da iniciativa. Em entrevista à NBC News, ele afirmou que empresas norte-americanas poderiam expandir suas operações na Venezuela em menos de 18 meses, possivelmente com apoio financeiro do governo. “Será necessário gastar uma quantidade enorme de dinheiro, e as empresas petrolíferas gastarão, e depois serão reembolsadas por nós ou por meio de receita”, disse.Em declarações feitas a deputados republicanos, Trump ressaltou ainda que o aumento da produção venezuelana poderia contribuir para a redução dos custos de energia nos Estados Unidos. “Temos muito petróleo para perfurar, o que fará com que os preços do petróleo caiam ainda mais”, afirmou.

Apesar do otimismo demonstrado por integrantes do governo norte-americano, especialistas do setor energético mantêm uma visão cautelosa. Analistas lembram que a infraestrutura venezuelana está severamente degradada e que sua reconstrução demandaria bilhões de dólares e vários anos de investimentos contínuos. Além disso, o petróleo do país é considerado um dos mais caros do mundo para desenvolver, por ser pesado e exigir equipamentos especializados para extração, transporte e refino.

Com os preços internacionais do petróleo em torno de US$ 60 por barril, produtores globais têm priorizado reservas mais baratas e de exploração mais simples. Nesse contexto, o potencial de crescimento da produção venezuelana no curto prazo é visto como limitado. Durante a Conferência de Energia, Tecnologia Limpa e Serviços Públicos do Goldman Sachs, o codiretor de pesquisa global de commodities do banco, Daan Struyven, afirmou: “É difícil imaginar aumentos além de 300.000 a 400.000 barris por dia no próximo ano, devido ao estado degradado da infraestrutura, especialmente dos upgraders.”Segundo ele, apenas no fim da década a Venezuela poderia alcançar uma produção entre 1,5 milhão e 2 milhões de barris por dia, e isso dependeria de forte apoio institucional. “Eu não descartaria a possibilidade, mas isso exigirá tempo e mudanças institucionais significativas”, concluiu.

Originalmente publicado em Brasil247

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